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	<title>Paulo Vilela &#187; anarquismo</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>Três apara pela primeira da matança!</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 01:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso? &#160; Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar de não achar que é. Isso é coisa de homem. Mulher e cão, sem chance!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O quê? Pára com isso. Falo do sexo masculino, não coisa de macho ou chauvinismo. Alíás, coisa de guri, não de guria, assim fica melhor. Mas que é encrencado, isso é: “Três apara pela primeira da matança” &#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não sei quem inventou, nunca me perguntei, mas repeti milhares de vezes, às vezes calmo, às vezes muito bravo e raivoso. Numas tantas matei o cara, em outras não tive habilidade ou sorte. Mas se em muitas vezes não matei na hora, matei depois. Na vida é assim, se nem sempre saímos vencedores, nem sempre também somos perdedores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tá entendendo, Tom? Tudo é jogo, ou de regras pré-estabelecidas ou do destino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Três apara pela primeira da matança” é o grito de quem tem caráter, a suprema justiça (nada a ver com Supremo Tribunal da Justiça) pra fazer valer o que é correto no exato momento que a desonestidade mostra a cara. E se ainda assim dito não resolve, aí o “Três apara pela primeira da matança” é cumprido à risca,  é o tudo ou nada pra quem tá com a corda no pescoço. Qualquer menino do tempo que computador pesava uma tonelada sabia isso de cor, e todos que tem um mínimo de memória e não brincavam com bonecas ainda devem saber. Como o Google não pode resolver, explico por partes:</p>
<p><strong><em>Três</em></strong><em> </em>é três mesmo.</p>
<p><strong><em>Apara,</em></strong> terceira pessoa do singular do verbo aparar (no sentido de obstruir algo que se move)</p>
<p><strong><em>Primeira</em></strong> todo mundo conhece o que é.</p>
<p><strong><em>Matança</em></strong> é algo horrível mesmo, nunca associado à morte natural e ainda intimamente ligada ao mal. Ave! Guris viajam mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É mesmo difícil entender essa junção estranha de palavras sem entender as regras de um jogo de bolinhas de gude (vidro).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não foi você que perguntou, Tom? Então preste atenção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Num dos muitos tipos de jogos de bolinhas de gude, chamado de <strong>“box”</strong>, cava-se com uma tampinha de lata, dessas de refrigerante,  4 semi-esferas na terra batida, distanciadas 4 palmos uma das outras, usando como medida a mão do menino que no momento tem a maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mão de gente, Tom! Não adianta olhar pras suas patas, não tem nada a ver!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O jogo consiste em ir embocando a bolinha nos 4 buraquinhos, ida e volta, duas vezes. Completado o percurso chega-se à matança, momento que a bolinha assassina mata as demais só encostando nas outras, o que se deduz que quem chega primeiro à matança tem mais chance de levar a dos outros pra casa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas não é fácil não chegar lá. Todos trabalham contra pra impedir. Cada vez que a bolinha se aproxima, mas não cai no buraquinho, fica ali à espera da próxima vez, mas se o próximo jogador emboca tem o direito de “estecá-la” (esta nem no Houassis tem, verbo <strong><em>estecar</em></strong>, que se conjuga, mas não existe), que quer dizer mais ou menos dar uma estilingada com a bolinha de vidro soltando de uma vez o polegar preso no indicador. Há <strong><em>“estecadas”</em></strong> maravilhosas, que o som do vidro é igual pedrada em vidraça, que faz a bolinha do oponente ir a 5 ou 6 m de distância, e a do <strong><em>“estecador”</em> </strong> só roda em si mesmasem sair do lugar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você quer entender tudo, Tom? Falei que era complicado&#8230; Cão tem que ser cão, catso!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao jogo&#8230; Cada um só tem direito a uma jogada por vez, exceto se embocar no buraquinho, momento que pode seguir ao próximo ou, se quiser antes de seguir pode afastar as bolinhas que estão por perto,<em><strong> &#8220;estecando-as&#8221;</strong></em>. Ora, imagine estar longe 5 ou 6 m dos buraquinhos quantas jogadas se atrasa em relação aos demais, e isso ninguém deseja, aí entra o “Três apara pela primeira da matança”, que tem que ser dito instantaneamente quando se emboca no buraquinho ou os outros jogadores poderão dizer <strong><em>“paradinha</em></strong>”, e interromper a “<strong><em>estecada” </em></strong>com os pés a poucos palmos de distância.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem,Tom, isso de &#8220;paradinha&#8221; é uma grande sacanagem. Disso você não entende mesmo, mas o mundo é construído de sacanagem, deixa pra lá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, se mesmo dizendo antes a frase estranha, o cidadão, que ainda não era, e nem sei se seria, usar o pé&#8230;  Aí dançou. Na matança o <strong><em>“estecador”</em></strong> tem direito a três jogadas seguidas pra matá-lo, e normalmente o mata, exceto se for muito ruim de pontaria o<span style="text-decoration: underline">u se defrontar com alguma regra nova, que nunca se ouviu, inventada na hora pelos que não admitem morrer, digo perder</span>. E isso era o que mais tinha&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compreendeu agora, Tom?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E tem gente que pensa que político aprendeu de grande.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A COISA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/a-coisa/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 03:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados. Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados.</p>
<p>Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha e fiquei tocaiado num galho da figueira à espera deles, que tampouco apareceram.</p>
<p>Não sei quem deu esse estranho nome a esses animais, nem de onde eles vêm ou aonde dormem, se é que dormem. Ninguém os conhece de verdade, mas é voz corrente que só eles podem digerir a rádia, essa coisa amarga e cheia de espinhos utilizada na fabricação do remédio pra combater a doença de chília.</p>
<p>Tive um parente com essa doença, vi seu sofrimento, e mais tarde sua cura total com o remédio feito da rádia. Fiquei curioso e pesquisei sobre essa estranha planta. Li tudo que encontrei sobre o assunto e também descobri que só uma única região do país é que se a cultiva, e que como as plantações de cravos ela necessita de muita água e cuidados especiais.</p>
<p>Pra quem não conhece, a rádia lembra um cactus de tom amarelado, que quando amadurece desabrocha uma única flor branca, de pétalas triangulares no topo do caule. Mas só tem valor comercial seu fuste, os brotos têm que ser erradicados no momento que nascem, motivo dos cuidados diários. A produção média semestral por família não passa dos 100kg de rádia seca, mas poderia ser quase o dobro sem os ataques dos drumus e antuás.</p>
<p>Recordo de alguém ter me dito <span style="text-decoration: underline">“Se não tem no Google, é porque não existe&#8230;”</span> Pois não tem no Google nem drumus, nem antuás, e ninguém que é vivo os conhece. Não caem nas armadilhas, e não há espantalho, agrotóxico, cão ou arapuca que os impeça de levar as rádias, que simplesmente desaparecem. Metade da produção fica com eles e isso ninguém aceita nem se conforma.</p>
<p>Por alguma espécie de fascínio por essa planta (obviamente não ouvira falar desses animais), numas férias resolvi visitar o local. E acabei adquirindo de imediato a propriedade de um ancião que mudou-se para a cidade depois da morte da esposa.</p>
<p>E se larguei tudo com extrema facilidade, não foi por saudades da roça, que nunca encabei uma enxada nem fui agricultor. Há coisas que não se explicam, mas igual a qualquer outro daqui também não me conformei com esses roubos, que já me fazia pensar em coisas que nunca imaginei.</p>
<p>No dia que cheguei de mudança já fui convidado pelos vizinhos para as reuniões de sexta à noite aonde eles discutiam esse problema há anos. Na casa de um dos moradores, uma espécie de bar,  entre umas cervejas e outras, &#8220;causos&#8221; e risadas, vão surgindo as idéias.</p>
<p>Era minha primeira aparição e cogitei se não eram aves noturnas, já que pelo chão não deixavam pegadas ou rastros, mas todos caíram na risada. Não entendi o porquê, também não me importei e logo percebi que idéias pra combatê-los nunca faltaram e já se tentara toda espécie de armadilhas &#8212;  buracos disfarçados com folhas, redes, arapucas com grades&#8230;</p>
<p>Certa vez, um dos moradores, engenheiro cheio de nove horas, criou uma câmara fotográfica acionada pelo latido dos cães e montou a tramóia no meio da sua plantação. Dia seguinte quando viu as fotos&#8230;  nada de drumus ou antuás, só seus cães e o vazio aberto no meio da plantação das rádias que faltavam.</p>
<p>Com o passar do tempo fui conhecendo melhor cada um deles. Alguns achavam que era perder tempo qualquer tentativa de detê-los, que por algum motivo devia ser coisa da providência divina, afinal todos tinham saúde e eram felizes. Sem largar dos copos ouvi de um grupo que tudo indicava ser coisa de alienígenas.</p>
<p>Como morador novo não entendia direito essa história, mas tinha comigo que isso não era coisa de quadrúpede, E.T. ou alma penada. Ninguém, nem gente, nem cão, foi ferido ou abduzido, e as rádias sempre foram arrancadas pela raiz, sem marcas de dentes ou algo similar.</p>
<p>E fui analisando minuciosamente o que ouvia nas reuniões, que entre outras coisas, uma ao menos parecia certa: só atacavam durante a madrugada e nunca durante as chuvas. Cartesianamente logo concluí que fosse quem fosse não  gostava de se molhar, e sem comentar nada, como água não faltava ali, montei um sistema que puxava água do rio criando uma chuva fina todas as noites na minha plantação.</p>
<p>Deu supercerto. Os cães não latiam mais, eu dormia a noite toda e ninguém roubava mais nada. Guardei segredo por dois meses, pois nunca gostei de acusar ninguém sem provas, isso é calúnia, mas já vinha fazendo anotações sobre a produção de todos e me chamou a atenção a do velho solitário que produzia mais que qualquer um, bebia mais que qualquer outro, detestava tomar banho e tinha um estranho poder sobre os cachorros.</p>
<p>Era óbvio, tava na cara, e me senti o próprio Sherlock Holmes! Mas quando pensei em anunciar a descoberta, minhas rádias começaram a se curvar. Tarde demais, paradoxalmente elas que necessitavam tanto de água nas raízes não suportaram as chuvas que inventei. Matei-as pelo excesso! Graças à minha esperteza perdi toda a plantação, e pra não passar por ridículo pus a culpa em algum nematóide que se instalou invisível nas raízes. Na hora lembrei  do meu pai, que dizia que nem tudo que parece é. Envergonhado não fui à reunião daquela noite e em nenhuma mais.</p>
<p>Assim&#8230; desisti. E aquele lugar voltou a ser só deles, que tinham nas sextas-feiras o motivo das suas vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Arquitetura pós-moderna do Inferno e do Céu, e outras idéias.</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 06:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[﻿Citados no Gênesis, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>﻿Citados no <a title="Gênesis" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/1/1" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bibliaonline.com.br/acf/1/1?referer=');">Gênesis</a>, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro trabalha por comparação, como um grande computador, e os <em>genes </em>registram imagens desde nossos ancestrais.</p>
<p>Jung falou sobre o inconsciente coletivo, cientistas buscam descobrir aonde e como estão registrados esses dados no <em>gene</em>, mas mesmo que não fôssemos tão longe, que eles não descubram com a exatidão que buscam, é seguro afirmar que inventamos imagens relacionadas com estes extremos da felicidade e do sofrimento desde que nos conhecemos por gente. Imagens que criamos a partir do nascimento,  pelos nossos sonhos e pesadelos, adicionadas pela dor, culpa, enfim pela moral judaica-cristã que respiramos.</p>
<p>A maioria tem o Céu no céu mesmo, algo limpo, azul, etéril, calmo, como não podia deixar de ser. E o Inferno sempre sujo, poluído, quente, nas entranhas da Terra. Na arquitetura de um músico, um virtuose clássico, não faltaria no ar do Paraíso um Beethoven, um Mozart, e no Inferno o toque especial de um pagode; já para um surdo-mudo, ao contrário, daria a eles o silêncio absoluto. Nem tenho idéia como seria a arquitetura do imaginário de um cego de nascença, mas sabendo diferenciar alegria de tristeza certamente teria a sua forma também.</p>
<p>Como qualquer um criei minhas imagens ao longo da infância, alteradas na adolescência, e na envelhecência (termo criado por Mario Prata). E comecei como a maioria também: Céu, lugar cálido; Inferno, algo que queima e dói. Aos poucos fui criando espaços diferentes. Salas de recepção em ambos lugares. No Céu, bancos de jardim entre plantas maravilhosas; no Inferno, prisões eletrônicas controladas à distância pelo demônio, e por aí fui.</p>
<p>Meu Céu não precisava mais de obras com tetos e passei a utilizar materiais leves, vidros, transparências&#8230; No Inferno, sempre à meia-luz, escavações em rochas comos os trogloditas da Anatólia, mal cheiro permanente&#8230;</p>
<p>Mas como eu, minha arquitetura nunca parou de mudar, e o conceito do pós-moderno substituiu minhas construções anteriores. Passei a usar mais a cor, curvas, e quebrei a indiferente e fria distância que me separava destas imagens.</p>
<p>Adiante, retirei o  supérfluo dessa arquitetura até o ponto de não precisar mais do que era matéria, quando passei a ver o Universo com outros olhos, onde Mal e Bem são só invenções humanas.</p>
<p>Mas como geômetra me senti compelido a ir mais longe, e sem sair de mim, como modernamente se faz uma fábrica dentro da outra, criei um novíssimo Inferno dentro do Paraíso. Assim ao abrir uma porta, quase instantaneamente passo de um lugar ao outro.</p>
<p>E nem foi preciso um corredor para imitar o Purgatório, só a repentina e inesperada alteração da temperatura ao abrir a porta (não importando pra qual lado vou), é suficiente pelo susto me trazer horríveis calafrios, esse pedágio gelado, pra em seguida tudo parecer estar em chamas. Penso ter feito jus a essa passagem, esse mal momento antes que se acostume com as mudanças.</p>
<p>Assim, Céu e Inferno ficaram uma coisa tão próxima, que por vezes durmo num lugar e acordo no outro. Às vezes me vem à cabeça  “O inferno somos nós mesmos..” Sartre, Entre Quatro Paredes. Ops, ia me esquecendo&#8230; Se minha arquitetura se alterou na forma, nos materiais, até chegar nessa invenção que é só uma espécie de ar que respiro, habitantes nunca pus nenhum, nem eles invadiram meus espaços sempre vagos. E exceto uma voz feminina que ouço me chamando, que me faz ir de um lugar ao outro, em nenhum tempo alguém apareceu por lá, nem mesmo Lúcifer, nem Deus &#8212; sempre foi assim, desde criança. A voz não, essa nem sempre a mesma, mas duas diferentes no mesmo tempo, nunca ouvi também.</p>
<p>Não que goste desses chamados, ao contrário, detesto-os. Mas, paradoxalmente, quando passo um longo tempo fora, ainda que esteja numa multidão, sinto que estou só em nenhum lugar do mundo.</p>
<p>Pela minha natureza, esse fel permanente do que é pacato e morno, segurança de quem vai antes da hora&#8230; ah não! Então, se alguém me pergunta o que prefiro, se o aqui ou o ali &#8212; não sou mazoquista pra dizer que prefiro a dor, mas no Inferno se fica mais atento à vida. Me concentro, aguço os sentidos&#8230; chamo a voz que preciso, e quando a ouço, só tem uma porta que me separa do Paraíso. No fundo, lá no fundo mesmo, antes estar entre esses dois mundos que em lugar algum.</p>
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		<title>Sra. TELEFONICA</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 00:42:23 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Sra Telefonica, Sei que trabalhas em domicílio, apesar de ter o próprio bordel, mas como não faz nada por amor, nem por miseridicórdia, e só trabalha por dinheiro&#8230; Nem gosto, e não sei se devo, mas outro nome não encontro pra chamá-la, que não seja mesmo o de puta sem vergonha, e falo assim porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&gt;  120 1152x900  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:&quot;&quot;; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:&quot;Times New Roman&quot;; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Sra Telefonica,<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Sei que trabalhas em domicílio, apesar de ter o próprio bordel, mas como não faz nada por amor, nem por miseridicórdia, e só trabalha por dinheiro&#8230;<span> </span>Nem gosto, e não sei se devo, mas outro nome não encontro pra chamá-la, que não seja mesmo o de puta sem vergonha, e falo assim porque certamente nessa profissão há as que têm caráter. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Vieste de longe já afrontando nossa língua, onde toda proparoxítona é acentuada, mas tu, cheia de “nove horas”, inventaste a exceção!<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Entraste na minha casa a meu pedido, mas como qualquer rameira que se preze cobras por tudo: cobras conta, cobras speed, cobras manutenção do teu corpo doente e em frangalhos, disfarçado por plásticas sofisticadas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Como dizem por aqui, és como barata que morde e assopra. Fazes publicidade com roupas caras e sofisticadas, quando de perto teus vestidos cheiram a naftalina. Prometes sonhos cheios de cores, mas na hora do vamos ver és um pesadelo em preto e branco! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">“Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, o cacete! Aquelas secretárias do teu bordel, escondidas por placas de chumbo, não passam de marionetes de um filme de terror! Nem Jó, se vivo fosse, as suportariam ou nos suportariam depois das inúteis e repetidas tentativas de reclamação, tal o estado que ficamos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">É Sra. Telefonica&#8230; a carne é mesmo fraca, pois do contrário não usaríamos teus serviços pela metade, pagando pelo dobro. Aliás, nem os teus, nem os do teu amante, esse tal de VIVO, que é idêntico à Sra. no que promete e não cumpre, este que no próprio nome já nem esconde que é esperto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Não vos parabenizo pela riqueza que acumulam vendendo gato por lebre! Tampouco posso desejar sorte nos negócios, e mesmo sabendo de vossas almas trânsfugas e sendo tolerante, não consigo ter um mínimo de miseridicórdia com vosso futuro. Ao contrário, sonho com um mundo em que a voz à distância seja possível, sem vós.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>PALHAÇOS</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 16:07:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes. &#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso! Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta. &#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes.</p>
<p>&#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso!</p>
<p>Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta.</p>
<p>&#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos trocar por uma bolacha!</p>
<p>Pego uma bolacha, ele fica na dúvida, se aproxima, quer a bolacha, mas a chave ele não solta. Por fim, depois de uns minutos, decide pela farinácea e deixa a chave cair, é a chave do carro. Me abaixo pra pegá-la, mas ele é mais rápido e abocanha a chave ainda com parte da bolacha na boca.</p>
<p>&#8212; Olha aqui, Tom, vamos parar com isso que não tem graça nenhuma.</p>
<p>Me abaixo e o chamo  carinhosamente&#8230; Ele vira de bunda e olha de soslaio da soleira da porta. Ameaço correr, ele dá uma arrancada de atleta, mas pára a uns cinco metros.</p>
<p>&#8212; PQP Tom, vc vai levar uma surra! Grito, bravo, já sem paciência, quando toca o telefone.</p>
<p>&#8212; Alô? Quem? Ah&#8230; sim, pois não (É a moça do speed que pergunta se a linha ficou boa).</p>
<p>&#8212;  Não sei. Fiquei a manhã toda sem conexão, agora não posso responder, estou em cima da hora.</p>
<p>&#8212; O quê? Tô dizendo que não dá pra ligar o computador agora, que estou atrasadíssimo e o Tom está me olhando com a chave do carro na boca.</p>
<p>&#8212; Como? Se o meu filho não tem mãos? É isso que disse?</p>
<p>&#8212; Não minha Sra., o Tom não é meu filho, não tenho filhos, e vai ser um inferno chegar atrasado, aquele imbecil que me espera não tolera atraso.</p>
<p>&#8212; Precisa saber se está funcionando, né, é seu trabalho eu sei, então vamos fazer uma coisa, escreve aí que eu não pude ver isso porque meu cão roubou a chave do carro e está esperando eu desligar o telefone pra correr atrás dele!</p>
<p>&#8212; Sim, o Tom é meu cão, isso mesmo, é esse FdP que peguei na rua outro dia quase morrendo e que agora toma conta de tudo&#8230;</p>
<p>&#8212; Não, minha Sra. Ele não é um cão de guarda, é um bem pequeno, parece o garrincha, pernas tortas, dribla, tem pé virado de lado, só quatro dedos em cada pata, amarelo escuro, da pá virada&#8230; Um segundo, Sra!</p>
<p>Largo o telefone e aproveito que ele está perto do fogão, corro e fecho a porta da cozinha.</p>
<p>&#8212; Dá essa chave, Tom!</p>
<p>Ele circula ao redor da mesa me fazendo de palhaço. Cerco ele com as cadeiras, mas o monstrinho vai pra sala. Depois de uns dez minutos de correria ele entra no lavabo.</p>
<p>&#8212; Agora se fodeu, hein Tom!</p>
<p>Fecho a porta, lavabo minúsculo..  ele larga a chave no chão e me olha com aquela carinha de coitadinho. Devia dar uma surra no FdP, mas lembrei do telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Alô, desculpe, não&#8230; ainda não sei se o speed está funcionando. O que fui fazer esse tempão? Minha chave, a chave do carro&#8230; consegui pegá-la, lavabo é uma armadilha!  Não, claro que não. Não estou pensando que a Sra. é uma palhaça.</p>
<p>Desligou na minha cara! Se tem algo que detesto é isso, só deus sabe quanto. Pus no gancho, abri a porta da cozinha pro Tom sair&#8230; outra vez o telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Olha aqui minha Sra. vai a PQP! Anh&#8230;!?  É, sou eu mesmo! Desculpe&#8230; sei que marquei com o Sr., mas ainda não consegui sair, tô enrolado, primeiro o Tom roubou a chave do carro, depois foi a moça do speed&#8230;  O quê? Não, absolutamente&#8230; Claro que o Sr não é um palhaço, é que&#8230;</p>
<p>Outro telefone desligado na minha cara!</p>
<p>O  sol invade a cozinha&#8230; dia lindo,o Tom na janela me convida pra vida. Pausa.</p>
<p>Pra não me arrepender minutos depois peguei uma tesoura e cortei o fio do telefone.</p>
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		<title>Penso, logo pergunto!</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 02:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
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		<category><![CDATA[criação]]></category>
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		<description><![CDATA[O homem não é o único a embarcar em estranhos portos e viajar pelo inaudito entre um dormir e um acordar, mas certamente entre um acordar e um dormir é parte da sua sina um outro sonhar. É o único ser que não se aquieta sem perguntas. Animais não se perguntam nada, seguem o exemplo do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O homem não é o único a embarcar em estranhos portos e viajar pelo <a title="inaudito" href="http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=inaudito" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=inaudito&amp;referer=');">inaudito</a> entre um dormir e um acordar, mas certamente entre um acordar e um dormir é parte da sua sina um outro sonhar. É o único ser que não se aquieta sem perguntas.</p>
<p>Animais não se perguntam nada, seguem o exemplo do sol que não pede permissão pra entrar pelas janelas, ou da chuva que molha o quanto quer e o que bem entende. Árvores também não fazem perguntas. Nem as sementes dos desertos se perguntam, fingem-se de mortas por anos à espera de um pingo d`água para florescer.</p>
<p>Mas o homem quer respostas pra tudo que não compreende, por isso mesmo não compreende muito bem coisa alguma.</p>
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		<title>Nós vivemos numa Democracia?</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 22:18:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O governo do povo, pelo povo, para o povo (Abraham Lincoln). Meu pai gostava tanto desse homem, que na cabeceira da cama em vez de um retrato de família ou de minha mãe, tinha um “bico de pena” do distinto. Então, obviamente, ouvi histórias e mais histórias desse senhor e da Mary Todd, sua mulher. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O governo do povo, pelo povo, para o povo <a title="Abraham Lincoln" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Abraham_Lincoln" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Abraham_Lincoln?referer=');">(Abraham Lincoln).</a> Meu pai gostava tanto desse homem, que na cabeceira da cama em vez de um retrato de família ou de minha mãe, tinha um “bico de pena” do distinto.</p>
<p>Então, obviamente, ouvi histórias e mais histórias desse senhor e da <a title="Mary Todd Lincoln" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Todd_Lincoln" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Todd_Lincoln?referer=');">Mary Todd</a>, sua mulher. Não sei aonde ele lia, se inventava, muitas delas nunca pude confirmar. O que importa é que ele falava sobre  democracia (palavra que veio do grego <strong><em>demos</em></strong>, que significa povo).</p>
<p>Este sistema político que é praticado pela maioria das nações, que tem o povo soberano sobre o poder legislativo e o executivo, que é mais ou menos o mesmo que dizer, que o povo é<strong> </strong>o “rei”, e o Estado o “súdito”, não o oposto.</p>
<p>Os princípios e as práticas que regem o sistema democrático, entre tantos preceitos, visam a liberdade do homem. Obviamente esse é um caminhar longo de aprendizagem, de tolerância, com tropeços, idas e vindas. Alguns povos estão mais próximos, outros nem tanto, mas entre democracia e a autocracia, que é o oposto, há muitas variantes, algumas que fazem parecer que um é o outro e vice-versa.</p>
<p><a title="Mahatma Gandhi" href="Mahatma Gandhi" target="_blank">Ghandi </a>disse que a intolerância é uma violência que afasta o homem da compreensão do espírito democrático, mas ele não disse que a corrupção generalizada do legislativo e do executivo leva o homem ao desinteresse em vez da participação. No seu tempo este não era o maior problema, mas se o “rei” não participa verdadeiramente das decisões, os “súditos” tomam conta de tudo e fazem o que querem.</p>
<p>Enquanto o voto for obrigatório, tivermos Senado (essa bobagem que nos custa muito, inventada lá nos states por motivos nada louváveis), e pior ainda, quando um senador que representa 8 milhões de eleitores  tem o mesmo peso de decisão daquele que representa só alguns milhares. Ou ainda, o deputado da União que representa uma multidão sem rosto, que também não tem acesso a ele,  nem sabe aonde mora&#8230;</p>
<p>Não, não sei bem o que temos,  mas por hora, ao menos, democracia não é.</p>
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		<title>Por que é difícil o pensar?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 03:39:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Má educação: A escola não vem em primeiro lugar, é  como a &#8220;tia&#8221; rabugenta que quase ninguém gosta, mas visitá-la é obrigatório por Lei, ao menos até certa idade. A TV também não vem em primeiro lugar, e não é obrigatória, mas tornou-se indispensável. Entrou pela porta da frente e hoje é parte da família [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Má educação:</strong></p>
<p><em>A</em> escola não vem em primeiro lugar, é  como a &#8220;tia&#8221; rabugenta que quase ninguém gosta, mas visitá-la é obrigatório por Lei, ao menos até certa idade.</p>
<p>A TV também não vem em primeiro lugar, e não é obrigatória, mas tornou-se indispensável. Entrou pela porta da frente e hoje é parte da família de quase todos os lares. A TV é como o &#8220;padrinho&#8221; proseador, que é sempre bem vindo com suas lorotas e veleidades. Raros são os que não tem esse &#8220;padrinho&#8221;, e eu me incluo nesse lapso.</p>
<p>O Estado&#8230; ah, esse é o verdadeiro &#8220;paizão&#8221;, mas também não é o primeiro da fila. Ele é que olha o que é certo e errado e faz as Leis que regem nossa conduta. Fomos adotados precoce e perenemente, mas  nós que o sustentamos. Pede dinheiros emprestado,  pede dado, rouba&#8230; que importa? Afinal, tem que alimentar os presidiários, pagar o salário dos seus enteados, cuidar da saúde, educação e segurança de todos os filhos da pátria, e mesmo senil,  caloteiro, trânsfugo e mercenário, não temos como dispensá-lo.</p>
<p>Agora &#8220;mãe&#8221; é mãe! É com certeza a primeira da lista, dela ninguém se livra mesmo. A  marca da coleira fica pra sempre. Os enforcadores vêm depois com a &#8220;titia&#8221; rabugenta e o &#8220;padrinho&#8221; falante.  Focinheira, correntes&#8230; ops, isso é coisa do &#8220;paizão&#8221;!</p>
<p>Eta  família predadora! Com essa formação desastrada, nem metáfora de cachorro escapa: se rói a cordinha e resove respirar outros ares, morre atropelado na primeira esquina. Tem exceções, claro, como em tudo. Tem cachorro que olha pra atravessar a rua.</p>
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		<title>O Filme “A ONDA”</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Sep 2009 05:13:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Curiosamente escrevi dia desses “A ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO”, onde dizia que eram autocráticas as medidas e acordos feitos até gerar a lei anti-fumo, independentemente do juízo de valor sobre o tabagismo. Busquei na memória as imagens daquelas donas de casa, que a mídia intitulou-as de “fiscais do Sarney”,  falei em outras palavras que num regime [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #333333">Curiosamente escrevi dia desses “<a title="A Arquitetura da Destruição" href="http://www.paulovilela.com.br/a-arquiteura-da-destruicao/"><span style="text-decoration: none">A ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO</span></a>”, onde dizia que eram autocráticas as medidas e acordos feitos até gerar a <a title="Lei anti-fumo" href="http://www.leiantifumo.sp.gov.br/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.leiantifumo.sp.gov.br/?referer=');"><span style="text-decoration: none">lei anti-fumo</span></a>, independentemente do juízo de valor sobre o tabagismo. Busquei na memória as imagens daquelas donas de casa, que a mídia intitulou-as de “fiscais do Sarney”,  falei em outras palavras que num regime democrático o Estado devia servir ao povo,  mas não só não o serve como o engana o tempo todo.  Não sei se as pessoas compreenderam bem as analogias e metáforas, talvez sim, talvez não.</span></p>
<p><span style="color: #333333">No filme alemão “<a title="A Onda" href="http://www.youtube.com/watch?v=eHR-Yz15tuQ" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=eHR-Yz15tuQ&amp;referer=');"><span style="text-decoration: none">A ONDA</span></a>”, aonde na programação semanal o professor escolhido pra dar as aulas sobre ANARQUISMO  tem a aparência de um facista, e o professor roqueiro que teve experiências mais condizentes com a matéria foi escolhido pra dar as aulas sobre AUTOCRACIA . Este último,  mais popular evidentemente entre os jovens, começa sua aula perguntando aos alunos sobre regimes autoritários, ditaduras etc. Faz os alunos se colocarem diante de questões como “Quais as condições pra se ter um regime ditatorial?” E tem as respostas “ Desemprego, falta de nacionalismo, inflação, desinteresse geral..”  Nesse ponto, talvez a questão mais importante é quanto a negativa de todos sobre se na atual Alemanha teria espaço pra um regime autocrático.</span></p>
<p><span style="color: #333333">Como se fosse um ensaio geral, algo como um psicodrama, ele põe em prática uma idéia que lê num livro e começa elegendo por votação um líder, que por votação acaba sendo  ele mesmo. Agindo como tal faz com que os jovens se comportem com um grau de obediência muito diferente do que estão habituados, em seguida prega a união deles como uma “força extraordinária”, que pode mudar tudo. Escolhem “A ONDA”entre os vários nomes sugeridos, e criam  um “logo”. Também decidem por uma espécie de uniforme, que os diferenciará dos demais da escola e criam um gestual de braços como um cumprimento entre eles.</span></p>
<p><span style="color: #333333">Movidos por essa força grupal os alunos passam a ganhar os jogos de pólo-aquático, grafitam e espalham milhares de adesivos pela cidade e,  rapidamente, dois ou três dias, o movimento toma um rumo que foge ao controle do professor. Mas, mais importante que o envolvimento deles, a relação com seus pais, as críticas de alguns que não se interaram ao grupo, é a postura do professor, que nos faz crer que, usando uma pedagogia original, quer mostrar como é possível se chegar rapidamente a uma ordem autocrática (ele sabe das condições dos alunos com problemas familiares, desmotivados etc.) Mas ao se sentir com um poder que nunca teve esquece todos os preceitos de sua vida anterior e assume até diante da mulher, também professora, essa atitude ditatorial inesperada.</span></p>
<p><span style="color: #333333">Inesperada???  Bem aí me veio um final de texto, que logo fará duzentos aninhos, do anarquista russo <a title="Bakunin" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin?referer=');"><span style="text-decoration: none">Bakunin</span></a>, quando diz que todos os líderes quando chegam ao poder esquecem tudo o que falaram pelo caminho, e passam a legislar em causa própria, e quem não compreende isso não entende nada da alma humana.</span></p>
<p><span style="color: #333333">Eta, me lembrei do presidente Lula há uns dez anos, quando falava da falta de dignidade desses vales (leite, transporte etc), criados com a inequívoca função eleitoreira, que lembrava, a ele, os portugueses trocando com os aborígenes os tais espelhinhos e bugigangas, e agorinha, dia desses,  ele falando dos imbecis que não entendem a importância da sua genial criação chamada bolsa famíla, que obviamente nada tem de eleitoreiro.</span></p>
<p><span style="color: #333333">Que eu vou dizer pros meninos aqui da minha rua?</span></p>
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		<title>Arquitetura da Miséria</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 13:07:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo. Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria, uma das paragens mais horríveis do mundo. Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo.</p>
<p>Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria,  uma das paragens mais horríveis do mundo.</p>
<p>Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, e sem o <a title="O que é Sincretismo?" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo?referer=');">sincretismo</a> simplório que mistura tudo, a arquitetura da miséria tem lá suas semelhanças com a Costa Amalfitana. Como aquela, também não segue as normas fixadas pelos doutos que criam os parâmetros do urbanismo.  É anárquica em todos os sentidos, porque também não segue as regras formais da construção, nasce de uns riscos no chão, sobe rápido porque é simples, tudo perfeitamente de acordo com um único parâmetro &#8212; a necessidade e a  falta de recursos.</p>
<p>Ao contrário da arquitetura formal, onde o engenheiro e o <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquiteto</a>, além, claro, do proprietário, quebram a cabeça pra criarem um dormitório a mais, levando em conta os acessos, as leis etc., a arquitetura da miséria é extremamente dinâmica, e é modificada a cada rebento que nasce, quase uma “obra aberta”. Houvesse uma palavra que definisse esse estilo <em>sem estilo</em>, poderia ser a “arquitetura do puxadinho”.</p>
<p>Não dá certo escada por dentro, come o espaço da TV? Sem problemas&#8230; escada pra fora.  Chove quando sobe? Sem problemas&#8230; mais um “puxadinho”.</p>
<p>Mais original que as <a title="Obras Arquitetura Pós-Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> da realeza, esse conjunto cinza de blocos de cimento e telhas de fibro-cimento, sem acabamento, sem detalhes, que sobe e desce montanhas, é horrível no seu todo não por falta de criatividade,  falta cor!</p>
<p>Imagino se em vez de se colocar tapumes nas avenidas pra esconder os “puxadinhos”, como fez o Lacerda no Rio de Janeiro,  o Estado transferisse recursos inúteis, como por exemplo,  do Senado. Ou os bancos fizessem um esforcinho&#8230; Imagino todos os milhares de “puxadinhos” do país com paredes rebocadas e pintadas com a cor da vontade de cada um&#8230;  E teríamos uma estética anárquica, que fugiria da mesmice,  única no mundo dado as proporções. Cor é alegria, bem estar, transforma as pessoas, e isso não é uma gozação, muito menos uma piração, mas alguém vai dizer que é tampar o sol com a peneira, que o problema é muito mais em baixo num país que falta tudo, como se eu não soubesse.</p>
<p>Num Estado de parlamentares e governantes meia-bocas estamos muito longe de substituir os &#8220;puxadinhos&#8221;  por algo mais digno, não obstante há leis de incentivo à cultura, museus, estátuas em praças públicas. O que é esse esforço estético se não para o deleite da alma humana, enfeites que encantam ou enfeitiçam, que têm o poder de transformação? Então por que não colorir e dar vida aos &#8220;puxadinhos&#8221;?</p>
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