De onde viemos, Pra que viemos, Pra onde vamos?

Chamamos de fé o crer incondicional sem nenhuma base em  argumentação racional. E se assim é, fé não se discute; se não se discute não há forma de convencimento universal sobre a existência de entidades supremas do bem ou do mal.

Não são dotados de maiores virtudes aqueles que por terem fé trilham o caminho das suas verdades. O que lhes pode conferir tal dignidade é a lisura, o caráter ilibado. Da mesma forma se enquadram os que não crêem em anjos e demônios.

As atitudes do dia-a-dia, a maneira como se vê e se trata o outro ante a noção mínima do conceito de justiça com base na observacão da natureza e não das leis humanas, é que o que faz a diferença — que afasta ou aproxima o homem de deus, se ele existir.

E se ele existir, dotado de forma e inteligência que nem sonhamos, ainda que abstraia toda racionalidade, ainda assim penso que o seu pensar é que nossas vidinhas não têm nenhuma importância no universo.

A arte, o trabalho, a luta maior ou menor de uns ou outros pela sobrevivência, ameniza mas não cura essa chaga que nasce do medo do que se desconhece, da imprevisibilidade da doença e da certeza da morte, que encurrala o homem pra sua fé ou pra sua dúvida.

3 Comentários em “De onde viemos, Pra que viemos, Pra onde vamos?”

  • eliane comentou no dia 21/12/2009

    Pensemos no contrário. Se quisermos poderemos fazer muito mal ao universo isto fará uma enorme diferença. Assim, quando lemos a natureza, seguimos seu ritmo e nos sentimos nela, certamente temos significado e relevância.

  • paulo vilela comentou no dia 21/12/2009

    Você é mesmo dialética, mas fazer muito mal ao universo é dar uma dimensão ao homem maior do que ele tem, quanto ao ler a natureza…. concordo que temos um significado, sim.

  • Noenio comentou no dia 21/12/2009

    Ter fé ou não ter fé, diz uma grande antropóloga (Mary Douglas) é uma coisa que se decide no interior dos nossos corações e não no interior das igrejas. Talvez tenha razão. Mas, quando olho somente para dentro de mim mesmo em busca de certezas, minhas chances de encontrar uma boa resposta são menores. Segundo um velho ditado espanhol o Diabo não é respeitado por que é o Diabo e sim por que é velho. O Diabo não envelheceu sozinho.

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