Arquitetura da Destruição

Arquitetar é um verbo que se conjuga e não é mais propriedade exclusiva da arquitetura.

Nem pensei num filme sobre o nazismo, mas num texto do arquiteto italiano Paolo Portoghesi (que à época da destruição da torres gêmeas, disse que, implicitamente, a arquitetura americana preconfigurava a violência dos ataques), quando alguém me proibiu de fumar só por estar próximo a um “café” , dizendo que os fiscais do Estado podiam interpretar como estando num espaço coletivo.

Não tenho mais dez anos e acho que sei aonde isso pode ir. Quem  não se recorda quando um grupo desses “gênios”  da matemática econômica, na segunda metade da década de 80, na tentativa de conter a inflação, arquitetou o Plano furado, digo cruzado. Quem não se lembra da economista portuguesa Maria Conceição Tavares, destilando em prantos na TV quando a vaca foi pro brejo?  Ou das milhares de donas de casa em “estado de graça”, que trabalharam de graça como fiscais do Sarney? Aonde foi essa economista, aonde foram essas dedicadas e prestimosas cumpridoras do dever cívico, que emprestaram suas imagens pras TVs? Também não sei, mas  sei é que tem algo de assustador nessa fiscalização coletiva não meio sem termo, mas sem meio termo, sem reflexão, sem ponderação.

Um ex-fumante não raramente age como um religioso fundamentalista e o O Estado arquiteta tudo de acordo com suas necessidades políticas/econômicas e não está preocupado com a saúde de ninguém! Está sim com a grana “a mais” que pode gastar pra cuidar da saúde dos fumantes. Mas amanhã  poderemos ter um ex-alcoólico na política, que se imbuído de uma verdade messiânica pode brigar de foice com a bebida, e os adoradores do álcool terão que levar suas garrafas e latinhas pra solidão dos seus cantinhos particulares. Não é uma idéia de girico, consumidores de álcool têm probelemas de saúde mais cedo ou mais tarde, e vão onerar igualmente ao Estado, além do que, quando embriagados, cometem assassinatos e aleijam pessoas com suas mentes e carros desgovernados!

Bafo de bebum à distância não é tão desagradável quanto a fumaça de um cigarro que incomoda quem não a tolera, mas isso é um problema de educação. Agora, proibir o cidadão de fumar em lugares abertos, semi-abertos, e a interpretação confusa e cheia de paúra dos donos dos estabelecimentos comercias… é demais! Essa “preocupação” do Estado com a saúde dos que não fumam é tão bizarra, que o ar deveria ter outra nominação no “Pai dos Burros”, uma vez que essa mistura gasosa invisível e inodora, que deveria conter aprox. ¼ de Oxigênio está longe de ser o “ar” que respiramos há muito tempo, isso vale pra cidade, pro planeta!

Cigarro faz mal à saúde? Nem o presidente da empresa fabricante diria ao contrário. Mas o Estado não diz toda verdade ao povo!  Não diz que o malcheiroso ar urbano com gás carbônico em excesso, tetraetila de chumbo, sulfetos e material particulado, é  extremamente nocivo à saúde. Não diz  que a água clorada que fornece à população não dá dor de barriga, mas vem com cadeias carbônicas cancerígenas como benzipireno etc. Não diz  que o uso indevido de sal e de açúcar causa mais complicações futuras  à saúde que todos os vícios juntos. O Estado, de acordo com a conveniência, é o Rei da Mentira, compra os meios de comunicação formadores de opinião e faz das pessoas marionetes, que logo incorporam o que escutam como verdades absolutas. Aonde aprendemos a beber e a fumar se não nos exemplos da própria Mídia, quando p.ex. fumar era chic e não brega?

Se  houvesse mesmo alguma preocupaçao com a saúde, o departamento de trânsito cuidaria dos seus guinchos com seus rolos de fumaça preta, que nos afronta, e teria que retirar de circulação metade do que roda na cidade.  Se houvesse mesmo preocupação com as pessoas, o Estado daria educação antes de tudo. A liberdade não está na ignorância!

Só falo de tolerância, isso que falta nas pessoas, no planeta! Não estou dizendo que fumar faz bem, nem que beber é ruim, que não se deva ter mais prazer com a comida e seus condimentos. Falo da hipocrisia, da mentira, da autocracia, essa que com o auxílio da Mídia cria fantasmas e doentes sem cura! Isso que lesa a pátria,  essa que é a Arquitetura da Destruição.

5 Comentários em “Arquitetura da Destruição”

  • LENA comentou no dia 14/06/2010

    ACHEI UM ESPETÁCULO E CONCORDO PLENAMENTE,,,,,E PRA AINDA ENFATIZAR UM POUCO MAIS O QUE ME DIZ DA LEI QUE MULTA PESSOAS QUE ANDAM SEM O CINTO DE SEGURANÇA, QUE É PROBLEMA DE CADA UM ,,,E QUE NÃO ENVOLVE AS DEMAIS PESSOAS ,,,A NÃO SER UMA CRIANÇA QUE DEVE SER RESPONSABILIDADE DE CADA PAI E MÃE,,,E NÃO DAS ”MULTAS”.     TANTAS COISAS NO TRÂNSITO PRA SEREM OLHADAS ,,,,,,E O QUE ESTA  NA RUA ,,,,UMA BAGUNÇA ,,,E TODO MUNDO DE CINTO.
    E MUITO BEM ESCRITO PAULO,,,ARRASOU!!!!!!!!!!!!!!!!!LENA MAIA

  • paulo vilela comentou no dia 14/06/2010

    Digo o mesmo que vc. Digo que o percentual de pessoas que se machucam menos com o cinto é verdadeiro, mas não absoluto. Digo que é direito individual escolher e não escolherem o que é melhor pra cada um. Digo que se vc se machuca mais, por hipótese, mas paga planos de saúde particulares e não vai onerar o Estado, mais uma razão pro Estado não meter o bico na sua vida. E termino dizendo que a fábrica de multas é um grande negócio, parte de um megaprojeto que faz pro coletivo menos do que devia, não resolve picas e enriquece quem não devia.

  • paula lobao comentou no dia 14/06/2010

    Vc é um dos que colocou a boca no trombone, embora nada aconteça pq vc é uma voz que coloca alto e em bom tom o que nos sufoca , e escancara a hiprocrisia desleal de um governo que conseguiu unir a cambada de mal intencionados ao redor, faz nos unirmo nos pobres mortais nas maos desses inbecis tiranos.que nos cercam com leis em seu proprio favor. Fale sim, antes que seja tarde dmais. distribua este asssunto ao seu redor.A maioria do zé povinho é analfa, e os que sabem um pouquinho,sao chupados pra corja com a promesssa de balinhas e cestinhas furadas.
    Obrigada por vc ser um dos poucos atentos e sem medo de falar.

  • Gabriela comentou no dia 14/06/2010

    É esse Estado paternalista que fica colocando chupeta na boca do povo pra ele ficar mudo. E o povo fica…

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  1. O FILME "A ONDA" | Arquiteto Paulo Vilela

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