Admirável Mundo Novo

De alguma forma o modernismo na arquitetura pretendeu socializar a habitação e a arte, valorizar os espaços coletivos, baratear o custo das obras retirando o supérfluo, enfim utilizando-se de recursos tecnológicos dividir melhor o “bem-estar”. Talvez ao longo dos anos algumas dessas idéias tenham se perdido, quando o “igual” do ideário se transformou no “igual” mal feito, que visou metas políticas ou de lucro fácil. E assim, como nada é eterno, o modernismo foi dando espaço a outras formas e pensamentos, e vai ocupando esse espaço meio vago, sem uma ordem formal, e por também não ter um nome apropriado chamamos de pós-moderno.

Alguns dizem que o homem não é centrado numa cidade pós-moderna, que pouco olha pro outro etc. E logo me recordo da ficção “O  Admirável Mundo Novo” do Aldous Huxley, que mostra o homem mais feliz quando sem contestação nasce e vive pra cumprir funções específica, aonde ninguém puxa o tapete de ninguém nem inveja o outro, algo que imagino seja parecido com a divisão social num formigueiro. Mas tenho certeza que o autor não propôs este caminho nem em sonho porque chorou quando descendo do avião viu Brasília à época da sua inauguração.

Não penso que a diversidade, a liberdade de expressão em todas as suas formas isole mais o indivíduo. Talvez, dado a desigualdade econômica, exclua mais. Mas nunca acreditarei que seríamos melhores e mais felizes numa sociedade como a ficção do Huxley, isso na prática é puro facismo.

Agora, é consenso do homem ter um teto, e meta de qualquer governo. Por diversas razões, projetos com os conceitos modernistas são executados sistematicamente, não obstante a maioria ser capenga nos seus princípios fundamentais, temos isso aqui no Brasil e também na maior parte do mundo.

Mas o homem não é uma barata e não se adapta bem às situações que lhes são adversas por longa data. Ao Estado pode caber o pensamento, que há mais dignidade morar num conjunto habitacional, seja qual for, que viver sob uma ponte. No entanto essa “dignidade” vista à distância não traduz o grau de felicidade do indivíduo.

Os conceitos básicos do modernismo impregnados até hoje nos mecanismos públicos sempre consideraram o homem no coletivo, até porque é difícil ver isso de outra forma, mas cada qual é único nos desígneos da sua vida e não é factível, sem seu consentimento, a qualquer outro escrever o seu destino, por isso a maioria não privilegiada ainda prefere morar nos seus “puxadinhos” que nos conjuntos “impessoais” feito às pressas.

Outra coisa são os mega-projetos modernistas, caso da cidade planejada de Brasília, que ao fim da obra perguntaram  ao urbanista Lúcio Costa, criador da cidade,  se ele não sabia que os milhares de “candangos” ficariam por ali mesmo nas cidades satélites (cujo conceito de moradia era o oposto da modernidade).  Ele respondeu que Brasília tinha casas pras pessoas morarem, que este era um poblema de revolução e não de arquitetura.

O que eu penso disso? Penso que tudo é muito difícil, vivemos numa sociedade injusta, desigual nas oportunidades, e nada que é feito no papel por meia dúzia de gatos vai ser a solução pras muitas dúzias de ratos.

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