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	<title>Paulo Vilela &#187; arquiteto</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>Arquitetura pós-moderna do Inferno e do Céu, e outras idéias.</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 06:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[﻿Citados no Gênesis, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>﻿Citados no <a title="Gênesis" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/1/1" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bibliaonline.com.br/acf/1/1?referer=');">Gênesis</a>, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro trabalha por comparação, como um grande computador, e os <em>genes </em>registram imagens desde nossos ancestrais.</p>
<p>Jung falou sobre o inconsciente coletivo, cientistas buscam descobrir aonde e como estão registrados esses dados no <em>gene</em>, mas mesmo que não fôssemos tão longe, que eles não descubram com a exatidão que buscam, é seguro afirmar que inventamos imagens relacionadas com estes extremos da felicidade e do sofrimento desde que nos conhecemos por gente. Imagens que criamos a partir do nascimento,  pelos nossos sonhos e pesadelos, adicionadas pela dor, culpa, enfim pela moral judaica-cristã que respiramos.</p>
<p>A maioria tem o Céu no céu mesmo, algo limpo, azul, etéril, calmo, como não podia deixar de ser. E o Inferno sempre sujo, poluído, quente, nas entranhas da Terra. Na arquitetura de um músico, um virtuose clássico, não faltaria no ar do Paraíso um Beethoven, um Mozart, e no Inferno o toque especial de um pagode; já para um surdo-mudo, ao contrário, daria a eles o silêncio absoluto. Nem tenho idéia como seria a arquitetura do imaginário de um cego de nascença, mas sabendo diferenciar alegria de tristeza certamente teria a sua forma também.</p>
<p>Como qualquer um criei minhas imagens ao longo da infância, alteradas na adolescência, e na envelhecência (termo criado por Mario Prata). E comecei como a maioria também: Céu, lugar cálido; Inferno, algo que queima e dói. Aos poucos fui criando espaços diferentes. Salas de recepção em ambos lugares. No Céu, bancos de jardim entre plantas maravilhosas; no Inferno, prisões eletrônicas controladas à distância pelo demônio, e por aí fui.</p>
<p>Meu Céu não precisava mais de obras com tetos e passei a utilizar materiais leves, vidros, transparências&#8230; No Inferno, sempre à meia-luz, escavações em rochas comos os trogloditas da Anatólia, mal cheiro permanente&#8230;</p>
<p>Mas como eu, minha arquitetura nunca parou de mudar, e o conceito do pós-moderno substituiu minhas construções anteriores. Passei a usar mais a cor, curvas, e quebrei a indiferente e fria distância que me separava destas imagens.</p>
<p>Adiante, retirei o  supérfluo dessa arquitetura até o ponto de não precisar mais do que era matéria, quando passei a ver o Universo com outros olhos, onde Mal e Bem são só invenções humanas.</p>
<p>Mas como geômetra me senti compelido a ir mais longe, e sem sair de mim, como modernamente se faz uma fábrica dentro da outra, criei um novíssimo Inferno dentro do Paraíso. Assim ao abrir uma porta, quase instantaneamente passo de um lugar ao outro.</p>
<p>E nem foi preciso um corredor para imitar o Purgatório, só a repentina e inesperada alteração da temperatura ao abrir a porta (não importando pra qual lado vou), é suficiente pelo susto me trazer horríveis calafrios, esse pedágio gelado, pra em seguida tudo parecer estar em chamas. Penso ter feito jus a essa passagem, esse mal momento antes que se acostume com as mudanças.</p>
<p>Assim, Céu e Inferno ficaram uma coisa tão próxima, que por vezes durmo num lugar e acordo no outro. Às vezes me vem à cabeça  “O inferno somos nós mesmos..” Sartre, Entre Quatro Paredes. Ops, ia me esquecendo&#8230; Se minha arquitetura se alterou na forma, nos materiais, até chegar nessa invenção que é só uma espécie de ar que respiro, habitantes nunca pus nenhum, nem eles invadiram meus espaços sempre vagos. E exceto uma voz feminina que ouço me chamando, que me faz ir de um lugar ao outro, em nenhum tempo alguém apareceu por lá, nem mesmo Lúcifer, nem Deus &#8212; sempre foi assim, desde criança. A voz não, essa nem sempre a mesma, mas duas diferentes no mesmo tempo, nunca ouvi também.</p>
<p>Não que goste desses chamados, ao contrário, detesto-os. Mas, paradoxalmente, quando passo um longo tempo fora, ainda que esteja numa multidão, sinto que estou só em nenhum lugar do mundo.</p>
<p>Pela minha natureza, esse fel permanente do que é pacato e morno, segurança de quem vai antes da hora&#8230; ah não! Então, se alguém me pergunta o que prefiro, se o aqui ou o ali &#8212; não sou mazoquista pra dizer que prefiro a dor, mas no Inferno se fica mais atento à vida. Me concentro, aguço os sentidos&#8230; chamo a voz que preciso, e quando a ouço, só tem uma porta que me separa do Paraíso. No fundo, lá no fundo mesmo, antes estar entre esses dois mundos que em lugar algum.</p>
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		<title>O filme &#8220;ALICE&#8230;&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2010 18:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tim Burton, o cavaleiro do apocalipse, do mundo torto e sem graça. Ainda não havia visto nenhum filme deste que há algumas semanas bateu o recorde de visitantes no museu de arte moderna de NY com sua exposição, e que é o atual presidente do juri do Festival de Cannes. Então fui assistir o ALICE, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Tim Burton" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Burton" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Burton?referer=');">Tim Burton</a>, o cavaleiro do apocalipse, do mundo torto e sem graça.</p>
<p>Ainda não havia visto nenhum filme deste que há algumas semanas bateu o recorde de visitantes no museu de arte moderna de NY com sua exposição, e que é o atual presidente do juri do Festival de Cannes. Então fui assistir o ALICE, história mais que centenária do matemático Lewis Carroll, que faz parte do imaginário de crianças em todos os tempos.</p>
<p>Pensei que fosse ver uma releitura de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS, que já teve muitas, menos ao pé da letra um livro filmado com os bichinhos criados em 3D, nada além disso. Um filme pra crianças, de final feliz, aonde o Mal perde para o Bem, só menos babaca que os do Disney, porque é Lewis Carroll.</p>
<p>Se é mesmo pra crianças, paro por aqui, é bonitinho e tem uma arquitetura de imagens compatível com as novas tecnologias. Agora, se não é só pra crianças, se esta é a revolução que se diz tão profunda quanto foi do cinema mudo para o falado, ou do P&amp;B para o colorido, e o Tim Burton é o verdadeiro representante desta mudança&#8230; morri, mas diferente de ALICE ainda sinto a pele quando me belisco.</p>
<p>Vão me xingar os milhares de adultos que ajudaram a bater esses recordes de visitação e bilheteria. Gosto de criatividade e imaginação, quase nada que presta é aritmética simples, pode não ter história, pode ser suave, violento, maniqueísta, mas me frustrei com esse ALICE quadradinho, que fazer?</p>
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		<title>O Arquiteto e as Palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 21:37:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Comecei escrever um livro que pudesse ajudar aos que trabalham com arquitetura, mostrando detalhes de obras artesanais e também respondendo questões que me foram feitas ao longo dos anos: “Como se liga tijolo à madeira? Por que se chama cimento queimado? Pintura com pó de tijolo? Pode-se impedir a friagem que vem do chão? O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei escrever um livro que pudesse ajudar aos que trabalham com arquitetura, mostrando detalhes de <a title="Obras do arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> artesanais e também respondendo questões que me foram feitas ao longo dos anos:</p>
<p>“Como se liga tijolo à madeira? Por que se chama cimento queimado? Pintura com pó de tijolo? Pode-se impedir a friagem que vem do chão? O que faz um arco ou uma abóbada terem tanta resistência? O que é  piso hidráulico? Não há uma maneira mais moderna de se colocar fios e canos sem quebrar as paredes? Aquela rachadura assim-assim é grave? O que é marchetaria, clerestório etc.”</p>
<p>Depois de umas tantas páginas percebi que tinha uma espécie de manual  prático, desisti. À maioria dos profissionais da área, que  trabalham  com outras técnicas e resultados, seria um trabalho tão original quanto  inútil; aos outros, estes quantos me perguntaram e os que não tiveram oportunidade, provavelmente nem saberiam da existência deste “manual”</p>
<p>Um velho fundidor de sinos musicais não conseguiu ensinar nem ao filho, nem ao neto seu ofício. Um foi ser jornaleiro, o outro jornalista. Não há mais lugar para  sinos. As igrejas são galpões, as aldeias tribos ligadas  pelo éter&#8230; E o tanger dos sinos vai ficando só na memória, subtituídos  pelos ruidosos alto-falantes. Os dedos elegeram os teclados e esqueceram-se de acariciar.</p>
<p>“Ei Viola,  pára com isso, não sobe em mim!”, “Sabe quem morreu?”, “O mundo tá se vingando” , “Queria mudar de vida&#8230;” , “Nossa, coitada, teve trigêmeos”.</p>
<p>Se alguém se perguntar o que isso tem a ver, mato a curiosidade já: não sei como, nem porque isso apagou o que estava por atrás.<strong><br />
</strong></p>
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		<title>A arquitetura moderna envelheceu com os modernistas</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 23:17:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ah&#8230; Sr. Oscar Niemeyer, torço pela sua saúde, admiro sua tenacidade, seu espírito de eterno guerreiro, sua bondade com os necessitados, é mais que um grande arquiteto, construiu sua história não só pela arquitetura, mas pelas ações como ser humano. O Sr. tem um conjunto de obras como nenhum outro vivo, mas aquele “Olho” em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah&#8230; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer?referer=');">Sr. Oscar Niemeyer</a>, torço pela sua saúde, admiro sua tenacidade, seu espírito de eterno guerreiro, sua bondade com os necessitados, é mais que um grande arquiteto, construiu sua história não só pela arquitetura, mas pelas ações como ser humano. O Sr. tem um conjunto de <a title="Obras Arquitetura pós-moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> como nenhum outro vivo, mas aquele “Olho” em Curitiba..! As fotos publicadas mostravam uma poesia, mas fotografias são mesmo doces mentiras, podem mostrar uma flor no campo ao lado de um soldado morto, quem saberia? De perto, esse “Olho” mais parece um peixe num pedestal enorme. Cadê a leveza com aquele pilar que ocupa um terço da obra?</p>
<p>Fiquei muito frustrado ao ver esse peixe. Obra mal feita, a concordância das curvas dos corrimãos das rampas é lastimável, na verdade aquilo é horrível. É certo que arquitetura é surpresa, e é difícil criticar alguém que é um ícone na arquitetura mundial, mas não vou guardar minha opinião num cofre.</p>
<p>Certa ocasião, num debate ao vivo, vi o arquiteto modernista, que fez o projeto da Estação da Sé do metrô de SP, quase humilhar o arquiteto <a title="Arquiteto Eolo Maia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89olo_Maia" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/_C3_89olo_Maia?referer=');">Eolo Maia</a>, que mostrava suas <a title="Arquitetura pós-moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras pós-modernas</a> lúdicas, curiosas, criativas, inseridas no espaço com rara sensibilidade. Desde então passei a olhar a “modernidade” envelhecida e cansada, díspar com o entorno, com outros olhos.</p>
<p>Caso desse “Olho” construído muitos anos depois do projeto original.</p>
<p>Independemente do valor estético, <a title="Obras Públicas" href="http://www.paulovilela.com.br/por-que-nao-fiz-obras-publicas/">obras públicas</a>, como diz o nome, são feitas com o dinheiro do povo, não dos governantes. Não adianta a dureza do concreto se vaza água aonde não deve. País tropical com o gradiente de temperatura variando até 20 graus num mesmo dia não há impermeabilização que aguente mais que uns poucos anos, e tudo tem que ser refeito.</p>
<p>O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Finlandia_Wiki.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/en.wikipedia.org/wiki/File_Finlandia_Wiki.jpg?referer=');">Finlândia Hall</a>, parlamento em Helsinque, de outro modernista não menos famoso, <a title="arquitecto finlandês " href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alvar_Aalto" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Alvar_Aalto?referer=');">Alvar Aalto</a>, tinha em 1986, dez anos após sua morte, a fachada toda embrulhada numa tela pra não despencar o mármore de carrara que mais parecia com tábuas tortas.   Nem acreditei quando olhei aquilo, o mármore empenado com o frio de Helsinque. Naquele momento lembrei que não muito distante dali, em São Petesburgo, os russos embrulham as estátuas com palha e madeira, esvaziam as fontes há mais de duzentos anos pra não racharem.</p>
<p>Não faltaria observação por parte dos puristas do modernismo das leis da natureza e respeito com  o dinheiro público?  Tenho a impressão que a forma lhes basta, mas se a tecnologia das proteções e dos acabamentos não acompanhou os vôos do imaginário deles, nem eles mudaram sabendo dos problemas, está mais que na hora de se repensar esse modernismo exaurido.</p>
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