Até que ponto a arquitetura pode ajudar a solucionar o caos das grandes cidades?

Arquitetura não é nada diante da burocracia e do poder econômico, que é quem dita os rumos de uma cidade, de um país. Dou um exemplo simples: temos um espaço razoável, mais ou menos livre, de propriedade privada, à espera de uma melhor valorização.

O Estado pode adquiri-lo por um preço razoável e transformá-lo numa praça com equipamentos de lazer, oficinas, teatro etc. Para isso é necessário um projeto de lei e grandes discussões sobre prioridades do orçamento público. Num estado pobre sempre haverá falta de recursos básicos (saúde, iluminação, redes de abastecimento de água etc).

Ninguém viu começar e já temos mais um conjunto de edifícios ou um shopping center. O planejamento público está sempre atrás de mega-soluções para os mega-problemas, uma corrida perdida se os rumos do desenvolvimento não forem mudados. Isso é válido para todos os cantos, obviamente agravado com a pobreza. Se não for o homem a razão do Estado, não vai ser a arquitetura, a psicologia, a medicina que podem ajudar.

As grandes cidades brasileiras crescem nas periferias como tinta derramada sobre um mapa, que ironicamente damos o nome de “manchas urbanas”, independentemente das leis que tentam reger o seu crescimento. Como controlar o incontrolável?

Diante da crescente violência causada por essa mudança rápida da história recente, que fere aos cidadãos de todas as classes,  só imagino em cada cidade, em toda cidade,  sentados numa grande mesa os maiores empresários, pensadores, políticos (?) etc., diante da única questão possível, que deve se iniciar com o “Nós somos responsáveis por isso…”

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