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	<title>Paulo Vilela &#187; anacrônico</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>A FESTA</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 19:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É raro, mas me convidaram para uma festa de inauguração da vida nova do casal, vida nova quer dizer ‘casa nova’. Casa que projetei e construí ao longo de 15 meses. Era uma sexta feira do fim de agosto estranhamente abafada (agosto não é um bom mês para se fazer nada, que dirá festas, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É raro, mas me convidaram para uma festa de inauguração da vida nova do casal, vida nova quer dizer ‘casa nova’. Casa que projetei e construí ao longo de 15 meses.</p>
<p>Era uma sexta feira do fim de agosto estranhamente abafada (agosto não é um bom mês para se fazer nada, que dirá festas, mas nada tenho a ver com isso), a Previsão dizia tempo estável, mas sinto no corpo como um barômetro quando a pressão atmosférica aumenta, prenúncio de chuva, e confio mais no meu mal-estar que no noticiário. Enfim, tomei banho, cortei as unhas, me vesti e fui. Fui como quem vai a um lugar desconhecido apesar de ter estado lá tanto tempo, sensação essa talvez como disse pela estranheza do convite ou pelas pessoas que não conhecia.</p>
<p>Dez horas da noite, lua redonda, jardim de sombras, manobrista na porta, parecia cena de filme noir. Casa cheia, mas exceto os proprietários não conhecia ninguém. Logo, extremamente gentis, me apresentaram a várias pessoas. Espalhados pelo jardim, ao redor da piscina, todos eram falantes e pareciam felizes com seus copos cheios ao som de um blues moderno.</p>
<p>Eu continuava perdido, e a noite de sonhos também não durou muito. Do nada uma nuvem negra cobriu a lua, e mesinhas, cadeiras, copos, tudo voava com a ventania. Todos correram para dentro, em instantes água caiu de baldes e a luz se foi.</p>
<p>Situação inusitada que só não foi pior porque a casa tinha luzes de emergência e alguma coisa se enxergava no breu, mas foi um corre-corre daqueles, ninguém está preparado para uma situação dessas. Sem música, enquanto se esperava pela volta da energia elétrica, o vozerio era só um grande ruído e por um instante tive a mesma impressão de estar num outro país que não se conhece a língua.</p>
<p>A chuva parou tão de repente quanto começou, mas nada de voltar a energia elétrica. Uma hora, duas horas&#8230; Os donos da casa sem graça, os convidados idem, ninguém ia embora. Os garçons arrumaram as mesinhas em volta da piscina, e ao prateado do luar voltaram a servir. Nunca vi ninguém olhar com tanta estanheza para o céu, estavam todos visivelmente incomodados, e penso que por solidariedade permaneciam na festa sem graça à espera da luz elétrica, mas festa sem música e sem luz não dá mesmo.</p>
<p>Meia noite, assim do nada tal como a chuva, na borda clara da piscina apareceu uma mancha negra. Começou um zum-zum-zum, ninguém estava entendendo o que era aquilo, que indefinida mal se via e crescia sem parar, e rapidamente tomou todo o jardim empurrando as pessoas para o escuro da sala. E a mancha não parava de crescer, e se movia para dentro da casa. Alguém se abaixou com o isqueiro aceso e aos berros gritou que eram formigas. Milhões, bilhões, sei lá, ao menos era algo conhecido.</p>
<p>Foi o pandemônio, mulheres com salto agulha subindo nas cadeiras, gente  gritando e correndo para a porta. Eram Formicas-correição, essas ciganas nômades e carnívoras que fazem o papel das dedetizadoras matando quaisquer insetos que encontram. Debandada geral, ninguém se despediu de ninguém. Até o manobrista sumiu. No escuro, mais confusão ainda na hora de pegar as chaves dos carros, ninguém achava a sua. Desespero, o que parecia um filme ‘noir’ virou de terror. Que noite aziaga, meu pai! Começo de vida nova? Deu dó!</p>
<p>Saí ileso, não choveu dentro da casa, o banheiro funcionou e ninguém culpou o arquiteto pela falta de luz ou pelo ataque das formigas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Messieurs, avez un bon voyage</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 07:45:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De tédio aqui ninguém morre. Não há similar no mundo, é pura emoção e adrenalina.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se é a prefeitura de SP ou o DSV quem sinaliza as vias, mas seja quem for deveria usar mais um pouquinho do erário público e premiar seus funcionários com umas longas e merecidas férias pro Iraque ou pro Haiti.</p>
<p>Fretem dois ou três aviões, nem sai muito caro, eles merecem, e nós também. Afinal, a cada giro pela cidade de SP somos premiados por  uma vida não virtual cheia de surpresas.</p>
<p>Pensando melhor acho que um navio seria mais adequado, assim iriam juntos também os engenheiros que transformaram a marginal do Tietê num parque de diversões criativo e interessantíssimo, isso quando não chove; no verão também temos um parque aquático.</p>
<p>De tédio aqui ninguém morre, são mil entradas e saídas, subidas e descidas; com guard-rails, pistas paralelas em desnível que dão no mesmo lugar, demais! À noite então parece que estamos num vídeogame. Não há similar no mundo, é pura emoção e adrenalina.</p>
<p>Gente que não se satisfaz com nada, que tem medo ou gosta de rotina que fique em casa. Botou o pé na rua, quero dizer saiu de carro, é uma viagem à imprevisibilidade para testar nervos, coração e habilidades extra-sensoriais.</p>
<p>Dinheiro não falta, o prefeito e seus asseclas também podiam acompanhá-los, todos merecem umas férias. Ninguém é de ferro, a cidade é um organismo habituado às doenças crônicas, tem suas defesas e suportará suas ausências.</p>
<p>Um transatlântico daqueles cheio de janelinhas acho que se acomodam bem todos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A COISA</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 03:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados. Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados.</p>
<p>Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha e fiquei tocaiado num galho da figueira à espera deles, que tampouco apareceram.</p>
<p>Não sei quem deu esse estranho nome a esses animais, nem de onde eles vêm ou aonde dormem, se é que dormem. Ninguém os conhece de verdade, mas é voz corrente que só eles podem digerir a rádia, essa coisa amarga e cheia de espinhos utilizada na fabricação do remédio pra combater a doença de chília.</p>
<p>Tive um parente com essa doença, vi seu sofrimento, e mais tarde sua cura total com o remédio feito da rádia. Fiquei curioso e pesquisei sobre essa estranha planta. Li tudo que encontrei sobre o assunto e também descobri que só uma única região do país é que se a cultiva, e que como as plantações de cravos ela necessita de muita água e cuidados especiais.</p>
<p>Pra quem não conhece, a rádia lembra um cactus de tom amarelado, que quando amadurece desabrocha uma única flor branca, de pétalas triangulares no topo do caule. Mas só tem valor comercial seu fuste, os brotos têm que ser erradicados no momento que nascem, motivo dos cuidados diários. A produção média semestral por família não passa dos 100kg de rádia seca, mas poderia ser quase o dobro sem os ataques dos drumus e antuás.</p>
<p>Recordo de alguém ter me dito <span style="text-decoration: underline">“Se não tem no Google, é porque não existe&#8230;”</span> Pois não tem no Google nem drumus, nem antuás, e ninguém que é vivo os conhece. Não caem nas armadilhas, e não há espantalho, agrotóxico, cão ou arapuca que os impeça de levar as rádias, que simplesmente desaparecem. Metade da produção fica com eles e isso ninguém aceita nem se conforma.</p>
<p>Por alguma espécie de fascínio por essa planta (obviamente não ouvira falar desses animais), numas férias resolvi visitar o local. E acabei adquirindo de imediato a propriedade de um ancião que mudou-se para a cidade depois da morte da esposa.</p>
<p>E se larguei tudo com extrema facilidade, não foi por saudades da roça, que nunca encabei uma enxada nem fui agricultor. Há coisas que não se explicam, mas igual a qualquer outro daqui também não me conformei com esses roubos, que já me fazia pensar em coisas que nunca imaginei.</p>
<p>No dia que cheguei de mudança já fui convidado pelos vizinhos para as reuniões de sexta à noite aonde eles discutiam esse problema há anos. Na casa de um dos moradores, uma espécie de bar,  entre umas cervejas e outras, &#8220;causos&#8221; e risadas, vão surgindo as idéias.</p>
<p>Era minha primeira aparição e cogitei se não eram aves noturnas, já que pelo chão não deixavam pegadas ou rastros, mas todos caíram na risada. Não entendi o porquê, também não me importei e logo percebi que idéias pra combatê-los nunca faltaram e já se tentara toda espécie de armadilhas &#8212;  buracos disfarçados com folhas, redes, arapucas com grades&#8230;</p>
<p>Certa vez, um dos moradores, engenheiro cheio de nove horas, criou uma câmara fotográfica acionada pelo latido dos cães e montou a tramóia no meio da sua plantação. Dia seguinte quando viu as fotos&#8230;  nada de drumus ou antuás, só seus cães e o vazio aberto no meio da plantação das rádias que faltavam.</p>
<p>Com o passar do tempo fui conhecendo melhor cada um deles. Alguns achavam que era perder tempo qualquer tentativa de detê-los, que por algum motivo devia ser coisa da providência divina, afinal todos tinham saúde e eram felizes. Sem largar dos copos ouvi de um grupo que tudo indicava ser coisa de alienígenas.</p>
<p>Como morador novo não entendia direito essa história, mas tinha comigo que isso não era coisa de quadrúpede, E.T. ou alma penada. Ninguém, nem gente, nem cão, foi ferido ou abduzido, e as rádias sempre foram arrancadas pela raiz, sem marcas de dentes ou algo similar.</p>
<p>E fui analisando minuciosamente o que ouvia nas reuniões, que entre outras coisas, uma ao menos parecia certa: só atacavam durante a madrugada e nunca durante as chuvas. Cartesianamente logo concluí que fosse quem fosse não  gostava de se molhar, e sem comentar nada, como água não faltava ali, montei um sistema que puxava água do rio criando uma chuva fina todas as noites na minha plantação.</p>
<p>Deu supercerto. Os cães não latiam mais, eu dormia a noite toda e ninguém roubava mais nada. Guardei segredo por dois meses, pois nunca gostei de acusar ninguém sem provas, isso é calúnia, mas já vinha fazendo anotações sobre a produção de todos e me chamou a atenção a do velho solitário que produzia mais que qualquer um, bebia mais que qualquer outro, detestava tomar banho e tinha um estranho poder sobre os cachorros.</p>
<p>Era óbvio, tava na cara, e me senti o próprio Sherlock Holmes! Mas quando pensei em anunciar a descoberta, minhas rádias começaram a se curvar. Tarde demais, paradoxalmente elas que necessitavam tanto de água nas raízes não suportaram as chuvas que inventei. Matei-as pelo excesso! Graças à minha esperteza perdi toda a plantação, e pra não passar por ridículo pus a culpa em algum nematóide que se instalou invisível nas raízes. Na hora lembrei  do meu pai, que dizia que nem tudo que parece é. Envergonhado não fui à reunião daquela noite e em nenhuma mais.</p>
<p>Assim&#8230; desisti. E aquele lugar voltou a ser só deles, que tinham nas sextas-feiras o motivo das suas vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Arquitetura é coisa de arquiteto&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 01:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E no mundo atual só há três tipos de arquitetos, aliás quatro. &#8211; Os que fazem os megaprojetos cheios de tecnologia, que enchem as mídias e encantam o mundo moderno, quase sempre financiados pelo dinheiro público ou de algum esdrúxulo magnata;. &#8211; Os que, funcionários de grandes escritórios ou autônomos, projetam edifícios comportados para incorporadoras, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E no mundo atual só há três tipos de arquitetos, aliás quatro.</p>
<p>&#8211; Os que fazem os megaprojetos cheios de tecnologia, que enchem as mídias e encantam o mundo moderno, quase sempre financiados pelo dinheiro público ou de algum esdrúxulo magnata;.</p>
<p>&#8211; Os que, funcionários de grandes escritórios ou autônomos, projetam edifícios comportados para incorporadoras, e vez por outra enfiam umas firulas e brilhos, que os tornam super originais, iguaizinhos à maioria;</p>
<p>&#8211; Aqueles que se esforçam pra serem percebidos nos seus arrojados projetos, mas limitados pela timidez dos investimentos fazem pequenas obras comerciais ou residenciais e não raras vezes ficam nos sonhos dos rascunhos ou maquetes;</p>
<p>&#8211;  Por fim, habilidosos ou não, criativos ou não, talentosos ou não&#8230; o resto, a grande maioria da multidão que escolheu como profissão a arquitetura, ou é empregado público e passa a vida pondo e tirando o paletó da cadeira, ou gasta a vida fazendo o que não deseja numa empresa; ou é autônomo e faz o que aparece, se aparece.</p>
<p>Claro que essa divisão não é exata, nem há nenhuma novidade nisso, com a medicina, p.ex. é mais ou menos a mesma coisa, onde os expoentes não saem da mídia e o resto é empregado dos Planos de Saúde ou servidor público, e por aí vai. Mas com arquitetura é diferente, é arte que envolve literalmente o ser humano, é desafio, e não creio que alguém que tenha escolhido esta profissão, cuja característica principal não é a repetição se sinta equilibrado fazendo nada, ainda que esse nada não seja verdadeira e exatamente o vazio.</p>
<p><span style="color: #888888"><span style="text-decoration: underline"><span style="color: #000000">Vai construir, comprou uma casa velha, um apartamento caindo aos pedaços&#8230; consulte sempre um arquiteto! </span></span></span> Vi isso escrito em algum lugar que não era o para-choque de um caminhão, talvez no vidro traseiro de quem andava na minha frente, não importa, aviso inútil que não vai mudar nenhum destino.</p>
<p><em>“Pra que gastar uma grana se eu posso fazer sozinho?”</em></p>
<p><em>“Ops, eu tenho um amigo que é engenheiro e vem dar uma olhada&#8230;&#8221;<br />
</em></p>
<p><em>“Minha prima já mexeu com obra, ela leva jeito&#8230;”</em></p>
<p><em>“Nem morto! Na última vez que usei um arquiteto quase saímos no tapa&#8230;”</em></p>
<p><em>“Jo soy un arquitecto nacido&#8230;”</em></p>
<p>Se os autônomos escapam disso, dão graças aos céus que têm <span style="text-decoration: underline">algo</span> pra fazer e poderão dar de comer aos cães ou filhos, caso os tenham, mesmo que esse <span style="text-decoration: underline">algo</span> seja um quase nada em arquitetura.</p>
<p>Isso são elocubrações, mas dia desses conversando com um cara que vendia tumbas&#8230; Ops, tumbas? Não, não é bem isso, vendia coordenadas de um novo cemitério. Falei que deixei uma ordem para ser cremado, que só precisava de uma urna, e temporária. Ele riu e disse que urna ele não vendia. Isso foi por telefone, nem vi a cara do sujeito, mas era um tipo simpático, falou que era corretor da morte, mas pra eu não confundir com “corretor de morte”, que ele era arquiteto e cansou de não fazer nada durante anos numa construtora e pensou que estava na hora de fazer alguma coisa útil.</p>
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		<title>SACRIFÍCIO</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 17:01:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Em  O SACRIFÍCIO do cineasta russo Andrei Tarkovski,  um professor de filosofia planta uma árvore morta na beira do mar com a ajuda do filho, enquanto conta ao menino que no norte do país um monge manda  seu discípulo todos os dias regar uma árvore seca, até que um dia ela aparece florida. Ele não diz [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em  O SACRIFÍCIO do cineasta russo <a title="Andrei" href="http://www.grupoestacao.com.br/arquivo/mat1999/festival/catalogo/tarkovsky.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.grupoestacao.com.br/arquivo/mat1999/festival/catalogo/tarkovsky.html?referer=');">Andrei Tarkovski</a>,  um professor de filosofia planta uma árvore morta na beira do mar com a ajuda do filho, enquanto conta ao menino que no norte do país um monge manda  seu discípulo todos os dias regar uma árvore seca, até que um dia ela aparece florida. Ele não diz que a árvore brotou, que surgiram folhas&#8230; simplesmente floriu! E segue falando ao atento menino “Tenho a impressão que se repetirmos um gesto, no mesmo horário, todos os dias, algo vai incomodar o universo&#8230;”</p>
<p>Quem pôde ver <a title="verdades e mentiras" href="http://blog.joaomattar.com/2010/01/07/verdades-e-mentiras-f-for-fake-orson-welles/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blog.joaomattar.com/2010/01/07/verdades-e-mentiras-f-for-fake-orson-welles/?referer=');">VERDADES E MENTIRAS</a> de Orson Wells fica incrédulo.  Há muitos caminhos possíveis para a vida, e não é preciso entender mais que uma formiga quando sente o cheiro do veneno que dizimará sua família, ou como funciona um motor à explosão, a fusão do átomo, a cabeça de um político de carreira, a ‘gravidade’ que mantém um homem em pé apesar da velocidade da superfície do planeta, tampouco é preciso decifrar enigmas, entender o Ulisses de Joyce ou escalar o Everest para sentir alegria e ter a sensação de felicidade. Sabedoria é só um termo inútil diante do Desconhecido.</p>
<p>Kurosawa questiona o que é a verdade em RASHMOON ao mostrar numa série de planos, que só existe a verdade de cada um, que não há verdade absoluta.</p>
<p>Haveria na natureza algo de tão certo e definitivo que possa desmentir isso? Não creio, mas independentemente de verdades ou mentiras, a sensação de felicidade na plenitude só é possível quando preenchemos o vazio com sacrifício, sem o quê, o que vem fácil, vai igual. Como em tudo, ingresso ao paraíso tem seu preço.</p>
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		<title>PERDAS E DANOS &#8211; filme</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Jan 2011 19:21:10 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[‘PERDAS E DANOS’ – o filme 1992 &#8211; Juliete Binoche, Jeremy Irons, direção de Louis Malle, baseado no livro de Josephine Hart. Se amor não é racional, paixão muito menos! Uns diriam ‘ainda bem’, outros ‘nem tanto’, mas quem nunca sentiu uma paixão não tem idéia do que seja esse se perder ou se achar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>‘<a href="http://www.cineplayers.com/comentario.php?id=15072" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.cineplayers.com/comentario.php?id=15072&amp;referer=');">PERDAS E DANOS’ – o filme</a><br />
1992 &#8211; Juliete Binoche, Jeremy Irons, direção de Louis Malle, baseado no livro de Josephine Hart.</p>
<p>Se amor não é racional, paixão muito menos! Uns diriam ‘ainda bem’, outros ‘nem tanto’, mas quem nunca sentiu uma paixão não tem idéia do que seja esse <em>se perder ou se achar</em>, essa interior viagem ao inaudito, química sem químico responsável, que transforma a sanidade em loucura ou vice-versa.<br />
Mas efêmera, paixão só tem dois finais: amor verdadeiro ou tragédia. Anna Barton (J.Binoche) é uma mulher delicada, de aparêcia cândida e triste, sempre de roupas pretas e comportadas, um quase paradoxo na sensualidade que esconde sob a pele. Seu noivo, um jornalista jovem que escreve sobre política num jornal londrino é filho do Ministro da Saúde (J.Irons).  O triângulo proibido, complicação que acompanha seu destino desde a relação incestuosa com o irmão quando adolescente, pode ser resumida na frase que diz ao Ministro ‘não casaria com ele se não pudesse estar com você’, que determina o grau de incompreensão que se tem sobre a alma humana.<br />
Vida morna é escolha, paixão não! ‘A Mulher do Lado’ do Truffauld, com o Depardieu e a Fanny Ardan, tem o mesmo pano de fundo – a química incontrolável da paixão, vinho único e inigualável servido pelos deuses ou demônios, quem saberia? Agora, se  alguma coisa se quer aprender sobre a alma humana mais do que carros que se espatifam de mentirinha, estes dois filmes valem à pena.</p>
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		<title>MERETÍSSIMAS FILHAS DE EVA</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 11:11:41 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[problema social]]></category>

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		<description><![CDATA[Então a juíza me perguntou se era culpado. &#8212; Claro que não, Meretíssima! &#8212; A acusação diz que vc é o único responsável pela gordura mórbida da funcionária registrada em seu nome. &#8212; Mas eu não tenho nada a ver com isso, Meretíssima! Quase não tenho fome, como a obrigaria comer? &#8212; Por que então [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então a juíza me perguntou se era culpado.</p>
<p>&#8212; Claro que não, Meretíssima!</p>
<p>&#8212; A acusação diz que vc é o único responsável pela gordura mórbida</p>
<p>da funcionária registrada em seu nome.</p>
<p>&#8212; Mas eu não tenho nada a ver com isso, Meretíssima! Quase não tenho fome, como a obrigaria comer?</p>
<p>&#8212; Por que então mantém sua geladeira cheia de doces se não os come? Não será a prova da culpa?</p>
<p>&#8212; Mas Dra&#8230;</p>
<p>&#8212; Meretíssima!!!</p>
<p>&#8212; Sim, Meretíssma, esses doce e bolos é ela mesmo quem os faz&#8230;</p>
<p>&#8212; Sem o seu pedido?</p>
<p>&#8212; Claro, Meretíssima, não fico ali ao lado dela, não a vejo fazendo, muito menos comendo, só noto que eles existem quando abro a geladeira, e que somem como mágica&#8230;</p>
<p>&#8212; Então acompanha o desaparecimento deles?</p>
<p>&#8212; Sim,  de certa maneira, sim, como disse.</p>
<p>&#8212; Mas se não se interessa por doces por que compra farinha, creme de leite, açúcar&#8230;?</p>
<p>&#8212; Não sou eu quem faz as compras, Sra. Dra. Juiza Meretíssima e o Esquimbau! É ela quem faz o supermercado!</p>
<p>&#8212; Culpado!!!  O réu desacatou a autoridade da Justiça. Dispensadas as testemunhas! O réu deve pagar a operação de estômago, os encargos públicos, os salários integrais, fundo de garantia, INSS, pelo tempo de recuperação da vítima.  Cumpra-se o veredicto!</p>
<p>&#8212; Mas Dra&#8230;</p>
<p>&#8212; Uma palavra mais e mando lhe prender!</p>
<p>Cadeia é pessimo!  Paguei a operação da atávica faminta, os encargos, salários etc. Ela ficou seis meses me ligando dizendo que estava mal, que não dava pra trabalhar, que comia e tinha vontade de vomitar.</p>
<p>Um dia ela voltou sorridente, mas logo ficou de mal-humor quando viu que em casa não tinha nada. Trabalhou uma semana e pediu as contas.</p>
<p>A próxima moça que arrumei fiz entrar pela porta da frente, mostrei-lhe os quartos, a sala&#8230; mas assim que entramos na cozinha, espantada, cara de fantasma, logo me perguntou: “O Sr. não tem geladeira?”</p>
<p>&#8211; Não, tem algum problema?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>NEGRA, NEGRA&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Dec 2010 03:28:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[poesias]]></category>

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		<description><![CDATA[Negra, negra, negra&#8230; Que sob a pálida tez alva a infâmia do absurdo tingiu. Albino corpo fora de forma como alma sem peso, sangra negro, negro, negro&#8230; Asas que não voam, de arame, ternura e éter mancham o que esbarram. Nem a neblina esconde, nem o breu a água lava, negra pálida como o sal! Esse piche se não é seu, não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Negra, negra, negra&#8230; </strong></p>
<p><strong>Que sob a pálida </strong><strong>tez alva</strong></p>
<p><strong>a infâmia do absurdo tingiu.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Albino corpo fora de forma</strong></p>
<p><strong>como alma sem peso,</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>sangra negro, negro, negro&#8230;</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Asas que não voam,</strong></p>
<p><strong>de arame, ternura e </strong><strong>éter</strong></p>
<p><strong> </strong><strong>mancham o que esbarram.</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Nem a neblina esconde,</strong></p>
<p><strong>nem o breu a água lava,</strong></p>
<p><strong>negra pálida como o sal!</strong></p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Esse piche se não é seu,</strong></p>
<p><strong>não é também dessa vida</strong></p>
<p><strong>essa tinta que não é tinta.</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O dia não chega nunca</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Dec 2010 17:27:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[tenacidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Chove, tateio o chão, pés molhados, roupa encharcada, Suor, lama&#8230; Tudo é água, limpa, suja. Agora sim &#8211; como em STALKER  - o mundo fora do mundo. Desafio a natureza &#8211; a minha. Tusso, escarro, ainda não dói muito, o cigarro molhado apaga, acendo outro, é pouco, é sempre pouco. Nenhuma estrela no céu, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chove, tateio o chão,</p>
<p>pés molhados, roupa encharcada,</p>
<p>Suor, lama&#8230; Tudo é água, limpa, suja.</p>
<p>Agora sim &#8211; como em STALKER  -</p>
<p>o mundo fora do mundo.</p>
<p>Desafio a natureza &#8211; a minha.</p>
<p>Tusso, escarro, ainda não dói muito,</p>
<p>o cigarro molhado apaga, <em> </em></p>
<p>acendo outro, é pouco, é sempre pouco.</p>
<p>Nenhuma estrela no céu,</p>
<p>a chuva não pára</p>
<p>nem vejo os pingos no breu,</p>
<p>só essa faca gelada,</p>
<p>a lâmina fluída que escorre pela gola</p>
<p>e desce pelas costas.</p>
<p>Calafrios, mas o bacilo de Coque não vem,</p>
<p>nunca veio, não pode vir.</p>
<p>Ainda assim sigo desafiando tudo até os limites,</p>
<p>enquanto a noite durar e meu pulmão resistir.</p>
<p>Que faz esse ancinho aqui?</p>
<p>A palma da mão esquerda sangra, que importa?</p>
<p>Também não vejo o sangue,</p>
<p>nem essa dor quente incomoda tanto.</p>
<p>Tiro os sapatos, a roupa,</p>
<p>a água escorre livre pelo corpo,</p>
<p>não parece tão fria.</p>
<p>Que horas serão?</p>
<p>Sanidade é a febre, delírio, morfina,</p>
<p>se meu corpo pudesse&#8230;</p>
<p>Maldita dor que veio do nada,</p>
<p>abraço que não abraça nem desenlaça.</p>
<p>Grito alto no escuro, preciso.</p>
<p>O eco das montanhas me devolve tudo,</p>
<p>nem meus gritos vão!</p>
<p>Acabaram os cigarros, volto pra casa,</p>
<p>visto uma roupa seca, pego o carro,</p>
<p>paro num posto mal iluminado.</p>
<p>Sob a marquise</p>
<p>uma criança encorujada com uma cartilha na mão.</p>
<p>&#8211; Que faz aqui a esta hora?</p>
<p>&#8211; Vim buscar minha mãe, todo dia eu venho,</p>
<p>faz um mês que ela não aparece.</p>
<p>Olho pra minha mão cortada&#8230;</p>
<p>Por que as pessoas desaparecem?</p>
<p>Fora do pavor, aonde está deus? E você?</p>
<p>A chuva pára, mas o dia não chega nunca.</p>
<p>Não posso dar a mim nem a ninguém</p>
<p>o prazer de morrer são.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sra. TELEFONICA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/sra-telefonica/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/sra-telefonica/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 00:42:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Sra Telefonica, Sei que trabalhas em domicílio, apesar de ter o próprio bordel, mas como não faz nada por amor, nem por miseridicórdia, e só trabalha por dinheiro&#8230; Nem gosto, e não sei se devo, mas outro nome não encontro pra chamá-la, que não seja mesmo o de puta sem vergonha, e falo assim porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&gt;  120 1152x900  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:&quot;&quot;; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:&quot;Times New Roman&quot;; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Sra Telefonica,<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Sei que trabalhas em domicílio, apesar de ter o próprio bordel, mas como não faz nada por amor, nem por miseridicórdia, e só trabalha por dinheiro&#8230;<span> </span>Nem gosto, e não sei se devo, mas outro nome não encontro pra chamá-la, que não seja mesmo o de puta sem vergonha, e falo assim porque certamente nessa profissão há as que têm caráter. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Vieste de longe já afrontando nossa língua, onde toda proparoxítona é acentuada, mas tu, cheia de “nove horas”, inventaste a exceção!<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Entraste na minha casa a meu pedido, mas como qualquer rameira que se preze cobras por tudo: cobras conta, cobras speed, cobras manutenção do teu corpo doente e em frangalhos, disfarçado por plásticas sofisticadas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Como dizem por aqui, és como barata que morde e assopra. Fazes publicidade com roupas caras e sofisticadas, quando de perto teus vestidos cheiram a naftalina. Prometes sonhos cheios de cores, mas na hora do vamos ver és um pesadelo em preto e branco! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">“Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, o cacete! Aquelas secretárias do teu bordel, escondidas por placas de chumbo, não passam de marionetes de um filme de terror! Nem Jó, se vivo fosse, as suportariam ou nos suportariam depois das inúteis e repetidas tentativas de reclamação, tal o estado que ficamos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">É Sra. Telefonica&#8230; a carne é mesmo fraca, pois do contrário não usaríamos teus serviços pela metade, pagando pelo dobro. Aliás, nem os teus, nem os do teu amante, esse tal de VIVO, que é idêntico à Sra. no que promete e não cumpre, este que no próprio nome já nem esconde que é esperto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Não vos parabenizo pela riqueza que acumulam vendendo gato por lebre! Tampouco posso desejar sorte nos negócios, e mesmo sabendo de vossas almas trânsfugas e sendo tolerante, não consigo ter um mínimo de miseridicórdia com vosso futuro. Ao contrário, sonho com um mundo em que a voz à distância seja possível, sem vós.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>A ÚLTIMA FOTOGRAFIA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/a-ultima-fotografia/</link>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 16:08:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[cão]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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		<description><![CDATA[Os anos fazem grandes estragos na epiderme e na memória. Tessalônica ou Meteora, que importa? Seria preciso a precisão dos limites pra se contar uma história? Fim de tarde, numa estrada como todas desde a Macedônia, de pedras que os ventos de outono amontoam há séculos, cercada por montanhas desvestidas, exceto por um punhado de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os anos fazem grandes estragos na epiderme e na memória. Tessalônica ou Meteora, que importa? Seria preciso a precisão dos limites pra se contar uma história?<strong><em> </em></strong></p>
<p>Fim de tarde, numa estrada como todas desde a Macedônia, de pedras que os ventos de outono amontoam há séculos, cercada por montanhas desvestidas, exceto por um punhado de retorcidas oliveiras, quando a vista já se acostumara à árdua e lacônica paisagem, do nada surge um rebanho &#8212; em fila, centenas de cabras com seus guizos e ruídos, guiadas por um estranho homem e seu cão que mal podia andar. Como o cão, o homem também era franzino, também era cinza. Usava um chapéu furta-cor de mil remendos, e talvez tivesse menos de setenta, talvez muito mais. E ainda que me parecesse menos semideuses e mais semimortos, era tudo de vivo que havia em quilômetros de solidão.</p>
<p>Parei o carro, desci, e por gestos pedi-lhe permissão para uma foto, quando sorriu um sorriso de sim e dentes imaginários. Que figura, meu pai! Pensei logo, de onde veio esse indivíduo? Pra onde se dirigia se ao fim da vista não havia nada além de desfiladeiros e montanhas? Também&#8230; que isso me importava? Ou o esbarrar no horizonte com um casebre mudaria algum destino?</p>
<p>Como quem faz pose, entre pedras e cabras, apoiou-se no cajado improvisado, pôs as pernas separadas e o exaurido cãozinho no colo. Bati apenas uma foto. Nem a luz medi. Anoitecia e algo me incomodava. Agradeci várias vezes com a cabeça e entrei no carro.</p>
<p>Ele e seu cãozinho permaneceram imóveis, como as pedras do fundo, como se o “clic” da máquina os tivesse congelados. Esperei um instante, me pus em pé e agradeci novamente. Ele me estendeu a mão pedindo alguma coisa. De imediato pensei em dinheiro, mas foi só enfiar a mão no bolso pra ele balançar negativamente a cabeça e desatar num falatório, num idioma pra mim incompreensível. Acabei entendendo que queria a foto, depois compreendi que também tinha um filho e nenhuma foto. E do cãozinho tampouco tinha alguma. Era  tudo o que queria, só o que queria, e eu não podia. Tentei explicar que dentro da câmara ainda não havia uma fotografia de verdade, mas como fazê-lo diante daquela fisionomia frustrada, inconformada, como se eu o estivesse enganando?</p>
<p>Quanto mais ouvia sua voz suplicante mais me sentia desgraçado. Tentei tudo, peguei até um pedaço papel e uma caneta e fiz por mímica que me escrevesse seu endereço, que lhe mandaria pelo correio&#8230; Mas aonde estava eu com a cabeça? Que direção podia me dar o pobre homem? Coordenadas daquela imensa solidão?  De qualquer forma ele não sabia escrever e eu era um ignorante.</p>
<p>Anoiteceu rápido, tudo ali me pareceu absurdo. Nada deu certo e fui embora me sentindo derrotado. Passei dias, meses, pensando em como mandar uma foto pras montanhas de Meteora ou Tessalônica e me lembrei da história dos Fawcett, que à procura do Eldorado desapareceram na floresta amazônica, e o caçula mandou espalhar sobre a selva milhares de panfletos com telefones e fotografias do primogênito e do pai.</p>
<p>Imagino que se alguma foto escapou dos macacos e chegou a um aborígine, de nada valeu: eles não tinham celular, nem falavam inglês. Dinheiro jogado fora, mal congênito da família Fawcett. No meu caso desisti logo da idéia por não ser membro do clã e porque cabras não prestam atenção ao que comem, mas nunca esqueci esse desencontro nem revelei esse filme. Foi a última foto que tirei na vida.</p>
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		<title>Uma tal Claudia</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/uma-tal-claudia/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 00:16:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[insólito]]></category>
		<category><![CDATA[universal]]></category>

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		<description><![CDATA[Nem tudo que se escreve é entendido por todos, algumas coisas talvez nenhum possa. Dia desses, madrugada fria, num desses lugares que não sabemos ao certo aonde fica, nem se fica, por isso digo acho que conversei com uma loira alta, inteligente, seletiva, que se disse chamar Claudia. Comecei perguntando se era tudo verdade. Nada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nem tudo que se escreve é entendido por todos, algumas coisas talvez nenhum possa.</p>
<p>Dia desses, madrugada fria, num desses lugares que não sabemos ao certo aonde fica, nem se fica, por isso digo acho que conversei com uma loira alta, inteligente, seletiva, que se disse chamar Claudia. Comecei perguntando se era tudo verdade. Nada respondeu. Pensei a princípio que escutasse mal e insisti várias vezes até que ironicamente ela acabou abrindo a boca e disse que eu tinha lido a bíblia inteira sem sua permissão.</p>
<p>Isso não era não era bem uma verdade, mal conheço a bíblia, mas surda ela também não era, nem muda, meio estapafúrdia talvez, quando falou que adornava sapatos. Entendi que adorava sapatos; desfeito o mal-entendido disse que adornava o próprio adorno, que era ela mesma, e citou um pensamento de Platão. Fiquei na mesma.</p>
<p>Aquele vagão só tinha gente louca, mas ela não era louca, nem eu. E como tal, não suportava a idéia de terminar o que nem começou, numa estação chamada  Céu &#8212; esse lugar aprazível, de cálidas temperaturas, som de harpas, aonde anjos desbotados voam só por voar.</p>
<p>Vá lá que ela tinha alguma razão, que essa paz sempiterna seja mesmo <a title="enfadonho" href="http://www.dicio.com.br/enfadonho/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.dicio.com.br/enfadonho/?referer=');"> enfadonha </a> pra nós que convivemos com o trânsito, guerras, esses tipos de vampiros de sangue RH-Nada, conhecidos como políticos, etc.</p>
<p>Há que se pensar bem nesse assunto antes de escolher a estação que vamos desembarcar. Sugeri que descesse no Purgatório, ao que prontamente recusou. Aí fui um estúpido e dou razão total a ela, não faz sentido pagar o dobro pra se ir aonde não se quer e ter o que não se deseja. Todos sabem que só restou uma opção: o Inferno, com seus vermelhos vibrantes, suas fogueiras&#8230;</p>
<p>Falei que isso doía, ela riu, disse que só doía pros outros. E completou que seu <em>gene</em> vinha do Nero (aquele imperador romano que vivia bêbado e gostava de pôr fogo em tudo). Bem, aí pensei, pensei, mas nem foi tanto, já estava desconfiado quando ela completou que era uma parente afastada do capeta.</p>
<p>Nessa hora ri pra valer, imaginei aquela loira alta ajeitando as brasas, e com um garfo gigante espetando os &#8220;pobres&#8221; &#8230; Devia era ser bem boazinha, ao que lendo meus pensamentos, instantaneamente respondeu “vai pensando&#8230;”  Ops!</p>
<p>Ao fundo&#8230;. os agudos do <a title="Ozzy" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ozzy_Osbourne" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Ozzy_Osbourne?referer=');"> Ozzy Osbourne </a>, e adoro fogueiras, mas daí ficar de conversa fiada com uma chegada do demônio, eu que nunca ouvi nenhum parente do divino&#8230; sei lá, mas nem um santo se passando pelo capeta, nem um capeta travestido de santo me pegam, até hoje só fui de ateu a agnóstico.</p>
<p>Queria ter feito uma última pergunta, a mesma que comecei, se era tudo verdade, a resposta não importava. Mas as luzes do trem se apagaram, só ouvi o último grito do Ozzy e ela sumiu.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Penso, logo pergunto!</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 02:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>

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		<description><![CDATA[O homem não é o único a embarcar em estranhos portos e viajar pelo inaudito entre um dormir e um acordar, mas certamente entre um acordar e um dormir é parte da sua sina um outro sonhar. É o único ser que não se aquieta sem perguntas. Animais não se perguntam nada, seguem o exemplo do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O homem não é o único a embarcar em estranhos portos e viajar pelo <a title="inaudito" href="http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=inaudito" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=inaudito&amp;referer=');">inaudito</a> entre um dormir e um acordar, mas certamente entre um acordar e um dormir é parte da sua sina um outro sonhar. É o único ser que não se aquieta sem perguntas.</p>
<p>Animais não se perguntam nada, seguem o exemplo do sol que não pede permissão pra entrar pelas janelas, ou da chuva que molha o quanto quer e o que bem entende. Árvores também não fazem perguntas. Nem as sementes dos desertos se perguntam, fingem-se de mortas por anos à espera de um pingo d`água para florescer.</p>
<p>Mas o homem quer respostas pra tudo que não compreende, por isso mesmo não compreende muito bem coisa alguma.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;Há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 00:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O cara esperava a namorada no carro há mais de uma hora. Ela demorava, não atendia o Cel., ocupada que estava na sua labuta. Já passava das dez da noite, a rua se esvaziava. Os guardas da empresa, ocupados numa discussão sobre futebol, nem perceberam quando dois indivíduos com jaquetas de plástico e armas na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cara esperava a namorada no carro há mais de uma hora. Ela demorava, não atendia o Cel., ocupada que estava na sua labuta. Já passava das dez da noite, a rua se esvaziava. Os guardas da empresa, ocupados numa discussão sobre futebol, nem perceberam quando dois indivíduos com jaquetas de plástico e armas na mão passaram por eles.</p>
<p>&#8212; Pula pro banco do lado, seu filho da puta. É um assalto! Põe o cinto, e as <em>mão</em> sobre o painel se não quiser levar um tiro agora.</p>
<p>O cara fez tudo direitinho. Um gatuno pegou a direção; o outro, no banco de trás, com a arma encostada na sua garganta, pediu a grana. O cara não tinha nenhum tostão, nem talão de cheque, e só cartão de crédito.</p>
<p>&#8212; Acho que cê quer mesmo morrer, né seu FdP? Cadê a grana?</p>
<p>Espalharam os documentos, pegaram seu casaco, sua camisa, o relógio, maço de cigarro, celular, mas era pouco. O carro a 150km/h saiu da marginal e pegou a Castelo Branco.</p>
<p>&#8212; E aí cara? Falou o gatuno de trás. &#8212; A gente trabalha com Caixa Eletrônico, tu não tem merda nenhuma, pra que cê vive hein, seu FdP?</p>
<p>O cara bem que tentou, mas não teve conversa, ele não tinha grana, não tinha dólar, nem uns míseros reais.</p>
<p>&#8212; Entra naquela quebrada&#8230; Gritou o de trás. &#8212; Vou mandar esse merda pro espaço, ele tá pedindo pra ver os <em>anjinho </em>de perto.</p>
<p>O motorista, calado, entrou numa ruazinha de terra, que nem bem era uma rua. O carro pulava que nem cabrito. Logo entrou numa outra, e mais uma, tudo escuro, uns casebres mal iluminados aqui e ali.</p>
<p>Vendo que a coisa tava preta, o cara falou com o motorista, o único que podia ouvir qualquer coisa:</p>
<p>&#8212; Se seu amigo aí não fosse tão nervoso, ia propor uma coisa&#8230;</p>
<p>&#8212; Uma coisa? Que coisa..? Disse o que dirigia.</p>
<p>&#8212; Vai ouvir esse cara? Eu vou dar um tec nesse merda agora! Aos berros, falou o desacorsoado do banco traseiro, e armou o gatilho.</p>
<p>&#8212; Cala essa boca, caralho, tô de saco cheio! Gritou o motorista, virando o corpo pra trás, soltando as mãos do volante.</p>
<p>O carro bateu num morrinho, a direção girou, a roda caiu numa valeta de esgoto, e parou. Ele saiu do carro, jogou as chaves longe, pegou o revólver do companheiro&#8230;</p>
<p>&#8212; Tá vendo só o que fez, devia era mandar você ver os <em>anjinho</em>, vamos se mandar, deixa esse otário com essa tranqueira&#8230; E vc aí , dá aqui os<em> sapato</em>!</p>
<p>Dali o carro não saía mesmo, ele recolheu os documentos espalhados e foi tentando no escuro achar o caminho até a Castelo. Era um mês de junho, fazia frio. Sem camisa, sapato, cigarro, devia ser mais de meia-noite, e ele fazendo sinal na estrada. Passou polícia, bombeiro, ambulância, taxi. Ninguém parou.</p>
<p>Pés esfolados, espirrando, primeiro tel. que encontrou não tinha bocal; o segundo não tinha o telefone. Até que num posto achou um que funcionava. O relógio do posto marcava 1:30hs. Ligou à cobrar pra namorada. Já se sentia em casa, de banho tomado, agasalhado.</p>
<p>RING-RING-RING &#8211; Esta é uma ligação a cobrar&#8230;</p>
<p>&#8212; Alô? Oi Marcia, sou eu!</p>
<p>&#8212; Eu quem? Foi embora e não me esperou, e ainda tem coragem de ligar a essa hora? Vai à merda seu descarado FdP !</p>
<p>CLACK &#8211; Té, té, té, té&#8230;.</p>
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		<title>Quando o Homem vira Formiga&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 04:58:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[criação]]></category>
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		<description><![CDATA[Penso haver uma ordem universal que é mais forte que todas as correntes do pensamento, crenças ou fé &#8211; o equilíbrio. Não falo de forças estáticas, mas de resultantes ativas em equilíbrio dinâmico: as &#8220;gravidades&#8221; que em combinação com a velocidade mantêm os corpos celestes nas suas órbitas; a compensação das águas na Terra; a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Penso haver uma ordem universal que é mais forte que todas as correntes do pensamento, crenças ou fé &#8211; o equilíbrio. Não falo de forças estáticas, mas de resultantes ativas em equilíbrio dinâmico: as &#8220;gravidades&#8221; que em combinação com a velocidade mantêm os corpos celestes nas suas órbitas; a compensação das águas na Terra; a pressão externa e interna no corpo humano; o sal e potássio no sangue, equilíbrios que quando rompidos são a catástrofe, a miséria, a doença.</p>
<p>Não há julgamento de valor nessa &#8220;justiça universal&#8221;. Fealdade e beleza, compreensão e desentendimento, bondade ou maldade, riqueza e pobreza, ignorância e sabedoria, são antagônicos estéticos e morais, peças só do quebra-cabeça humano.</p>
<p>Obviamente a Justiça dos homens, que tem base em valores morais, e sua manutenção &#8220;policial&#8221; que foi criada pra salvaguardar a ordem dos que têm algo à perder,  nada tem a ver com essa ordem universal do equilíbrio, cuja base desconhecemos totalmente, e onde tudo é  aleatório. Não há pobreza ou riqueza, bondade ou maldade no universo.</p>
<p>Parece absurdo imaginar que se existisse um &#8220;criador sensível nos moldes humanos&#8221;, este provocaria um terremoto no mais miserável país do ocidente. E foi curioso o <a title="TERREMOTO NO HAITI Cônsul haitiano afirma que _o africano em si tem maldição" href="http://www.youtube.com/watch?v=9UprgJGm-64&amp;feature=related" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=9UprgJGm-64_amp_feature=related&amp;referer=');">Cônsul do Haiti</a> em SP, que depois se arrependeu, culpar os negros africanos com suas crenças pela catástrofe, como se Vudu tivesse tanto poder.  Se o epicentro do terremoto fosse em Brasília muitos diriam que era castigo de deus por concentrar tanta corrupção (que em si não é uma blasfêmia ).</p>
<p>Vamos pensar que quando caminhamos, pisamos e matamos formigas sem perceber, e que esta semana um gigante saiu das entranhas da Terra e caminhando em Porto Príncipe sequer olhou aonde pisava.</p>
<p>Diante das grandes tragédias, fora das forças que controlamos, o homem é só uma formiguinha perdida e sem nome.</p>
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		<title>O &#8220;Pós-Moderno&#8221; na Economia do Agronegócio</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 19:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando se houve falar em pós-modernidade fora das artes é apenas uma maneira de dizer sobre o que é mais atual, nada a  ver com o movimento pós-moderno na arquitetura, p.ex., que rompeu com as regras do modernismo. Na maioria do discursos  da economia do agronegócio, ouvimos muito falar sobre  &#8220;valor agregado, ecologicamente correto, manuseio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se houve falar em pós-modernidade fora das artes é apenas uma maneira de dizer sobre o que é mais atual, nada a  ver com o movimento pós-moderno na arquitetura, p.ex., que rompeu com as regras do modernismo.</p>
<p>Na maioria do discursos  da economia do agronegócio, ouvimos muito falar sobre   &#8220;valor agregado, ecologicamente correto, manuseio sustentável etc&#8221;.  Palavras que defendem o &#8220;negócio&#8221; e o planeta, mas será mesmo que têm mais conteúdo que vazios? Então vejamos em números expressivos, nem tão precisos, nem tão imprecisos que nos desvie do caminho que pisamos:</p>
<p>Bois soltos no campo &#8211; 1 kg de carne advindo de uma criação bovina de um pasto natural  vale no mercado mundial menos que a água que o boi necessita na sua vida pra produzir este 1 kg de carne, logo não é absurdo pensar no oposto:  exportamos a água sem agregar o valor da carne! Mas se o fizéssemos certamente ninguém do Primeiro Mundo compraria essa carne pelo dobro do preço, porque todos que a produzem teriam que fazer o mesmo, e isso não é uma coisa simples, mais fácil é agregar a marca, a etiqueta,  num supérfluo qualquer.</p>
<p>Bois confinados &#8211; para 1 kg de carne de um boi confinado é necessário mais ou menos 20 kg de ração balanceada, que obviamente custa menos que o 1 kg da carne. No entanto, o valor protéico dessa ração é mais ou menos 10 vezes o valor protéico de 1kg de carne. Exceto pelo sabor, isso é mais ou menos como se enfiássemos numa máquina 10 kg de proteínas e tirássemos na outra ponta 1kg da mesma proteína, o que sob certo ângulo não parece muito inteligente, muito menos ecologicamente correto. Obviamente que quem produz essa ração não é quem determina no mercado mundial, na bolsa de Londres etc., o seu preço.</p>
<p>Balanço energético: da agricultura rudimentar à modernidade passaram-se séculos até os arados motorizados,  as máquinas agrícolas de plantio e colheita, os insumos e defensivos&#8230; No agro-negócio, essa &#8220;supermodernidade&#8221; é a maximização da produtividade com o controle genético das sementes, a química sofisticada dos desfolhantes seletivos, irrigação forçada etc., sem se importar com mais nada. Assim, não interessa quantas montanhas se desmancham na produção de adubos, quantas toneladas de combustível são gastas pra isso; depois pra levá-los a grandes distâncias, espalhar os defensivos por aviões etc., e muito menos quantas mudanças isso causa no resto, desde que esse custo seja menor que o produto final. Desta forma, sob o ponto de vista não monetário, essa máquina invertida faz a proeza de gastar  6 ou 7 calorias pra produzir uma.</p>
<p>Mas o mundo dito civilizado fica admirado em ver laranjas crescerem no deserto e compara os números dessas agriculturas hodiernas com as primitivas, no entanto a agricultura atrasada e primitiva,  reprovada nos números da produtividade, usa uma caloria pra produzir duas!</p>
<p>As justificativas&#8230;</p>
<p>Ouvimos dizer que a necessidade crescente de alimentos no mundo é que faz o homem inventar fórmulas milagrosas pra melhorar a produtividade. Se isso vem na frente ou atrás das verdadeiras razões depende do ponto de vista. Pra mim o que move a ciência e a tecnologia nesse sentido não são as bilhões de bocas mais ou menos necessitadas, muito menos as muitos necessitadas, mas a ganância ilimitada de poucos cérebros. Há bem pouco tempo um consenso de especialistas sobre a fome dizia que menos que 1 bilhão de US resolveria esse problema no mundo (fome mesmo), mas o &#8220;Primeiro Mundo&#8221; não tinha como dispor desse montante! Quer dizer, não tinha até tirar da cartola uns 4 bilhões de US pra salvar&#8230;. salvar o que mesmo? Ah.. sim, salvar a si próprios.</p>
<p>Assim é, talvez alguns empresários e políticos até acreditem mesmo que estão contribuindo pra salvar o planeta quando falam em &#8220;manejo sustentável de florestas, ecologicamente correto etc &#8220;. Pode ser, não somos mesmo todos iguais. Pode ser, eu já vi muito <a title="A Casa de um cão" href="http://www.paulovilela.com.br/a-casa-de-um-cao/">cão</a> atropelado e só tenho sono  quando escuto isso.</p>
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		<title>Arquitetura da Miséria</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 13:07:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo. Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria, uma das paragens mais horríveis do mundo. Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo.</p>
<p>Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria,  uma das paragens mais horríveis do mundo.</p>
<p>Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, e sem o <a title="O que é Sincretismo?" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo?referer=');">sincretismo</a> simplório que mistura tudo, a arquitetura da miséria tem lá suas semelhanças com a Costa Amalfitana. Como aquela, também não segue as normas fixadas pelos doutos que criam os parâmetros do urbanismo.  É anárquica em todos os sentidos, porque também não segue as regras formais da construção, nasce de uns riscos no chão, sobe rápido porque é simples, tudo perfeitamente de acordo com um único parâmetro &#8212; a necessidade e a  falta de recursos.</p>
<p>Ao contrário da arquitetura formal, onde o engenheiro e o <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquiteto</a>, além, claro, do proprietário, quebram a cabeça pra criarem um dormitório a mais, levando em conta os acessos, as leis etc., a arquitetura da miséria é extremamente dinâmica, e é modificada a cada rebento que nasce, quase uma “obra aberta”. Houvesse uma palavra que definisse esse estilo <em>sem estilo</em>, poderia ser a “arquitetura do puxadinho”.</p>
<p>Não dá certo escada por dentro, come o espaço da TV? Sem problemas&#8230; escada pra fora.  Chove quando sobe? Sem problemas&#8230; mais um “puxadinho”.</p>
<p>Mais original que as <a title="Obras Arquitetura Pós-Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> da realeza, esse conjunto cinza de blocos de cimento e telhas de fibro-cimento, sem acabamento, sem detalhes, que sobe e desce montanhas, é horrível no seu todo não por falta de criatividade,  falta cor!</p>
<p>Imagino se em vez de se colocar tapumes nas avenidas pra esconder os “puxadinhos”, como fez o Lacerda no Rio de Janeiro,  o Estado transferisse recursos inúteis, como por exemplo,  do Senado. Ou os bancos fizessem um esforcinho&#8230; Imagino todos os milhares de “puxadinhos” do país com paredes rebocadas e pintadas com a cor da vontade de cada um&#8230;  E teríamos uma estética anárquica, que fugiria da mesmice,  única no mundo dado as proporções. Cor é alegria, bem estar, transforma as pessoas, e isso não é uma gozação, muito menos uma piração, mas alguém vai dizer que é tampar o sol com a peneira, que o problema é muito mais em baixo num país que falta tudo, como se eu não soubesse.</p>
<p>Num Estado de parlamentares e governantes meia-bocas estamos muito longe de substituir os &#8220;puxadinhos&#8221;  por algo mais digno, não obstante há leis de incentivo à cultura, museus, estátuas em praças públicas. O que é esse esforço estético se não para o deleite da alma humana, enfeites que encantam ou enfeitiçam, que têm o poder de transformação? Então por que não colorir e dar vida aos &#8220;puxadinhos&#8221;?</p>
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