O país andando de cabeça baixa…

“Isso não se faz, mas aquela merecia, porque não valia nada”

Aí está embutido tudo que de pior existe — moral perniciosa, preconceito e culpa… Porque prevaricava então não devia permanecer no mundo dos vivos, mas matar é transgredir um dos mandamentos fundamentais da Igreja.

Ante a ordem social de justiça, o que importa são os fatos. Matar uma criança ou uma puta tanto faz, não há atenuantes se for crime premeditado. E se à primeira vista a condenação vai se atenuando e se transformando em quase perdão, também pouco importa. Tudo isso é horrível de qualquer maneira.

Como os filmes de terror com cenas macabras que são sucesso certo de bilheteria, crimes hediondos que ocorreram ali na esquina, e o seu desenrolar, é ibope também em qualquer mídia, quando a população acompanha o desfecho como uma novela ou uma copa do mundo.

Acostumados a votar nos BBs, tudo é pano pra manga. Se não se pode com a violência real, no aconchego do lar tudo é permitido e heróico. E cada vez mais afastamos a possibilidade de termos um país de cabeça erguida. Como na Idade Média vão surgindo feudos (condomínios fechados, isolados por grades, com  seguranças privados, câmaras, alarmes…). Falta pouco pra vermos um fosso com ponte elevadiça.

Nas capitais e mesmo nos mais recônditos cantos do país vive-se em estado de paúra. Pessoas caminham ou dirigem assustadas com qualquer um que se aproxime sem motivo aparente, mas uma vez nos seus guetos renascem das cinzas e transformam-se em juízes, policiais, torturadores. Nessas condições não existe enfrentamento, ao contrário, o distanciamento virtual os faz entrar numa espécie de catarse invertida ao evocarem ódios reprimidos e normalmente torcer pela maldição dos acusados. A mídia sempre ávida por ibope (leia-se lucros), reparte esse horror em capítulos.

Éramos 90milhões em ação, quem não se lembra disso? Em 40 anos a população quase triplicou, e os números da violência se multiplicaram por 10. Aqueles guris da época poderiam ser hoje a força produtiva do país se tivessem investido em educação, mas os tecnocratas da Ditadura investiram em energia, em telefonia, e ajudaram a criar assassinos “iluminados” e com tecnologia. Foi isso que se fez e ninguém que veio depois mudou essa história.

Não há outra solução que não seja por um grande projeto educacional, mas grande mesmo, nada pra melhorar estatística ou por aí. Que se lasquem as estradas, o velhos, os doentes! Que se lasquem as milhares de ONGs, que se prendam os ladrões de gravata e façam devolver os dinheiros!

Quem crê que é a polícia que tem que ser melhor equipada, deve lembrar que quem luta contra a comida, se esforça, mas a comida ganha. Sem mudança radical de postura tudo é dinheiro jogado fora. E não se pode mais desperdiçar dinheiro, é preciso de muito pra fazer o que se deve.

A publicidade premiadíssima do país, feita por meia dúzia que teve acesso à educação, podia ajudar, não só mostrar o sucesso, o prazer, ligados a ícones que só o dinheiro pode comprar, porque nesses moldes consumistas quem não tem, quer ter, se lhes falta tudo — estudo, bife, dente, grana, vão ter de qualquer jeito, e todos sabem de que jeito é. Eu ainda não morri assassinado e ainda sonho com um país de cabeça erguida.

3 Comentários em “O país andando de cabeça baixa…”

  • Renata Soldato comentou no dia 23/07/2010

    verdade, é tudo verdade.

  • Rarcuri comentou no dia 23/07/2010

    Esse foi na mosca. Aplaudo e engrosso as fileiras. Dificil é colocar em prática.

  • ani comentou no dia 28/07/2010

    NOSSSA! agora sim senhor Paulo, acertou , transmitiu, eu entendi e todos entenderam. Precisamos desse país de cabeça erguida, sei não se vamos ver, quem sabe alguém algum dia.

Escreva seu comentário

Avatares são imagens pequenas que mostram sua personalidade. Você pode criar seu avatar gratuitamente hoje.

*

Copyright © 2012 Paulo Vilela. Todos os direitos reservados.
(11) 5975-4128
(11) 9622-7051
FG Solutions - Marketing Digital