Por que não fiz Obras Públicas?
- 02/10/2009
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Bem que tentei pela vias formais, convite nunca recebi, amigo do Rei também não sou.
Mas trabalho como arquiteto desde criança, quando fazia maquetes de cartolina das obras do arquiteto Oscar Niemeyer (Ed Copan, obras de Brasília etc.), que aliás eram bem mais fáceis do que as do engenheiro Ramos de Azevedo (Teatro Municipal de São Paulo, Casas da Av. Paulista, etc.).
Só tinha uma tesoura sem ponta, umas cartolinas e uma cola que não grudava, e uma vocação. Diziam que tinha jeito, mas até a universidade muita coisa se passou e nem sei porque acabei num curso de Engenharia Mecânica, lá ficando até ter que desenhar à mão a rosca de um parafuso, quando me imaginei fazendo isso pro resto da vida. Mudei pra Engenharia Civil — antes desenhar escadas e telhados que parafusos!
Nunca gostei da Escola e seus métodos arcaicos de ensino, que me trouxeram pesadelos por anos, até mesmo depois de formado. Cheio de dúvidas, estudei análise de sistemas, arquitetura, e lembro quando tive que tomar uma decisão e fui ao CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) ler num livrinho, que as atribuições legais do Arquiteto e do eng. Civil eram as mesmas. Decidi então terminar o que já estava no fim, e acreditei que o que li fosse verdade.
Hoje não digo que não fosse, era uma meio verdade — podia como posso fazer tudo como arquiteto, além de calcular, projetar estruturas etc., mas quando quis entrar num concurso público não consegui me inscrever por não ter a carteirinha do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). Tentei novamente e sempre esbarrei nessa impossibilidade, desisti. Mas nunca deixei de pensar que se um Órgão de Classe enquadrasse escritores, obrigando-os, como fizeram durante anos com os jornalistas a se diplomarem em Letras, os maiores escritores do país, na minha opinião, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e Clarice Lispector estariam excluídos e não poderiam publicar nada.
Discussões à parte sobre Órgãos reguladores, penso que a formalidade que cuida da especificidade é no mínimo uma grande bobagem, que só diminui o universo do homem fazendo-o pensar que sabe mais do que sabe ao subverter o verdadeiro conhecimento.
2 Comentários em “Por que não fiz Obras Públicas?”
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É uma pena.
Perdemos todos. Nós por não termos nenhum prédio publico ou praça ou monumento com seu estilo que tanto gosto, e perdeu o Paulão que nunca pode mostrar para o grande publico seu talento e capacidade de criar detalhes originais.
Deixa prá fazer suas obras publicas no céu dos anarquistas, quando então poderemos subverter toidas as regras e quebrar o monopólio niemeyrista.
Abraço.