O FILME “BASTARDOS INGLÓRIOS”

França ocupada, 2a Guerra Mundial. O filme mostra violência fisica e psicológica, mas antes que a guerra é insana e transforma pessoas.

Diferente dos devaneios do Linch, que nascem de sonhos, os do Tarantino vêm dos milhares de filmes que assistiu, da realidade violenta do mundo hodierno. Ele usa a lógica do absurdo com precisão matemática, quando mistura escalpos dos Sioux, quadrinhos, música romântica, Hitchcook, e reinventa a história.

Instigante nos detalhes, o sagaz investigador alemão (caçador de judeus), com muita inteligência,  sub-repticiamente mostra seu total controle sobre as situações, e sem violência física induz seus entrevistados ao horror da impotência.

Os escalpos praticados pelo grupo de judeus anti-nazista, liderados por um americano rústico, sucedem a diálogos insólitos, e o “caipira americano” só tem uma filosofia: matar sem distinção qualquer soldado alemão que use farda. Quando não mata põe uma marca da suástica, feita à faca, na testa do indivíduo pra que sempre seja reconhecido quando não usar uniforme.

Poderia ser um filme sobre a vingança da jovem judia, que escapou das metralhadoras, e tem a chance de dar o troco em alto estilo, como pode parecer, mas não é. Diferente da vingança de Manon na sequência do Jean de Florete (extraordinário filme sobre a maldade humana), que Manon segue um plano determinado, aqui Tarantino deixa que o destino faça a sua parte.

Mortes em massa só são vistas na tela de um cinema  (quase uma metalinguagem, que dilui o realismo). Quem não se importar com a maquiagem da massa de tomate dos escalpos, ou fechar os olhos se não suportar, vai se impressionar com os diálogos e rir das cenas hilárias. O filme é só uma interpretação da loucura e da insanidade humana.

Fiquei muito surpreso ante os comentários que ouvira anteriormente, pra mim, o melhor filme americano de 2009.

Um comentário em “O FILME “BASTARDOS INGLÓRIOS””

  • Renata Soldato comentou no dia 27/04/2010

    Percebi que o filme seguiria um caminho demasiadamente cruel quando um dos americanos mata com um porrete o corajoso soldado alemão. Talvez a intenção tenha sido exatamente essa, mostrar que nas guerras morre qualquer um, e mtas vezes, pelas mãos de tolos e covardes. Mas me deixou mal, aliás, como qualquer injustiça me deixa. Incrível que ainda hoje mata-se por tão pouco, se tantas pessoas, o que não dizer dos animais. Ai, ai.

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