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	<title>Paulo Vilela &#187; alegria</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>A FESTA</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 19:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É raro, mas me convidaram para uma festa de inauguração da vida nova do casal, vida nova quer dizer ‘casa nova’. Casa que projetei e construí ao longo de 15 meses. Era uma sexta feira do fim de agosto estranhamente abafada (agosto não é um bom mês para se fazer nada, que dirá festas, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É raro, mas me convidaram para uma festa de inauguração da vida nova do casal, vida nova quer dizer ‘casa nova’. Casa que projetei e construí ao longo de 15 meses.</p>
<p>Era uma sexta feira do fim de agosto estranhamente abafada (agosto não é um bom mês para se fazer nada, que dirá festas, mas nada tenho a ver com isso), a Previsão dizia tempo estável, mas sinto no corpo como um barômetro quando a pressão atmosférica aumenta, prenúncio de chuva, e confio mais no meu mal-estar que no noticiário. Enfim, tomei banho, cortei as unhas, me vesti e fui. Fui como quem vai a um lugar desconhecido apesar de ter estado lá tanto tempo, sensação essa talvez como disse pela estranheza do convite ou pelas pessoas que não conhecia.</p>
<p>Dez horas da noite, lua redonda, jardim de sombras, manobrista na porta, parecia cena de filme noir. Casa cheia, mas exceto os proprietários não conhecia ninguém. Logo, extremamente gentis, me apresentaram a várias pessoas. Espalhados pelo jardim, ao redor da piscina, todos eram falantes e pareciam felizes com seus copos cheios ao som de um blues moderno.</p>
<p>Eu continuava perdido, e a noite de sonhos também não durou muito. Do nada uma nuvem negra cobriu a lua, e mesinhas, cadeiras, copos, tudo voava com a ventania. Todos correram para dentro, em instantes água caiu de baldes e a luz se foi.</p>
<p>Situação inusitada que só não foi pior porque a casa tinha luzes de emergência e alguma coisa se enxergava no breu, mas foi um corre-corre daqueles, ninguém está preparado para uma situação dessas. Sem música, enquanto se esperava pela volta da energia elétrica, o vozerio era só um grande ruído e por um instante tive a mesma impressão de estar num outro país que não se conhece a língua.</p>
<p>A chuva parou tão de repente quanto começou, mas nada de voltar a energia elétrica. Uma hora, duas horas&#8230; Os donos da casa sem graça, os convidados idem, ninguém ia embora. Os garçons arrumaram as mesinhas em volta da piscina, e ao prateado do luar voltaram a servir. Nunca vi ninguém olhar com tanta estanheza para o céu, estavam todos visivelmente incomodados, e penso que por solidariedade permaneciam na festa sem graça à espera da luz elétrica, mas festa sem música e sem luz não dá mesmo.</p>
<p>Meia noite, assim do nada tal como a chuva, na borda clara da piscina apareceu uma mancha negra. Começou um zum-zum-zum, ninguém estava entendendo o que era aquilo, que indefinida mal se via e crescia sem parar, e rapidamente tomou todo o jardim empurrando as pessoas para o escuro da sala. E a mancha não parava de crescer, e se movia para dentro da casa. Alguém se abaixou com o isqueiro aceso e aos berros gritou que eram formigas. Milhões, bilhões, sei lá, ao menos era algo conhecido.</p>
<p>Foi o pandemônio, mulheres com salto agulha subindo nas cadeiras, gente  gritando e correndo para a porta. Eram Formicas-correição, essas ciganas nômades e carnívoras que fazem o papel das dedetizadoras matando quaisquer insetos que encontram. Debandada geral, ninguém se despediu de ninguém. Até o manobrista sumiu. No escuro, mais confusão ainda na hora de pegar as chaves dos carros, ninguém achava a sua. Desespero, o que parecia um filme ‘noir’ virou de terror. Que noite aziaga, meu pai! Começo de vida nova? Deu dó!</p>
<p>Saí ileso, não choveu dentro da casa, o banheiro funcionou e ninguém culpou o arquiteto pela falta de luz ou pelo ataque das formigas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Camélia de quê?</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 03:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ela tinha. Não, não é latinha. Ela transgredia. Nem bem mulher era, quinze anos, palavra ferina, dentes lindos, inteligente, debochada, desafiava os professores, fazia rir. Não tinha pra ninguém. Numa aula de educação física uma bolada acertou o olho de um marmanjo, que ele não enxergava nada. Ela se ajoelhou e ficou ali alisando sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela tinha. Não, não é latinha. Ela transgredia. Nem bem mulher era, quinze anos, palavra ferina, dentes lindos, inteligente, debochada, desafiava os professores, fazia rir. Não tinha pra ninguém.</p>
<p>Numa aula de educação física uma bolada acertou o olho de um marmanjo, que ele não enxergava nada. Ela se ajoelhou e ficou ali alisando sua testa como quem afaga um cãozinho até ele se levantar. Outra vez, pegou um gato atropelado na frente do colégio e fez o pronto-socorro de gente acudir o animal.</p>
<p>Filha de uma índia e um velejador norueguês, exceto pelos cílios e as pupilas negras, da mãe nada emprestou. Do frio herdou da flor bela e da neve a cor dos cabelos e da pele. O sotaque agradável não era nórdico, nem  indígena. Alquimia genética exótica, esdrúxula, loja de brinquedos, fada ou bruxa, quem saberia? E se era desbocada, sabida era mais ainda e besteira não falava nunca.</p>
<p>Quando sorria, bastava isso, quem não queria? Queria o quê? Dava vontade, dava paúra, era o inferno. Olhos grandes que cegavam, boca que mordia sem morder, pernas lindas, súcubo nos pesadelos.</p>
<p>Camélia de quê mesmo?</p>
<p>Um monte de consoantes embarcaram com ela e o pai num veleiro pra nunca mais ser vista.</p>
<p>Só ficou um ano no colégio e deixou sua marca pro resto da vida em não sei quantos. A escola que nunca teve graça, continuou sem graça.</p>
<p>E se a maioria passa invisível, alguns constroem muros e picham seu nome com todas as cores &#8212; ela teceu velas da cor da neve e pintou-as com sonhos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A COISA</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 03:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados. Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados.</p>
<p>Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha e fiquei tocaiado num galho da figueira à espera deles, que tampouco apareceram.</p>
<p>Não sei quem deu esse estranho nome a esses animais, nem de onde eles vêm ou aonde dormem, se é que dormem. Ninguém os conhece de verdade, mas é voz corrente que só eles podem digerir a rádia, essa coisa amarga e cheia de espinhos utilizada na fabricação do remédio pra combater a doença de chília.</p>
<p>Tive um parente com essa doença, vi seu sofrimento, e mais tarde sua cura total com o remédio feito da rádia. Fiquei curioso e pesquisei sobre essa estranha planta. Li tudo que encontrei sobre o assunto e também descobri que só uma única região do país é que se a cultiva, e que como as plantações de cravos ela necessita de muita água e cuidados especiais.</p>
<p>Pra quem não conhece, a rádia lembra um cactus de tom amarelado, que quando amadurece desabrocha uma única flor branca, de pétalas triangulares no topo do caule. Mas só tem valor comercial seu fuste, os brotos têm que ser erradicados no momento que nascem, motivo dos cuidados diários. A produção média semestral por família não passa dos 100kg de rádia seca, mas poderia ser quase o dobro sem os ataques dos drumus e antuás.</p>
<p>Recordo de alguém ter me dito <span style="text-decoration: underline">“Se não tem no Google, é porque não existe&#8230;”</span> Pois não tem no Google nem drumus, nem antuás, e ninguém que é vivo os conhece. Não caem nas armadilhas, e não há espantalho, agrotóxico, cão ou arapuca que os impeça de levar as rádias, que simplesmente desaparecem. Metade da produção fica com eles e isso ninguém aceita nem se conforma.</p>
<p>Por alguma espécie de fascínio por essa planta (obviamente não ouvira falar desses animais), numas férias resolvi visitar o local. E acabei adquirindo de imediato a propriedade de um ancião que mudou-se para a cidade depois da morte da esposa.</p>
<p>E se larguei tudo com extrema facilidade, não foi por saudades da roça, que nunca encabei uma enxada nem fui agricultor. Há coisas que não se explicam, mas igual a qualquer outro daqui também não me conformei com esses roubos, que já me fazia pensar em coisas que nunca imaginei.</p>
<p>No dia que cheguei de mudança já fui convidado pelos vizinhos para as reuniões de sexta à noite aonde eles discutiam esse problema há anos. Na casa de um dos moradores, uma espécie de bar,  entre umas cervejas e outras, &#8220;causos&#8221; e risadas, vão surgindo as idéias.</p>
<p>Era minha primeira aparição e cogitei se não eram aves noturnas, já que pelo chão não deixavam pegadas ou rastros, mas todos caíram na risada. Não entendi o porquê, também não me importei e logo percebi que idéias pra combatê-los nunca faltaram e já se tentara toda espécie de armadilhas &#8212;  buracos disfarçados com folhas, redes, arapucas com grades&#8230;</p>
<p>Certa vez, um dos moradores, engenheiro cheio de nove horas, criou uma câmara fotográfica acionada pelo latido dos cães e montou a tramóia no meio da sua plantação. Dia seguinte quando viu as fotos&#8230;  nada de drumus ou antuás, só seus cães e o vazio aberto no meio da plantação das rádias que faltavam.</p>
<p>Com o passar do tempo fui conhecendo melhor cada um deles. Alguns achavam que era perder tempo qualquer tentativa de detê-los, que por algum motivo devia ser coisa da providência divina, afinal todos tinham saúde e eram felizes. Sem largar dos copos ouvi de um grupo que tudo indicava ser coisa de alienígenas.</p>
<p>Como morador novo não entendia direito essa história, mas tinha comigo que isso não era coisa de quadrúpede, E.T. ou alma penada. Ninguém, nem gente, nem cão, foi ferido ou abduzido, e as rádias sempre foram arrancadas pela raiz, sem marcas de dentes ou algo similar.</p>
<p>E fui analisando minuciosamente o que ouvia nas reuniões, que entre outras coisas, uma ao menos parecia certa: só atacavam durante a madrugada e nunca durante as chuvas. Cartesianamente logo concluí que fosse quem fosse não  gostava de se molhar, e sem comentar nada, como água não faltava ali, montei um sistema que puxava água do rio criando uma chuva fina todas as noites na minha plantação.</p>
<p>Deu supercerto. Os cães não latiam mais, eu dormia a noite toda e ninguém roubava mais nada. Guardei segredo por dois meses, pois nunca gostei de acusar ninguém sem provas, isso é calúnia, mas já vinha fazendo anotações sobre a produção de todos e me chamou a atenção a do velho solitário que produzia mais que qualquer um, bebia mais que qualquer outro, detestava tomar banho e tinha um estranho poder sobre os cachorros.</p>
<p>Era óbvio, tava na cara, e me senti o próprio Sherlock Holmes! Mas quando pensei em anunciar a descoberta, minhas rádias começaram a se curvar. Tarde demais, paradoxalmente elas que necessitavam tanto de água nas raízes não suportaram as chuvas que inventei. Matei-as pelo excesso! Graças à minha esperteza perdi toda a plantação, e pra não passar por ridículo pus a culpa em algum nematóide que se instalou invisível nas raízes. Na hora lembrei  do meu pai, que dizia que nem tudo que parece é. Envergonhado não fui à reunião daquela noite e em nenhuma mais.</p>
<p>Assim&#8230; desisti. E aquele lugar voltou a ser só deles, que tinham nas sextas-feiras o motivo das suas vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Arquitetura é coisa de arquiteto&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 01:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E no mundo atual só há três tipos de arquitetos, aliás quatro. &#8211; Os que fazem os megaprojetos cheios de tecnologia, que enchem as mídias e encantam o mundo moderno, quase sempre financiados pelo dinheiro público ou de algum esdrúxulo magnata;. &#8211; Os que, funcionários de grandes escritórios ou autônomos, projetam edifícios comportados para incorporadoras, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E no mundo atual só há três tipos de arquitetos, aliás quatro.</p>
<p>&#8211; Os que fazem os megaprojetos cheios de tecnologia, que enchem as mídias e encantam o mundo moderno, quase sempre financiados pelo dinheiro público ou de algum esdrúxulo magnata;.</p>
<p>&#8211; Os que, funcionários de grandes escritórios ou autônomos, projetam edifícios comportados para incorporadoras, e vez por outra enfiam umas firulas e brilhos, que os tornam super originais, iguaizinhos à maioria;</p>
<p>&#8211; Aqueles que se esforçam pra serem percebidos nos seus arrojados projetos, mas limitados pela timidez dos investimentos fazem pequenas obras comerciais ou residenciais e não raras vezes ficam nos sonhos dos rascunhos ou maquetes;</p>
<p>&#8211;  Por fim, habilidosos ou não, criativos ou não, talentosos ou não&#8230; o resto, a grande maioria da multidão que escolheu como profissão a arquitetura, ou é empregado público e passa a vida pondo e tirando o paletó da cadeira, ou gasta a vida fazendo o que não deseja numa empresa; ou é autônomo e faz o que aparece, se aparece.</p>
<p>Claro que essa divisão não é exata, nem há nenhuma novidade nisso, com a medicina, p.ex. é mais ou menos a mesma coisa, onde os expoentes não saem da mídia e o resto é empregado dos Planos de Saúde ou servidor público, e por aí vai. Mas com arquitetura é diferente, é arte que envolve literalmente o ser humano, é desafio, e não creio que alguém que tenha escolhido esta profissão, cuja característica principal não é a repetição se sinta equilibrado fazendo nada, ainda que esse nada não seja verdadeira e exatamente o vazio.</p>
<p><span style="color: #888888"><span style="text-decoration: underline"><span style="color: #000000">Vai construir, comprou uma casa velha, um apartamento caindo aos pedaços&#8230; consulte sempre um arquiteto! </span></span></span> Vi isso escrito em algum lugar que não era o para-choque de um caminhão, talvez no vidro traseiro de quem andava na minha frente, não importa, aviso inútil que não vai mudar nenhum destino.</p>
<p><em>“Pra que gastar uma grana se eu posso fazer sozinho?”</em></p>
<p><em>“Ops, eu tenho um amigo que é engenheiro e vem dar uma olhada&#8230;&#8221;<br />
</em></p>
<p><em>“Minha prima já mexeu com obra, ela leva jeito&#8230;”</em></p>
<p><em>“Nem morto! Na última vez que usei um arquiteto quase saímos no tapa&#8230;”</em></p>
<p><em>“Jo soy un arquitecto nacido&#8230;”</em></p>
<p>Se os autônomos escapam disso, dão graças aos céus que têm <span style="text-decoration: underline">algo</span> pra fazer e poderão dar de comer aos cães ou filhos, caso os tenham, mesmo que esse <span style="text-decoration: underline">algo</span> seja um quase nada em arquitetura.</p>
<p>Isso são elocubrações, mas dia desses conversando com um cara que vendia tumbas&#8230; Ops, tumbas? Não, não é bem isso, vendia coordenadas de um novo cemitério. Falei que deixei uma ordem para ser cremado, que só precisava de uma urna, e temporária. Ele riu e disse que urna ele não vendia. Isso foi por telefone, nem vi a cara do sujeito, mas era um tipo simpático, falou que era corretor da morte, mas pra eu não confundir com “corretor de morte”, que ele era arquiteto e cansou de não fazer nada durante anos numa construtora e pensou que estava na hora de fazer alguma coisa útil.</p>
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		<title>&#8220;Para poucos, para raros, para loucos&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 18:57:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vez por outra me visita algo do existencialismo de Sartre&#8230;  Há os que sentem mais dor, seja pela compreensão da nossa insignificância diante de respostas que não satisfazem, da intolerância humana etc., mas igualmente, e tão fundo, a estes, também pode caber um prazer sem limites. O que seria o “para poucos, para raros, para loucos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vez por outra me visita algo do existencialismo de Sartre&#8230;  Há os que sentem mais dor, seja pela compreensão da nossa insignificância diante de respostas que não satisfazem, da intolerância humana etc., mas igualmente, e tão fundo, a estes, também pode caber um prazer sem limites.</p>
<p>O que seria o “para poucos, para raros, para loucos ” do Stepenwoolf do Hesse? Mas o homem é um bicho no mínimo estranho, que morre com o peso do desentendimento, pela doença crônica que inventou;  julga com base na sua ignorância diante do universo, gosta de mandar e se fazer obedecer, sente prazer por se achar superior, e muito infeliz quando não consegue seu intento, que o faz pensar e escrever coisas ridículas.</p>
<p>A maioria não sabe bem o que fazer quando se vê diante de atitudes que não aprenderam nas cartilhas. Lembro de muitos assim. Um deles, pra me dizer algo simples, repetiu em poucas linhas mais de vinte vezes <strong><em>“Está claro isso&#8230; está claro aquilo..”</em></strong> Como se eu não soubesse ler, ou não quisesse ou não pudesse entender sua insegurança.</p>
<p>Como manter  “na marra” alguém na sua vida usando regras burocráticas, combinações esdrúxulas, quando o outro não confia, se a base de qualquer relacionamento é a confiança, que mais cedo ou mais tarde é o que sempre vai pesar?</p>
<p>No seu “Elogio a Loucura”, Erasmo de Roterdã fala sobre a  maneira particular que cada qual sente as dores decorrentes dos desentendimentos, o comportamento que envolve o hábito, regras sociais etc., quando alguns não se importam, uns se matam, outros matam todos envolvidos, mas uma pedrada na cabeça dói indiscriminadamente a qualquer um.</p>
<p>Esperança é só algo macabro de quem, derrotado, não tem aonde se agarrar. O lutar pelo que se deseja não é essa esperança tola de quem se ajoelha e pede a deus ou torce pra que o destino lhe seja favorável. Lutar, quando se trata de sentimentos, significa usar a energia para compreender as entrelinhas, não para julgar os atos que podemos não entender, e essa luta está longe de um “vale-tudo” cujo prêmio pelo esforço nem é a soberba, nem a humilhação ou desprezo. O tempo, o caminho e suas pedras é o que nos fará melhores, se estamos preparados.</p>
<p>Não fui eu quem chamou o lugar que vivo de paraíso, por ser um lugar lindo ou por referência ao Cinema Paraíso, mas isso não importa, o paraíso é só uma imagem, uma sensação. Não acrescentei um copo de água às fontes, nem morro de orgulho pelo que construí ao longo dos anos, feliz sou pelo que tem de vivo à minha volta: meia dúzia de amigos, uns vira-latas, uma criança, e uma mulher incrível que me fez ver a vida diferente.</p>
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		<title>SACRIFÍCIO</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 17:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em  O SACRIFÍCIO do cineasta russo Andrei Tarkovski,  um professor de filosofia planta uma árvore morta na beira do mar com a ajuda do filho, enquanto conta ao menino que no norte do país um monge manda  seu discípulo todos os dias regar uma árvore seca, até que um dia ela aparece florida. Ele não diz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em  O SACRIFÍCIO do cineasta russo <a title="Andrei" href="http://www.grupoestacao.com.br/arquivo/mat1999/festival/catalogo/tarkovsky.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.grupoestacao.com.br/arquivo/mat1999/festival/catalogo/tarkovsky.html?referer=');">Andrei Tarkovski</a>,  um professor de filosofia planta uma árvore morta na beira do mar com a ajuda do filho, enquanto conta ao menino que no norte do país um monge manda  seu discípulo todos os dias regar uma árvore seca, até que um dia ela aparece florida. Ele não diz que a árvore brotou, que surgiram folhas&#8230; simplesmente floriu! E segue falando ao atento menino “Tenho a impressão que se repetirmos um gesto, no mesmo horário, todos os dias, algo vai incomodar o universo&#8230;”</p>
<p>Quem pôde ver <a title="verdades e mentiras" href="http://blog.joaomattar.com/2010/01/07/verdades-e-mentiras-f-for-fake-orson-welles/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blog.joaomattar.com/2010/01/07/verdades-e-mentiras-f-for-fake-orson-welles/?referer=');">VERDADES E MENTIRAS</a> de Orson Wells fica incrédulo.  Há muitos caminhos possíveis para a vida, e não é preciso entender mais que uma formiga quando sente o cheiro do veneno que dizimará sua família, ou como funciona um motor à explosão, a fusão do átomo, a cabeça de um político de carreira, a ‘gravidade’ que mantém um homem em pé apesar da velocidade da superfície do planeta, tampouco é preciso decifrar enigmas, entender o Ulisses de Joyce ou escalar o Everest para sentir alegria e ter a sensação de felicidade. Sabedoria é só um termo inútil diante do Desconhecido.</p>
<p>Kurosawa questiona o que é a verdade em RASHMOON ao mostrar numa série de planos, que só existe a verdade de cada um, que não há verdade absoluta.</p>
<p>Haveria na natureza algo de tão certo e definitivo que possa desmentir isso? Não creio, mas independentemente de verdades ou mentiras, a sensação de felicidade na plenitude só é possível quando preenchemos o vazio com sacrifício, sem o quê, o que vem fácil, vai igual. Como em tudo, ingresso ao paraíso tem seu preço.</p>
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		<title>PALHAÇOS</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 16:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes. &#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso! Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta. &#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes.</p>
<p>&#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso!</p>
<p>Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta.</p>
<p>&#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos trocar por uma bolacha!</p>
<p>Pego uma bolacha, ele fica na dúvida, se aproxima, quer a bolacha, mas a chave ele não solta. Por fim, depois de uns minutos, decide pela farinácea e deixa a chave cair, é a chave do carro. Me abaixo pra pegá-la, mas ele é mais rápido e abocanha a chave ainda com parte da bolacha na boca.</p>
<p>&#8212; Olha aqui, Tom, vamos parar com isso que não tem graça nenhuma.</p>
<p>Me abaixo e o chamo  carinhosamente&#8230; Ele vira de bunda e olha de soslaio da soleira da porta. Ameaço correr, ele dá uma arrancada de atleta, mas pára a uns cinco metros.</p>
<p>&#8212; PQP Tom, vc vai levar uma surra! Grito, bravo, já sem paciência, quando toca o telefone.</p>
<p>&#8212; Alô? Quem? Ah&#8230; sim, pois não (É a moça do speed que pergunta se a linha ficou boa).</p>
<p>&#8212;  Não sei. Fiquei a manhã toda sem conexão, agora não posso responder, estou em cima da hora.</p>
<p>&#8212; O quê? Tô dizendo que não dá pra ligar o computador agora, que estou atrasadíssimo e o Tom está me olhando com a chave do carro na boca.</p>
<p>&#8212; Como? Se o meu filho não tem mãos? É isso que disse?</p>
<p>&#8212; Não minha Sra., o Tom não é meu filho, não tenho filhos, e vai ser um inferno chegar atrasado, aquele imbecil que me espera não tolera atraso.</p>
<p>&#8212; Precisa saber se está funcionando, né, é seu trabalho eu sei, então vamos fazer uma coisa, escreve aí que eu não pude ver isso porque meu cão roubou a chave do carro e está esperando eu desligar o telefone pra correr atrás dele!</p>
<p>&#8212; Sim, o Tom é meu cão, isso mesmo, é esse FdP que peguei na rua outro dia quase morrendo e que agora toma conta de tudo&#8230;</p>
<p>&#8212; Não, minha Sra. Ele não é um cão de guarda, é um bem pequeno, parece o garrincha, pernas tortas, dribla, tem pé virado de lado, só quatro dedos em cada pata, amarelo escuro, da pá virada&#8230; Um segundo, Sra!</p>
<p>Largo o telefone e aproveito que ele está perto do fogão, corro e fecho a porta da cozinha.</p>
<p>&#8212; Dá essa chave, Tom!</p>
<p>Ele circula ao redor da mesa me fazendo de palhaço. Cerco ele com as cadeiras, mas o monstrinho vai pra sala. Depois de uns dez minutos de correria ele entra no lavabo.</p>
<p>&#8212; Agora se fodeu, hein Tom!</p>
<p>Fecho a porta, lavabo minúsculo..  ele larga a chave no chão e me olha com aquela carinha de coitadinho. Devia dar uma surra no FdP, mas lembrei do telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Alô, desculpe, não&#8230; ainda não sei se o speed está funcionando. O que fui fazer esse tempão? Minha chave, a chave do carro&#8230; consegui pegá-la, lavabo é uma armadilha!  Não, claro que não. Não estou pensando que a Sra. é uma palhaça.</p>
<p>Desligou na minha cara! Se tem algo que detesto é isso, só deus sabe quanto. Pus no gancho, abri a porta da cozinha pro Tom sair&#8230; outra vez o telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Olha aqui minha Sra. vai a PQP! Anh&#8230;!?  É, sou eu mesmo! Desculpe&#8230; sei que marquei com o Sr., mas ainda não consegui sair, tô enrolado, primeiro o Tom roubou a chave do carro, depois foi a moça do speed&#8230;  O quê? Não, absolutamente&#8230; Claro que o Sr não é um palhaço, é que&#8230;</p>
<p>Outro telefone desligado na minha cara!</p>
<p>O  sol invade a cozinha&#8230; dia lindo,o Tom na janela me convida pra vida. Pausa.</p>
<p>Pra não me arrepender minutos depois peguei uma tesoura e cortei o fio do telefone.</p>
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		<title>Uma simples Crônica, nada a ver com Arquitetura</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 20:12:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[criação]]></category>
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		<description><![CDATA[O dicionário diz que crônica se trata de uma narrativa de fatos seguindo a ordem cronológica do tempo. Eu diria que é simplesmente uma história que não se pode perder, contada do jeito de quem conta a partir de um fato real, como esta: Uma amiga passou numa loja de produtos de limpeza, dessas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dicionário diz que crônica se trata de uma narrativa de fatos seguindo a ordem cronológica do tempo. Eu diria que é simplesmente uma história que não se pode perder, contada do jeito de quem conta a partir de um fato real, como esta:</p>
<p>Uma amiga passou numa loja de produtos de limpeza, dessas de periferia, que vendem tudo sem marca em embalagens  pet de litro, e perguntou à prestativa atendente se ela não trocaria garrafas vazias por produtos do seu interesse. A expert  vendedora, disse: &#8220;Claro, nós precisamos muito de embalagens, trás aqui que fazemos negócio!&#8221;</p>
<p>Não deu outra, minha amiga voltou pra casa e recolheu tudo que tinha de garrafas vazias de coca-cola e outros refrigerantes. Tinha na garagem, num quartinho, num depósito&#8230;  Passou mais de hora catando e levando pro tanque. Dia seguinte ficou a tarde inteira lavando-as com detergente, chacoalhando, enxaguando três vezes com água limpa . As mais sujas teve que usar sabão em pó, Veja etc. Ficou morta, mas o que importa é que ficaram reluzentes.</p>
<p>Dia seguinte chamou a filha adolescente pra ajudar a pôr as ditas nuns sacos de lixo. Um, dois, três sacos&#8230; encheu o porta-malas do carro. Depois encheu o banco traseiro também. Manobrando o carro, sem ver nada pelo retrovisor, bateu no banco de madeira que tinha no pátio. Puta susto, desceu &#8230;&#8221;Ah, bobagem, não foi nada, só a lanterna. O banco quebrou no meio, mas também pra que servia se ninguém sentava nele?&#8221;.</p>
<p>Apesar dos pesares tava feliz da vida fazendo algo ecológico, dando uma utilidade pras garrafas recicláveis que nunca reciclam.</p>
<p>Na lojinha: &#8220;Oi, lembra de mim? Estive aqui anteontem, trouxe as garrafas de pet, você não quer contar?&#8221; A balconista &#8220;claro, trás aqui que não posso sair da loja&#8221;. O carro, estva estacionado a uma quadra, e lá foi ela trazendo de &#8220;dois em dois&#8221; os enormes sacos pretos, enquanto a mocinha contava: &#8220;102, 103, 104&#8230; Nossa, quantas! E tão superlimpinhas&#8230;&#8221;</p>
<p>No final, 152 garrafas de pet. Minha amiga transpirava exaurida.</p>
<p>&#8220;O que você vai levar?&#8221; Perguntou a vendedora a minha amiga, que apontou pra prateleira: &#8220;Tenho cachorros, pensei nesse desinfetante, é bom?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ninguém reclamou até hoje, só vai querer isso?&#8221; Falou a mocinha.</p>
<p>Minha amiga: &#8220;Também pensei&#8230; mas pera aí, quanto vai dar pelas minhas garrafas?&#8221;</p>
<p>A balconista, com a máquina de calcular na mão: &#8220;152 x.. Dá 4 Reais e dez centavos, o desinfetante é só 3 Reais, ainda sobra 1 Real e dez centavos, que mais vai levar?&#8221;</p>
<p>Chegando em casa, a filha perguntou: &#8220;Oi mãe! Nossa, que cara! Que aconteceu?&#8221;</p>
<p>Ela trouxe o desinfetante, um sabonete de enxofre e duas moedinhas de 5 centavos. Quebrou a lanterna do carro, o banco que ninguém sentava, gastou dois litros de gasolina, 1/2 pacote de sabão em pó, 1 litro de Veja, e uns 500 litros de água. E  disse pra filha: &#8220;O Meio-Ambiente que se foda!&#8221;</p>
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		<title>O grande pequeno mundo</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 12:02:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[são João]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa festa junina, ao lado de uma fogueira, um menino pediu ao Santo João, um desses pedidos que não se faz a qualquer um, mas isso faz muito tempo, lá numa ruazinha de bairro que nem deve existir mais, e não sou nem o menino crescido, nem o João; tampouco sei qual foi o seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa festa junina, ao lado de uma fogueira, um menino pediu ao <a title="Santo João" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Baptista" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Jo_C3_A3o_Baptista?referer=');">Santo João</a>, um desses pedidos que não se faz a qualquer um, mas isso faz muito tempo, lá numa ruazinha de bairro que nem deve existir mais, e não sou nem o menino crescido, nem o João; tampouco sei qual foi o seu desejo, mas estava ao seu lado quando queimei a mão segurando uma brasa.</p>
<p>Anos depois tentei lembrar o meu pedido, mas se pedi algo nunca lembrei, sempre veio à cabeça o desastre de automóvel que consternou a minha rua, depois o destino daquele órfão indo lá pros confins de Tucuman.</p>
<p>Mudei de bairro, de cidade, de país. Os ponteiros do relógio deram milhares de voltas até meu olhar bater num rosto sombrio, de espessa e longa barba esbranquiçada, do outro lado do mundo. À  porta de uma igreja ortodoxa em Zagorvsky, o menino da minha infância parecia com essas imagens de cera ou de louça.</p>
<p>Seria possível, meu pai? Como ele se chamava mesmo? <em>“Ei&#8230;ei, cê não era lá da Rua do Oratório?” </em></p>
<p>O padre virou-se rápido e me olhou como quem olha a nada. Nem insisti, pavor tamanho no fio da memória, seus olhos cinzas e opacos eram muito diferentes daqueles que um dia conheci, e um calafrio percorreu minhas artérias. Na retina, as imagens de uma mão queimada, de crianças que riam em volta de uma grande fogueira, e a estranha sensação de que o grande mundo é só uma pequena aldeia.</p>
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		<title>O que é o Pós-Moderno?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 05:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[pós-moderno]]></category>

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		<description><![CDATA[Há muitas discussões e discordâncias entre os teóricos sobre a pós-modernidade. O sufixo pós significa depois, após, e em si daria um fim ao movimento modernista, que nasceu no início do século passado, e que  rompeu com a arte individual, captando os &#8220;ares&#8221; da industrialização e tecnologias crescentes. Há arquitetos modernistas que  recusam quaisquer movimentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muitas discussões e discordâncias entre os teóricos sobre a <a title="O que é Pós-modernidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/P_C3_B3s-modernidade?referer=');">pós-modernidade</a>. O sufixo pós significa depois, após, e em si daria um fim ao movimento modernista, que nasceu no início do século passado, e que  rompeu com a arte individual, captando os &#8220;ares&#8221; da industrialização e tecnologias crescentes.<br />
Há <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquitetos</a> modernistas que  recusam quaisquer movimentos que surgiram ao longo dos anos, como se nada de novo ou importante aconteceu. É evidente  que nenhum movimento tem ou teve a  força daquele, que apagou o passado. Nem por isso pode-se desprezar a existência de novas idéias.</p>
<p>O que se chama de pós-moderno é a miscelânia eclética  que já tem lá seus 40 anos, e que vê sua inspiração na história e  na humanização não coletiva ao quebrar os preceitos de massa do movimento modernista,  democratizando as possibilidades,  e trazendo o indivíduo com suas desigualdades naturais de volta ao mundo. Esse estilo sem estilo não segue regras pré-estabelecidas por nenhuma teoria que pretendeu determinar um caminho formal para o coletivo.</p>
<p>O pós-moderno recusa a industrialização robotizada, que nem barateia como se pretende, nem ajuda o planeta em nada, muito ao contrário. Não sou um teórico das artes, nem estudioso de sociologia, nem sei porque dão nomes a tudo, apenas herdei um gene anárquico que não suporta ver um indivíduo, como se fosse um enviado de deus, escolher o que é melhor a milhares. E acho deprimente  olhar as cidades e ver seus   cubos de vidro super-originais, iguaizinhos à maioria.</p>
<p>O pós-moderno nas suas muitas e diferentes tendências espanta, encanta, navega no futuro, no avesso; em algumas obras redescobriu a oficina, a janela que abre, a alegria, a cor.</p>
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