MNEMÔNICO
- 22/03/2010
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Todo ano era assim, mas antes que me dissessem que era o começo de alzheimer, inventei um jeito simples de lembrar do aniversário da minha tia. Aliás nem sei porque não pensei isso antes… era só associar a algo que lembramos sempre, facílimo! Todo mundo que esquece as coisas devia fazer isso.
Nº 10 da R. Joana D´Arc, bem atrás da Igreja do Bom Conselho (sic), ficava a casa da malévola e estouvada valquíria, viúva de eterno negro, e arauto de fé apocalíptica, também diretora do famigerado pasquim do bairro, e progenitora da Ana, Luana e Joana, aonde ia nas noites sem lua, levado pela insensatez, embriaguês, ou algum planejamento divino, o padre da paróquia. A rua não tinha luz, e nada que se movia fazia sombra, mas meninos têm olhos de gato, e a infância não apaga nada.
Então, do 10 da rua subtraí as 3 filhas da viúva e tive o exato dia do aniversário da titia. O mês nunca tive problemas, depois de agosto, mês de ventania e hidrofobia, vem sempre a primavera. E com lua ou sem lua, minha memória nunca mais falhou. Todo 7 de setembro, enquanto ela viveu, ouviu cedinho a minha voz ao telefone: “tanti auguri, zia!”
5 Comentários em “MNEMÔNICO”
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Vamos ver se vc lembrará:
12 dias antes do Outono…
Março, início efetivo do ano letivo…
Dia internacional da Mulher…
O infinito, a linha nunca acaba…
Meu aniversário!
Hehehehehe
Meninos têm olhos de gato e imaginaçao fértil! Meninas são práticas: “Dia Internacional da Mulher”, “Dia da Independência do Brasil”… Linda crônica para uma tia certamente muito querida, que está em outro plano, decerto muito feliz com a lembrança.
Foi só uma brincadeira pra dizer que a precisão da memória e a exatidão das palavras pode ser também uma coisa muita burra e idiota.
Na verdade, ainda que a brincadeira evidencie objeção à exatidão das palavras, é certo que traz a lume a magia da infância!
Vc entendeu bem, só um jogo de palavras não teria o porquê se não fosse essa mistura de verdades e mentiras que a imaginação infantil é infinita…