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	<title>Paulo Vilela &#187; arquitetura</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>A FESTA</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Jan 2012 19:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É raro, mas me convidaram para uma festa de inauguração da vida nova do casal, vida nova quer dizer ‘casa nova’. Casa que projetei e construí ao longo de 15 meses. Era uma sexta feira do fim de agosto estranhamente abafada (agosto não é um bom mês para se fazer nada, que dirá festas, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É raro, mas me convidaram para uma festa de inauguração da vida nova do casal, vida nova quer dizer ‘casa nova’. Casa que projetei e construí ao longo de 15 meses.</p>
<p>Era uma sexta feira do fim de agosto estranhamente abafada (agosto não é um bom mês para se fazer nada, que dirá festas, mas nada tenho a ver com isso), a Previsão dizia tempo estável, mas sinto no corpo como um barômetro quando a pressão atmosférica aumenta, prenúncio de chuva, e confio mais no meu mal-estar que no noticiário. Enfim, tomei banho, cortei as unhas, me vesti e fui. Fui como quem vai a um lugar desconhecido apesar de ter estado lá tanto tempo, sensação essa talvez como disse pela estranheza do convite ou pelas pessoas que não conhecia.</p>
<p>Dez horas da noite, lua redonda, jardim de sombras, manobrista na porta, parecia cena de filme noir. Casa cheia, mas exceto os proprietários não conhecia ninguém. Logo, extremamente gentis, me apresentaram a várias pessoas. Espalhados pelo jardim, ao redor da piscina, todos eram falantes e pareciam felizes com seus copos cheios ao som de um blues moderno.</p>
<p>Eu continuava perdido, e a noite de sonhos também não durou muito. Do nada uma nuvem negra cobriu a lua, e mesinhas, cadeiras, copos, tudo voava com a ventania. Todos correram para dentro, em instantes água caiu de baldes e a luz se foi.</p>
<p>Situação inusitada que só não foi pior porque a casa tinha luzes de emergência e alguma coisa se enxergava no breu, mas foi um corre-corre daqueles, ninguém está preparado para uma situação dessas. Sem música, enquanto se esperava pela volta da energia elétrica, o vozerio era só um grande ruído e por um instante tive a mesma impressão de estar num outro país que não se conhece a língua.</p>
<p>A chuva parou tão de repente quanto começou, mas nada de voltar a energia elétrica. Uma hora, duas horas&#8230; Os donos da casa sem graça, os convidados idem, ninguém ia embora. Os garçons arrumaram as mesinhas em volta da piscina, e ao prateado do luar voltaram a servir. Nunca vi ninguém olhar com tanta estanheza para o céu, estavam todos visivelmente incomodados, e penso que por solidariedade permaneciam na festa sem graça à espera da luz elétrica, mas festa sem música e sem luz não dá mesmo.</p>
<p>Meia noite, assim do nada tal como a chuva, na borda clara da piscina apareceu uma mancha negra. Começou um zum-zum-zum, ninguém estava entendendo o que era aquilo, que indefinida mal se via e crescia sem parar, e rapidamente tomou todo o jardim empurrando as pessoas para o escuro da sala. E a mancha não parava de crescer, e se movia para dentro da casa. Alguém se abaixou com o isqueiro aceso e aos berros gritou que eram formigas. Milhões, bilhões, sei lá, ao menos era algo conhecido.</p>
<p>Foi o pandemônio, mulheres com salto agulha subindo nas cadeiras, gente  gritando e correndo para a porta. Eram Formicas-correição, essas ciganas nômades e carnívoras que fazem o papel das dedetizadoras matando quaisquer insetos que encontram. Debandada geral, ninguém se despediu de ninguém. Até o manobrista sumiu. No escuro, mais confusão ainda na hora de pegar as chaves dos carros, ninguém achava a sua. Desespero, o que parecia um filme ‘noir’ virou de terror. Que noite aziaga, meu pai! Começo de vida nova? Deu dó!</p>
<p>Saí ileso, não choveu dentro da casa, o banheiro funcionou e ninguém culpou o arquiteto pela falta de luz ou pelo ataque das formigas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Arquitetura é coisa de arquiteto&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 01:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E no mundo atual só há três tipos de arquitetos, aliás quatro. &#8211; Os que fazem os megaprojetos cheios de tecnologia, que enchem as mídias e encantam o mundo moderno, quase sempre financiados pelo dinheiro público ou de algum esdrúxulo magnata;. &#8211; Os que, funcionários de grandes escritórios ou autônomos, projetam edifícios comportados para incorporadoras, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E no mundo atual só há três tipos de arquitetos, aliás quatro.</p>
<p>&#8211; Os que fazem os megaprojetos cheios de tecnologia, que enchem as mídias e encantam o mundo moderno, quase sempre financiados pelo dinheiro público ou de algum esdrúxulo magnata;.</p>
<p>&#8211; Os que, funcionários de grandes escritórios ou autônomos, projetam edifícios comportados para incorporadoras, e vez por outra enfiam umas firulas e brilhos, que os tornam super originais, iguaizinhos à maioria;</p>
<p>&#8211; Aqueles que se esforçam pra serem percebidos nos seus arrojados projetos, mas limitados pela timidez dos investimentos fazem pequenas obras comerciais ou residenciais e não raras vezes ficam nos sonhos dos rascunhos ou maquetes;</p>
<p>&#8211;  Por fim, habilidosos ou não, criativos ou não, talentosos ou não&#8230; o resto, a grande maioria da multidão que escolheu como profissão a arquitetura, ou é empregado público e passa a vida pondo e tirando o paletó da cadeira, ou gasta a vida fazendo o que não deseja numa empresa; ou é autônomo e faz o que aparece, se aparece.</p>
<p>Claro que essa divisão não é exata, nem há nenhuma novidade nisso, com a medicina, p.ex. é mais ou menos a mesma coisa, onde os expoentes não saem da mídia e o resto é empregado dos Planos de Saúde ou servidor público, e por aí vai. Mas com arquitetura é diferente, é arte que envolve literalmente o ser humano, é desafio, e não creio que alguém que tenha escolhido esta profissão, cuja característica principal não é a repetição se sinta equilibrado fazendo nada, ainda que esse nada não seja verdadeira e exatamente o vazio.</p>
<p><span style="color: #888888"><span style="text-decoration: underline"><span style="color: #000000">Vai construir, comprou uma casa velha, um apartamento caindo aos pedaços&#8230; consulte sempre um arquiteto! </span></span></span> Vi isso escrito em algum lugar que não era o para-choque de um caminhão, talvez no vidro traseiro de quem andava na minha frente, não importa, aviso inútil que não vai mudar nenhum destino.</p>
<p><em>“Pra que gastar uma grana se eu posso fazer sozinho?”</em></p>
<p><em>“Ops, eu tenho um amigo que é engenheiro e vem dar uma olhada&#8230;&#8221;<br />
</em></p>
<p><em>“Minha prima já mexeu com obra, ela leva jeito&#8230;”</em></p>
<p><em>“Nem morto! Na última vez que usei um arquiteto quase saímos no tapa&#8230;”</em></p>
<p><em>“Jo soy un arquitecto nacido&#8230;”</em></p>
<p>Se os autônomos escapam disso, dão graças aos céus que têm <span style="text-decoration: underline">algo</span> pra fazer e poderão dar de comer aos cães ou filhos, caso os tenham, mesmo que esse <span style="text-decoration: underline">algo</span> seja um quase nada em arquitetura.</p>
<p>Isso são elocubrações, mas dia desses conversando com um cara que vendia tumbas&#8230; Ops, tumbas? Não, não é bem isso, vendia coordenadas de um novo cemitério. Falei que deixei uma ordem para ser cremado, que só precisava de uma urna, e temporária. Ele riu e disse que urna ele não vendia. Isso foi por telefone, nem vi a cara do sujeito, mas era um tipo simpático, falou que era corretor da morte, mas pra eu não confundir com “corretor de morte”, que ele era arquiteto e cansou de não fazer nada durante anos numa construtora e pensou que estava na hora de fazer alguma coisa útil.</p>
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		<title>SENHOR CARDEAL</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 04:48:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No filme 8 ½ do Fellini me lembro do senhor na sauna, quando o Mastroiani, na sua confusão interior sem saber bem o que falar, só consegue dizer o “eu não sou feliz”,  e ouve do senhor a célebre frase “quem lhe disse que viemos aqui para ser felizes?” Viemos aqui então pra quê? Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No filme 8 ½ do Fellini me lembro do senhor na sauna, quando o Mastroiani, na sua confusão interior sem saber bem o que falar, só consegue dizer o “eu não sou feliz”,  e ouve do senhor a célebre frase “quem lhe disse que viemos aqui para ser felizes?”</p>
<p>Viemos aqui então pra quê? Por causa de uma réles maça e um cara desobediente todo o futuro foi condenado a pagar sua pena? Que criador seria este, cujo nome já contém sua intenção? Quem escreveu suas leituras, senhor cardeal?</p>
<p>Pense que o último século não é mais que uma fração de um instante na existência do universo. Ponha-se, pois, no que lhe cabe dentro desse instante com todas suas cores e dores, e tente encaixar tudo o que viveu. Multiplique isso pelos bilhões de instantes e de espécies&#8230; Haveria uma memória capaz de ter dado uma particular atenção à sua insignificância?</p>
<p>Sabe que há estrelas que nunca vimos nem vamos ver no nosso tempo, porque sua luz ainda está a caminho, e as que vemos nem temos certeza se ainda existem&#8230; Então Sr. Cardeal, se o tempo nos faz duvidar até do que vemos, confundir vivos com mortos, aonde busca a convicção do que prega?</p>
<p>Sei que vai dizer que o que mais importa os olhos não podem ver, também sei que vai dizer que sou atrasado espiritualmente.  Pode achar o que quiser de mim, não me importo. Materialista não sou, só tenho muitas dúvidas, e  achei engraçado o que disse. A propósito, também achei o senhor muito abatido e magrinho, mesmo sabendo que não lhe faltou o que comer.</p>
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		<title>O remédio do século!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 00:03:20 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Alguém disse que cortizona era o remédio do séc XX , mas este tanto ‘desincha’ como ‘incha’. Outro alguém disse ser o Lítio. Outros ainda elegeram o Viagra ou similares. Tem os que falam dos calmantes, relaxantes, reguladores disso ou daquilo, até antibióticos de última geração entra nas preferências&#8230; No fundo não há um consenso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguém disse que cortizona era o remédio do séc XX , mas este tanto ‘desincha’ como ‘incha’. Outro alguém disse ser o Lítio. Outros ainda elegeram o Viagra ou similares. Tem os que falam dos calmantes, relaxantes, reguladores disso ou daquilo, até antibióticos de última geração entra nas preferências&#8230; No fundo não há um consenso sobre a grande invenção do século.</p>
<p>Pra mim remédio bom é o esparadrapo, esse de pano. Não é de engolir, não tem cheiro ou gosto ruins, não arde nem pica. Não precisa de receitas, dispensa visitas ao médico, não tem bula, nem contra-indicações, e é baratinho. Gruda melhor que fita crepe, durex e congêneres, serve pra fazer ponto falso num ferimento, e em tirinhas colocadas paralelas à coluna engana as terminações nervosas nas dores das costas. E é muito melhor que ‘band-aid’ no calcanhar que o sapato esfolou.</p>
<p>Além das propriedades citadas ainda tem outras indicações: quebra o galho no lugar da fita isolante nas emendas dos fios elétricos, evitando choques e queimaduras; do teflon, nas roscas das tubulações. Também pode ser usado  com vantagens sobre cordinhas ou fios que machucam, quando se pretende amarrar as mãos nas costas de um azarado, e ainda cala com eficiência absoluta a boca do coitado!</p>
<p>Se disserem que isso não é o escopo de um remédio, direi que se enganam. Claro que é,  esparadrapo não só remedia como tem função preventiva impedindo queimaduras, ferimentos, enfim&#8230; dores desnecessárias.</p>
<p>Isso é que é remédio, não droga. Pra mim&#8230; ele  é o “the best”!</p>
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		<title>Arquitetura pós-moderna do Inferno e do Céu, e outras idéias.</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 06:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[﻿Citados no Gênesis, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>﻿Citados no <a title="Gênesis" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/1/1" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bibliaonline.com.br/acf/1/1?referer=');">Gênesis</a>, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro trabalha por comparação, como um grande computador, e os <em>genes </em>registram imagens desde nossos ancestrais.</p>
<p>Jung falou sobre o inconsciente coletivo, cientistas buscam descobrir aonde e como estão registrados esses dados no <em>gene</em>, mas mesmo que não fôssemos tão longe, que eles não descubram com a exatidão que buscam, é seguro afirmar que inventamos imagens relacionadas com estes extremos da felicidade e do sofrimento desde que nos conhecemos por gente. Imagens que criamos a partir do nascimento,  pelos nossos sonhos e pesadelos, adicionadas pela dor, culpa, enfim pela moral judaica-cristã que respiramos.</p>
<p>A maioria tem o Céu no céu mesmo, algo limpo, azul, etéril, calmo, como não podia deixar de ser. E o Inferno sempre sujo, poluído, quente, nas entranhas da Terra. Na arquitetura de um músico, um virtuose clássico, não faltaria no ar do Paraíso um Beethoven, um Mozart, e no Inferno o toque especial de um pagode; já para um surdo-mudo, ao contrário, daria a eles o silêncio absoluto. Nem tenho idéia como seria a arquitetura do imaginário de um cego de nascença, mas sabendo diferenciar alegria de tristeza certamente teria a sua forma também.</p>
<p>Como qualquer um criei minhas imagens ao longo da infância, alteradas na adolescência, e na envelhecência (termo criado por Mario Prata). E comecei como a maioria também: Céu, lugar cálido; Inferno, algo que queima e dói. Aos poucos fui criando espaços diferentes. Salas de recepção em ambos lugares. No Céu, bancos de jardim entre plantas maravilhosas; no Inferno, prisões eletrônicas controladas à distância pelo demônio, e por aí fui.</p>
<p>Meu Céu não precisava mais de obras com tetos e passei a utilizar materiais leves, vidros, transparências&#8230; No Inferno, sempre à meia-luz, escavações em rochas comos os trogloditas da Anatólia, mal cheiro permanente&#8230;</p>
<p>Mas como eu, minha arquitetura nunca parou de mudar, e o conceito do pós-moderno substituiu minhas construções anteriores. Passei a usar mais a cor, curvas, e quebrei a indiferente e fria distância que me separava destas imagens.</p>
<p>Adiante, retirei o  supérfluo dessa arquitetura até o ponto de não precisar mais do que era matéria, quando passei a ver o Universo com outros olhos, onde Mal e Bem são só invenções humanas.</p>
<p>Mas como geômetra me senti compelido a ir mais longe, e sem sair de mim, como modernamente se faz uma fábrica dentro da outra, criei um novíssimo Inferno dentro do Paraíso. Assim ao abrir uma porta, quase instantaneamente passo de um lugar ao outro.</p>
<p>E nem foi preciso um corredor para imitar o Purgatório, só a repentina e inesperada alteração da temperatura ao abrir a porta (não importando pra qual lado vou), é suficiente pelo susto me trazer horríveis calafrios, esse pedágio gelado, pra em seguida tudo parecer estar em chamas. Penso ter feito jus a essa passagem, esse mal momento antes que se acostume com as mudanças.</p>
<p>Assim, Céu e Inferno ficaram uma coisa tão próxima, que por vezes durmo num lugar e acordo no outro. Às vezes me vem à cabeça  “O inferno somos nós mesmos..” Sartre, Entre Quatro Paredes. Ops, ia me esquecendo&#8230; Se minha arquitetura se alterou na forma, nos materiais, até chegar nessa invenção que é só uma espécie de ar que respiro, habitantes nunca pus nenhum, nem eles invadiram meus espaços sempre vagos. E exceto uma voz feminina que ouço me chamando, que me faz ir de um lugar ao outro, em nenhum tempo alguém apareceu por lá, nem mesmo Lúcifer, nem Deus &#8212; sempre foi assim, desde criança. A voz não, essa nem sempre a mesma, mas duas diferentes no mesmo tempo, nunca ouvi também.</p>
<p>Não que goste desses chamados, ao contrário, detesto-os. Mas, paradoxalmente, quando passo um longo tempo fora, ainda que esteja numa multidão, sinto que estou só em nenhum lugar do mundo.</p>
<p>Pela minha natureza, esse fel permanente do que é pacato e morno, segurança de quem vai antes da hora&#8230; ah não! Então, se alguém me pergunta o que prefiro, se o aqui ou o ali &#8212; não sou mazoquista pra dizer que prefiro a dor, mas no Inferno se fica mais atento à vida. Me concentro, aguço os sentidos&#8230; chamo a voz que preciso, e quando a ouço, só tem uma porta que me separa do Paraíso. No fundo, lá no fundo mesmo, antes estar entre esses dois mundos que em lugar algum.</p>
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		<title>O QUE É O HOMEM SEM SEU SONHO?</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 12:17:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas arborizadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas <a href="http://www.dicio.com.br/arborizado/" target="blank_" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.dicio.com.br/arborizado/?referer=');">arborizadas</a> e bem cuidadas do bairro, perguntando ao menino qual daquelas ele preferia, mas defeitos tinham todas, nenhuma servia.</p>
<p>E sempre que passavam por um certo terreno vazio, ali se detinham a construir a casa ideal. Muitas vezes nos fins de semana, passeando com meu cão, vi este senhor gesticulando com as mãos, construindo seu sonho&#8230; explicando em voz alta ao garoto como ia ser. Arquiteto nato, ele logo me lembrou o personagem “pedinte” do Dodeskaden (filme de Akira Kurosawa), que vivia com o filho num carro abandonado e sonhava com uma construção ocidental, sólida e cheia de requintes, diferente das convencionais casas japonesas.</p>
<p>Num fim de tarde meio chuvoso me aproximei deles. Curioso, mas com certo receio, cumprimentei-os e me apresentei como arquiteto, ao que, gentilmente, o Senhor disse já me conhecer e ao meu cão também, e que nessa fase da obra não precisava de ajuda, o que lhe faltava era só um pouco de dinheiro&#8230;</p>
<p>Uns dois anos depois, caminhando só, meu cão tinha morrido, novamente cruzei com eles em frente ao mesmo terreno vazio. O menino crescera, devia estar com uns sete ou oito anos, e agora já fazia perguntas ao pai. &#8212; Por que não pode ser vermelha? Antes que encontrasse a resposta o Senhor me cumprimentou, e aproveitei pra saber  como ia a casa. &#8212; No finzinho&#8230; Respondeu e completou &#8212; Só estamos decidindo as cores (apontando pro menino). &#8212; Pai, por que não pode ser vermelha? Insistiu o garoto. &#8212; O que o Sr acha? Ele me perguntou. &#8212; Vermelha? Eu disse. &#8212; Sim, por fora ele quer inteira vermelha&#8230;</p>
<p>O que eu ia dizer? Que era bom, que era ruim, que era estranho..? Quem era eu pra interferir naqueles destinos? E em vez de responder, fiz outra pergunta, como seriam as plantas. Dessa vez foi o menino que prontamente se adiantou &#8212; São todas brancas e pratas, e as flores azuis, igual a grama. &#8212; Oh&#8230; então vermelha vai ficar linda. Disse. Olhos franzidos, pensativo, o Senhor olhava as bactérias do ar como se não estivesse muito certo disso. Nesse momento me despedi deles e segui minha caminhada.</p>
<p>Nunca mais os vi. Até que um dia, seis horas da manhã, passeando com um outro cão, diante daquele terreno vago um jovem moreninho lá com seus dezesseis anos rabiscava algo numa prancheta. &#8212; Bom dia. Eu disse. &#8212; Cadê seu pai? Ele me olhou sem me reconhecer &#8212; Meu pai, o Sr conhecia ele? &#8212; Sim, sempre vocês vinham aqui&#8230; &#8212; Ah sim, agora acho que me lembro do Sr., meu pai morreu faz oito anos, levou um tiro da polícia quando voltava do trabalho. &#8212; Sinto muito. Disse. &#8212; Sabe que pensei nele esses anos todos, e por que levou um tiro? Perguntei. &#8212; Foi por engano, ele trabalhava à noite numa fábrica, voltava pra casa, estava escuro, ninguém explicou pra gente o que aconteceu. &#8212; E o que faz aqui, agora? Perguntei mais uma vez. &#8212; Estou mudando algumas coisas na nossa casa&#8230; Me desculpe, senhor, mas tenho que terminar isso, tá quase na hora de entrar no meu trabalho. &#8212; Claro, eu é que me desculpo, só queria saber se ainda vai ser vermelha. &#8212; Ah&#8230; não, papai nunca gostou dessa idéia&#8230;</p>
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		<title>O filme &#8220;ALICE&#8230;&#8221;</title>
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		<pubDate>Sat, 22 May 2010 18:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tim Burton, o cavaleiro do apocalipse, do mundo torto e sem graça. Ainda não havia visto nenhum filme deste que há algumas semanas bateu o recorde de visitantes no museu de arte moderna de NY com sua exposição, e que é o atual presidente do juri do Festival de Cannes. Então fui assistir o ALICE, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Tim Burton" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Burton" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Burton?referer=');">Tim Burton</a>, o cavaleiro do apocalipse, do mundo torto e sem graça.</p>
<p>Ainda não havia visto nenhum filme deste que há algumas semanas bateu o recorde de visitantes no museu de arte moderna de NY com sua exposição, e que é o atual presidente do juri do Festival de Cannes. Então fui assistir o ALICE, história mais que centenária do matemático Lewis Carroll, que faz parte do imaginário de crianças em todos os tempos.</p>
<p>Pensei que fosse ver uma releitura de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS, que já teve muitas, menos ao pé da letra um livro filmado com os bichinhos criados em 3D, nada além disso. Um filme pra crianças, de final feliz, aonde o Mal perde para o Bem, só menos babaca que os do Disney, porque é Lewis Carroll.</p>
<p>Se é mesmo pra crianças, paro por aqui, é bonitinho e tem uma arquitetura de imagens compatível com as novas tecnologias. Agora, se não é só pra crianças, se esta é a revolução que se diz tão profunda quanto foi do cinema mudo para o falado, ou do P&amp;B para o colorido, e o Tim Burton é o verdadeiro representante desta mudança&#8230; morri, mas diferente de ALICE ainda sinto a pele quando me belisco.</p>
<p>Vão me xingar os milhares de adultos que ajudaram a bater esses recordes de visitação e bilheteria. Gosto de criatividade e imaginação, quase nada que presta é aritmética simples, pode não ter história, pode ser suave, violento, maniqueísta, mas me frustrei com esse ALICE quadradinho, que fazer?</p>
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		<title>O Arquiteto e as Palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 21:37:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Comecei escrever um livro que pudesse ajudar aos que trabalham com arquitetura, mostrando detalhes de obras artesanais e também respondendo questões que me foram feitas ao longo dos anos: “Como se liga tijolo à madeira? Por que se chama cimento queimado? Pintura com pó de tijolo? Pode-se impedir a friagem que vem do chão? O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei escrever um livro que pudesse ajudar aos que trabalham com arquitetura, mostrando detalhes de <a title="Obras do arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> artesanais e também respondendo questões que me foram feitas ao longo dos anos:</p>
<p>“Como se liga tijolo à madeira? Por que se chama cimento queimado? Pintura com pó de tijolo? Pode-se impedir a friagem que vem do chão? O que faz um arco ou uma abóbada terem tanta resistência? O que é  piso hidráulico? Não há uma maneira mais moderna de se colocar fios e canos sem quebrar as paredes? Aquela rachadura assim-assim é grave? O que é marchetaria, clerestório etc.”</p>
<p>Depois de umas tantas páginas percebi que tinha uma espécie de manual  prático, desisti. À maioria dos profissionais da área, que  trabalham  com outras técnicas e resultados, seria um trabalho tão original quanto  inútil; aos outros, estes quantos me perguntaram e os que não tiveram oportunidade, provavelmente nem saberiam da existência deste “manual”</p>
<p>Um velho fundidor de sinos musicais não conseguiu ensinar nem ao filho, nem ao neto seu ofício. Um foi ser jornaleiro, o outro jornalista. Não há mais lugar para  sinos. As igrejas são galpões, as aldeias tribos ligadas  pelo éter&#8230; E o tanger dos sinos vai ficando só na memória, subtituídos  pelos ruidosos alto-falantes. Os dedos elegeram os teclados e esqueceram-se de acariciar.</p>
<p>“Ei Viola,  pára com isso, não sobe em mim!”, “Sabe quem morreu?”, “O mundo tá se vingando” , “Queria mudar de vida&#8230;” , “Nossa, coitada, teve trigêmeos”.</p>
<p>Se alguém se perguntar o que isso tem a ver, mato a curiosidade já: não sei como, nem porque isso apagou o que estava por atrás.<strong><br />
</strong></p>
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		<title>Uma simples Crônica, nada a ver com Arquitetura</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 20:12:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O dicionário diz que crônica se trata de uma narrativa de fatos seguindo a ordem cronológica do tempo. Eu diria que é simplesmente uma história que não se pode perder, contada do jeito de quem conta a partir de um fato real, como esta: Uma amiga passou numa loja de produtos de limpeza, dessas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O dicionário diz que crônica se trata de uma narrativa de fatos seguindo a ordem cronológica do tempo. Eu diria que é simplesmente uma história que não se pode perder, contada do jeito de quem conta a partir de um fato real, como esta:</p>
<p>Uma amiga passou numa loja de produtos de limpeza, dessas de periferia, que vendem tudo sem marca em embalagens  pet de litro, e perguntou à prestativa atendente se ela não trocaria garrafas vazias por produtos do seu interesse. A expert  vendedora, disse: &#8220;Claro, nós precisamos muito de embalagens, trás aqui que fazemos negócio!&#8221;</p>
<p>Não deu outra, minha amiga voltou pra casa e recolheu tudo que tinha de garrafas vazias de coca-cola e outros refrigerantes. Tinha na garagem, num quartinho, num depósito&#8230;  Passou mais de hora catando e levando pro tanque. Dia seguinte ficou a tarde inteira lavando-as com detergente, chacoalhando, enxaguando três vezes com água limpa . As mais sujas teve que usar sabão em pó, Veja etc. Ficou morta, mas o que importa é que ficaram reluzentes.</p>
<p>Dia seguinte chamou a filha adolescente pra ajudar a pôr as ditas nuns sacos de lixo. Um, dois, três sacos&#8230; encheu o porta-malas do carro. Depois encheu o banco traseiro também. Manobrando o carro, sem ver nada pelo retrovisor, bateu no banco de madeira que tinha no pátio. Puta susto, desceu &#8230;&#8221;Ah, bobagem, não foi nada, só a lanterna. O banco quebrou no meio, mas também pra que servia se ninguém sentava nele?&#8221;.</p>
<p>Apesar dos pesares tava feliz da vida fazendo algo ecológico, dando uma utilidade pras garrafas recicláveis que nunca reciclam.</p>
<p>Na lojinha: &#8220;Oi, lembra de mim? Estive aqui anteontem, trouxe as garrafas de pet, você não quer contar?&#8221; A balconista &#8220;claro, trás aqui que não posso sair da loja&#8221;. O carro, estva estacionado a uma quadra, e lá foi ela trazendo de &#8220;dois em dois&#8221; os enormes sacos pretos, enquanto a mocinha contava: &#8220;102, 103, 104&#8230; Nossa, quantas! E tão superlimpinhas&#8230;&#8221;</p>
<p>No final, 152 garrafas de pet. Minha amiga transpirava exaurida.</p>
<p>&#8220;O que você vai levar?&#8221; Perguntou a vendedora a minha amiga, que apontou pra prateleira: &#8220;Tenho cachorros, pensei nesse desinfetante, é bom?&#8221;</p>
<p>&#8220;Ninguém reclamou até hoje, só vai querer isso?&#8221; Falou a mocinha.</p>
<p>Minha amiga: &#8220;Também pensei&#8230; mas pera aí, quanto vai dar pelas minhas garrafas?&#8221;</p>
<p>A balconista, com a máquina de calcular na mão: &#8220;152 x.. Dá 4 Reais e dez centavos, o desinfetante é só 3 Reais, ainda sobra 1 Real e dez centavos, que mais vai levar?&#8221;</p>
<p>Chegando em casa, a filha perguntou: &#8220;Oi mãe! Nossa, que cara! Que aconteceu?&#8221;</p>
<p>Ela trouxe o desinfetante, um sabonete de enxofre e duas moedinhas de 5 centavos. Quebrou a lanterna do carro, o banco que ninguém sentava, gastou dois litros de gasolina, 1/2 pacote de sabão em pó, 1 litro de Veja, e uns 500 litros de água. E  disse pra filha: &#8220;O Meio-Ambiente que se foda!&#8221;</p>
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		<title>A arquitetura moderna envelheceu com os modernistas</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 23:17:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ah&#8230; Sr. Oscar Niemeyer, torço pela sua saúde, admiro sua tenacidade, seu espírito de eterno guerreiro, sua bondade com os necessitados, é mais que um grande arquiteto, construiu sua história não só pela arquitetura, mas pelas ações como ser humano. O Sr. tem um conjunto de obras como nenhum outro vivo, mas aquele “Olho” em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ah&#8230; <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer?referer=');">Sr. Oscar Niemeyer</a>, torço pela sua saúde, admiro sua tenacidade, seu espírito de eterno guerreiro, sua bondade com os necessitados, é mais que um grande arquiteto, construiu sua história não só pela arquitetura, mas pelas ações como ser humano. O Sr. tem um conjunto de <a title="Obras Arquitetura pós-moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> como nenhum outro vivo, mas aquele “Olho” em Curitiba..! As fotos publicadas mostravam uma poesia, mas fotografias são mesmo doces mentiras, podem mostrar uma flor no campo ao lado de um soldado morto, quem saberia? De perto, esse “Olho” mais parece um peixe num pedestal enorme. Cadê a leveza com aquele pilar que ocupa um terço da obra?</p>
<p>Fiquei muito frustrado ao ver esse peixe. Obra mal feita, a concordância das curvas dos corrimãos das rampas é lastimável, na verdade aquilo é horrível. É certo que arquitetura é surpresa, e é difícil criticar alguém que é um ícone na arquitetura mundial, mas não vou guardar minha opinião num cofre.</p>
<p>Certa ocasião, num debate ao vivo, vi o arquiteto modernista, que fez o projeto da Estação da Sé do metrô de SP, quase humilhar o arquiteto <a title="Arquiteto Eolo Maia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89olo_Maia" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/_C3_89olo_Maia?referer=');">Eolo Maia</a>, que mostrava suas <a title="Arquitetura pós-moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras pós-modernas</a> lúdicas, curiosas, criativas, inseridas no espaço com rara sensibilidade. Desde então passei a olhar a “modernidade” envelhecida e cansada, díspar com o entorno, com outros olhos.</p>
<p>Caso desse “Olho” construído muitos anos depois do projeto original.</p>
<p>Independemente do valor estético, <a title="Obras Públicas" href="http://www.paulovilela.com.br/por-que-nao-fiz-obras-publicas/">obras públicas</a>, como diz o nome, são feitas com o dinheiro do povo, não dos governantes. Não adianta a dureza do concreto se vaza água aonde não deve. País tropical com o gradiente de temperatura variando até 20 graus num mesmo dia não há impermeabilização que aguente mais que uns poucos anos, e tudo tem que ser refeito.</p>
<p>O <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:Finlandia_Wiki.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/en.wikipedia.org/wiki/File_Finlandia_Wiki.jpg?referer=');">Finlândia Hall</a>, parlamento em Helsinque, de outro modernista não menos famoso, <a title="arquitecto finlandês " href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alvar_Aalto" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Alvar_Aalto?referer=');">Alvar Aalto</a>, tinha em 1986, dez anos após sua morte, a fachada toda embrulhada numa tela pra não despencar o mármore de carrara que mais parecia com tábuas tortas.   Nem acreditei quando olhei aquilo, o mármore empenado com o frio de Helsinque. Naquele momento lembrei que não muito distante dali, em São Petesburgo, os russos embrulham as estátuas com palha e madeira, esvaziam as fontes há mais de duzentos anos pra não racharem.</p>
<p>Não faltaria observação por parte dos puristas do modernismo das leis da natureza e respeito com  o dinheiro público?  Tenho a impressão que a forma lhes basta, mas se a tecnologia das proteções e dos acabamentos não acompanhou os vôos do imaginário deles, nem eles mudaram sabendo dos problemas, está mais que na hora de se repensar esse modernismo exaurido.</p>
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		<title>Por que não fiz Obras Públicas?</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 15:50:32 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Bem que tentei pela vias formais, convite nunca recebi, amigo do Rei também não sou. Mas trabalho como arquiteto desde criança, quando fazia maquetes de cartolina das obras do arquiteto Oscar Niemeyer (Ed Copan, obras de Brasília etc.), que aliás eram bem mais fáceis do que as do engenheiro Ramos de Azevedo (Teatro Municipal de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem que tentei pela vias formais, convite nunca recebi, amigo do Rei também não sou.</p>
<p>Mas trabalho como <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquiteto</a> desde criança, quando fazia maquetes de cartolina das obras do arquiteto <a title="Oscar Niemeyer" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer?referer=');">Oscar Niemeyer</a> (Ed Copan, obras de Brasília etc.), que aliás eram bem mais fáceis do que as do engenheiro <a title="Engenheiro Ramos de Azevedo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Paula_Ramos_de_Azevedo" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Paula_Ramos_de_Azevedo?referer=');">Ramos de Azevedo</a> (Teatro Municipal de São Paulo, Casas da Av. Paulista, etc.).</p>
<p>Só tinha uma tesoura sem ponta, umas cartolinas e uma cola que não grudava, e uma vocação. Diziam que tinha jeito, mas até a universidade muita coisa se passou e nem sei porque acabei num curso de Engenharia Mecânica, lá ficando até ter que desenhar à mão a rosca de um parafuso, quando me imaginei fazendo isso pro resto da vida. Mudei pra Engenharia Civil &#8212; antes desenhar escadas e telhados que parafusos!</p>
<p>Nunca gostei da Escola e seus métodos arcaicos de ensino, que me trouxeram pesadelos por anos, até  mesmo depois de formado. Cheio de dúvidas,  estudei análise de sistemas, arquitetura, e lembro quando tive que tomar uma decisão e fui ao <a title="CREA" href="http://www.creasp.org.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.creasp.org.br/?referer=');">CREA</a> (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) ler num livrinho, que as atribuições legais do Arquiteto e do eng. Civil eram as mesmas. Decidi então terminar o que já estava no fim, e acreditei que o que li fosse verdade.</p>
<p>Hoje não digo que não fosse, era uma meio verdade &#8212; podia como posso fazer tudo como arquiteto, além de calcular, projetar estruturas etc., mas quando quis entrar num concurso público não consegui me inscrever por não ter a carteirinha do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). Tentei novamente e sempre esbarrei nessa impossibilidade, desisti. Mas nunca deixei de pensar que se um Órgão de Classe enquadrasse escritores, obrigando-os, como fizeram durante anos com os jornalistas a se diplomarem em Letras, os maiores escritores do país, na minha opinião, Guimarães Rosa,  Euclides da Cunha e Clarice Lispector estariam excluídos e não poderiam publicar nada.</p>
<p>Discussões à parte sobre  Órgãos reguladores, penso que a formalidade que cuida da especificidade é no mínimo uma grande bobagem, que só diminui o universo do homem fazendo-o pensar que sabe mais do que sabe ao subverter o verdadeiro conhecimento.</p>
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		<title>Arquitetura do Vento</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 14:42:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Atrás de casa tinha uma árvore, atrás da árvore tinha uma pedra, atrás da pedra não tinha nada. Todo dia eu olhava e não tinha nada. Um dia pensando que não tinha nada, vi a sombra de uma menina sentada. Olhei pra cima, aonde ela estava? &#8212; Bom dia, que fazeis aí solitária? Ela moveu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Atrás de casa tinha uma árvore,</p>
<p>atrás da árvore tinha uma pedra,</p>
<p>atrás da pedra não tinha nada.</p>
<p>Todo dia eu olhava e não tinha nada.</p>
<p>Um dia pensando que não tinha nada,</p>
<p>vi a sombra de uma menina sentada.</p>
<p>Olhei pra cima, aonde ela estava?</p>
<p>&#8212; Bom dia, que fazeis aí solitária?</p>
<p>Ela moveu a cabeça, mas não disse nada.</p>
<p>Era um mês de agosto, ventava&#8230;</p>
<p>E aquela menina que ia não era nada,</p>
<p>só um esboço da árvore que desenhava.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Arquitetura moderna, o admirável mundo novo!</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Sep 2009 12:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De alguma forma o modernismo na arquitetura pretendeu socializar a habitação e a arte, valorizar os espaços coletivos, baratear o custo das obras retirando o supérfluo, enfim utilizando-se de recursos tecnológicos dividir melhor o &#8220;bem-estar&#8221;. E logo me recordo da ficção &#8220;O  Admirável Mundo Novo&#8221; do Aldous Huxley, que mostra o homem mais feliz quando sem contestação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De alguma forma o modernismo na arquitetura pretendeu socializar a habitação e a arte, valorizar os espaços coletivos, baratear o custo das <a title="Obras Arquitetura Pós-Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> retirando o supérfluo, enfim utilizando-se de recursos tecnológicos dividir melhor o &#8220;bem-estar&#8221;. E logo me recordo da ficção <span style="font-weight: normal"><a title="Admirável Mundo Novo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Admir%C3%A1vel_Mundo_Novo" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Admir_C3_A1vel_Mundo_Novo?referer=');">&#8220;O  Admirável Mundo Novo&#8221; </a></span>do Aldous Huxley, que mostra o homem mais feliz quando sem contestação nasce e vive pra cumprir funções específicas, aonde ninguém puxa o tapete de ninguém nem inveja o outro, algo que imagino seja parecido com a divisão social num formigueiro. Mas tenho certeza que o autor não propôs este caminho nem em sonho porque chorou quando descendo do avião viu Brasília à época da sua inauguração.</p>
<p>Obviamente é consenso que todos tem que ter um teto decente, meta de qualquer governo que se preze, e os projetos modernistas foram executados sistematicamente no século passado, não obstante a maioria ser capenga nos seus princípios fundamentais. Temos isso aqui no Brasil e também na maior parte do mundo.Talvez ao longo dos anos algumas das idéias que fundamentaram o modernismo na arquitetura tenham se perdido, <span style="text-decoration: underline">quando o &#8220;igual&#8221; do ideário se transformou no &#8220;igual&#8221; mal feito, que visou metas políticas ou de lucro fácil.</span> E assim, como nada é eterno, a arquitetura modernista foi dando espaço a outras formas e pensamentos, que vai ocupando esse espaço meio vago, sem uma ordem formal, e por também não ter um nome apropriado é chamada de arquitetura pós-moderna, essa que tem várias caras &#8212; desconstrutivista, brutalista, lúdica, futurista etc.</p>
<p>O que mais isola e  exclui o indivíduo é a desigualdade econômica, não a diversidade e a liberdade de expressão em qualquer das suas formas. Não seríamos nem melhores, nem mais felizes numa sociedade como a ficção do Huxley, isso na prática é puro facismo. O homem não é uma barata e não se adapta bem às situações que lhes são adversas por longa data. Ao Estado pode caber  o pensamento,  que há mais dignidade  morar num conjunto habitacional, seja qual for,  que  viver sob uma ponte. No entanto essa &#8220;dignidade&#8221; vista à distância não traduz o grau de felicidade do indivíduo.</p>
<p>Os conceitos básicos do modernismo impregnados até hoje nos mecanismos públicos sempre consideraram o homem  no coletivo, até porque é difícil ver isso de outra forma, mas cada qual é único nos desígneos da sua vida e não é factível, sem seu consentimento,  a qualquer outro escrever o seu destino. Por isso a maioria não privilegiada ainda prefere morar nos seus &#8220;puxadinhos&#8221; que nos conjuntos &#8220;impessoais&#8221; feito às pressas.</p>
<p>Outra coisa são os mega-projetos modernistas,  caso da cidade planejada de Brasília, que ao fim da obra perguntaram  ao urbanista Lúcio Costa, criador da cidade,  se ele não sabia que os milhares de &#8220;candangos&#8221; ficariam por ali mesmo nas cidades satélites (cujo conceito de moradia era  o oposto da modernidade).  Ele respondeu que Brasília tinha casas pras pessoas morarem, e que este era um poblema de revolução e não de arquitetura.</p>
<p>Como se ele não soubesse que a realidade era essa! O que eu penso disso? Penso que tudo é muito difícil, vivemos numa sociedade injusta, desigual nas oportunidades, e nada que é feito no papel por meia dúzia de gatos vai ser a solução  para as muitas dúzias de ratos.</p>
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		<title>O que é o Pós-Moderno?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 05:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muitas discussões e discordâncias entre os teóricos sobre a pós-modernidade. O sufixo pós significa depois, após, e em si daria um fim ao movimento modernista, que nasceu no início do século passado, e que  rompeu com a arte individual, captando os &#8220;ares&#8221; da industrialização e tecnologias crescentes. Há arquitetos modernistas que  recusam quaisquer movimentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muitas discussões e discordâncias entre os teóricos sobre a <a title="O que é Pós-modernidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/P_C3_B3s-modernidade?referer=');">pós-modernidade</a>. O sufixo pós significa depois, após, e em si daria um fim ao movimento modernista, que nasceu no início do século passado, e que  rompeu com a arte individual, captando os &#8220;ares&#8221; da industrialização e tecnologias crescentes.<br />
Há <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquitetos</a> modernistas que  recusam quaisquer movimentos que surgiram ao longo dos anos, como se nada de novo ou importante aconteceu. É evidente  que nenhum movimento tem ou teve a  força daquele, que apagou o passado. Nem por isso pode-se desprezar a existência de novas idéias.</p>
<p>O que se chama de pós-moderno é a miscelânia eclética  que já tem lá seus 40 anos, e que vê sua inspiração na história e  na humanização não coletiva ao quebrar os preceitos de massa do movimento modernista,  democratizando as possibilidades,  e trazendo o indivíduo com suas desigualdades naturais de volta ao mundo. Esse estilo sem estilo não segue regras pré-estabelecidas por nenhuma teoria que pretendeu determinar um caminho formal para o coletivo.</p>
<p>O pós-moderno recusa a industrialização robotizada, que nem barateia como se pretende, nem ajuda o planeta em nada, muito ao contrário. Não sou um teórico das artes, nem estudioso de sociologia, nem sei porque dão nomes a tudo, apenas herdei um gene anárquico que não suporta ver um indivíduo, como se fosse um enviado de deus, escolher o que é melhor a milhares. E acho deprimente  olhar as cidades e ver seus   cubos de vidro super-originais, iguaizinhos à maioria.</p>
<p>O pós-moderno nas suas muitas e diferentes tendências espanta, encanta, navega no futuro, no avesso; em algumas obras redescobriu a oficina, a janela que abre, a alegria, a cor.</p>
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		<title>ARQUITETURA &#8212; ESTÉTICA E FUNCIONALIDADE</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 04:21:42 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A finalidade básica da arquitetura é dar ao homem abrigo das intempéries, do calor ou frio excessivos, e também conforto estético se possível. Mas essa questão é muito ampla e subjetiva, porque cada homem é absolutamente único e porque o belo não é um conceito universal (creio que um pigmeu daria nota zero a qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A finalidade básica da arquitetura é dar ao homem abrigo das intempéries, do calor ou frio excessivos, e  também conforto estético se possível. Mas essa questão é muito ampla e  subjetiva,  porque cada homem é absolutamente único e porque o belo não é um conceito universal (creio que um  pigmeu daria nota zero a qualquer miss universo).</p>
<p>Não obstante, quem consegue  passar do básico e chegar à uma moradia propriamente dita, certamente vai enfeitá-la, pintar com as cores do seu agrado, pôr pedras no entorno etc., o que me faz pensar que, de alguma maneira, estética faz parte da vida de todos, ainda que não entre no sonho ou caiba no bolso da maioria.</p>
<p>Não importa se é uma casinha, um super-edifício ou uma obra institucional.  Por mais bela, curiosa, original, surpreendente que seja uma obra, se chove dentro não cumpre sua função básica. O mesmo vale para um ambiente muito frio, úmido ou quente demais, que expulsa seu usuário porque teve aberturas mal pensadas, e que  só pode ser corrigido com o uso de fontes  externas de energia, e em alguns casos nem pode. E nessa questão térmica a maioria das <a title="Arquitetura Pós Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> é inadequada, até as chamadas &#8220;inteligentes&#8221;, que com  tecnologia de ponta inventam ambientes confortáveis, mas no  fundo  são bem &#8220;burrinhas&#8221;, porque num planeta com recursos finitos inteligente é o que guarda, não o que esbanja energia.</p>
<p>Arquitetura não deve só encantar, surpreender fugindo do &#8220;pão de forma&#8221;, mas ter presente que o prazer vai além do olhar &#8212; não se engana a pele, que é o estar bem, o sentir-se bem, sem o quê a arquitetura não cumpre seu papel.</p>
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		<title>Casa Fácil</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 06:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Casa fácil não tem. Tem casa mal feita. Não importa o estilo, tamanho, o tempo pra se fazer ou o custo,  uma obra é sempre uma obra e depende de várias pessoas. Não digo que o planejamento de uma construção seja inútil, mas obras não são executadas por tabelas coloridas nem podem ser feitas num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Casa fácil não tem. Tem casa mal feita.</p>
<p>Não importa o estilo, tamanho, o tempo pra se fazer ou  o custo,  uma <a title="Arquitetura Pós Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obra</a> é sempre uma obra e depende de várias pessoas. Não digo que o planejamento de uma construção seja inútil, mas obras não são executadas por  tabelas coloridas nem podem ser feitas num leptop.</p>
<p>Obras  são realizadas por pessoas que usam mais as mãos que os dedos, e de nada vale um bom planejamento se os envolvidos diretamente  na construção não tiverem <strong>qualidade</strong>.</p>
<p>Quem estiver pensando em construir preocupe-se mais em olhar os que vão pôr a mão na massa, como quem viaja de avião ou navio deve prestar mais atenção no comandante.</p>
<p>Aeronave cai, embarcação afunda. Casa pode não cair, mas sem um encarregado, um mestre, um eletricista consciente da sua função etc., independentemente de todos os outros fatores, é dor de cabeça na certa.</p>
<p>Dinheiro se gasta igual e é muito mais fácil fazer mal feito.</p>
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		<title>Até que ponto a arquitetura pode ajudar a solucionar o caos das grandes cidades?</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 01:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Arquitetura não é nada diante da burocracia e do poder econômico, que é quem dita os rumos de uma cidade, de um país. Dou um exemplo simples: temos um espaço razoável, mais ou menos livre, de propriedade privada, à espera de uma melhor valorização. O Estado pode adquiri-lo por um preço razoável e transformá-lo numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Arquitetura não é nada diante da burocracia e do poder econômico, que é quem dita os rumos de uma cidade, de um país. Dou um exemplo simples: temos um espaço razoável, mais ou menos livre, de propriedade privada, à espera de uma melhor valorização.</p>
<p>O Estado pode adquiri-lo por um preço razoável e transformá-lo numa praça com equipamentos de lazer, oficinas, teatro etc. Para isso é necessário um projeto de lei e grandes discussões sobre prioridades do orçamento público. Num estado pobre sempre haverá falta de recursos básicos (saúde, iluminação, redes de abastecimento de água etc).</p>
<p>Ninguém viu começar e já temos mais um conjunto de edifícios ou um shopping center. O planejamento público está sempre atrás de mega-soluções para os mega-problemas, uma corrida perdida se os rumos do desenvolvimento não forem mudados. Isso é válido para todos os cantos, obviamente agravado com a pobreza. Se não for o homem a razão do Estado, não vai ser a arquitetura, a psicologia, a medicina que podem ajudar.</p>
<p>As grandes cidades brasileiras crescem nas periferias como tinta derramada sobre um mapa, que ironicamente damos o nome de &#8220;manchas urbanas&#8221;, independentemente das leis que tentam reger o seu crescimento. Como controlar o incontrolável?</p>
<p>Diante da crescente violência causada por essa mudança rápida da história recente, que fere aos cidadãos de todas as classes,  só imagino em cada cidade, em toda cidade,  sentados numa grande mesa os maiores empresários, pensadores, políticos (?) etc., diante da única questão possível, que deve se iniciar com o &#8220;Nós somos responsáveis por isso&#8230;&#8221;</p>
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		<title>Arquitetura da Miséria</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 13:07:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo. Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria, uma das paragens mais horríveis do mundo. Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo.</p>
<p>Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria,  uma das paragens mais horríveis do mundo.</p>
<p>Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, e sem o <a title="O que é Sincretismo?" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo?referer=');">sincretismo</a> simplório que mistura tudo, a arquitetura da miséria tem lá suas semelhanças com a Costa Amalfitana. Como aquela, também não segue as normas fixadas pelos doutos que criam os parâmetros do urbanismo.  É anárquica em todos os sentidos, porque também não segue as regras formais da construção, nasce de uns riscos no chão, sobe rápido porque é simples, tudo perfeitamente de acordo com um único parâmetro &#8212; a necessidade e a  falta de recursos.</p>
<p>Ao contrário da arquitetura formal, onde o engenheiro e o <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquiteto</a>, além, claro, do proprietário, quebram a cabeça pra criarem um dormitório a mais, levando em conta os acessos, as leis etc., a arquitetura da miséria é extremamente dinâmica, e é modificada a cada rebento que nasce, quase uma “obra aberta”. Houvesse uma palavra que definisse esse estilo <em>sem estilo</em>, poderia ser a “arquitetura do puxadinho”.</p>
<p>Não dá certo escada por dentro, come o espaço da TV? Sem problemas&#8230; escada pra fora.  Chove quando sobe? Sem problemas&#8230; mais um “puxadinho”.</p>
<p>Mais original que as <a title="Obras Arquitetura Pós-Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> da realeza, esse conjunto cinza de blocos de cimento e telhas de fibro-cimento, sem acabamento, sem detalhes, que sobe e desce montanhas, é horrível no seu todo não por falta de criatividade,  falta cor!</p>
<p>Imagino se em vez de se colocar tapumes nas avenidas pra esconder os “puxadinhos”, como fez o Lacerda no Rio de Janeiro,  o Estado transferisse recursos inúteis, como por exemplo,  do Senado. Ou os bancos fizessem um esforcinho&#8230; Imagino todos os milhares de “puxadinhos” do país com paredes rebocadas e pintadas com a cor da vontade de cada um&#8230;  E teríamos uma estética anárquica, que fugiria da mesmice,  única no mundo dado as proporções. Cor é alegria, bem estar, transforma as pessoas, e isso não é uma gozação, muito menos uma piração, mas alguém vai dizer que é tampar o sol com a peneira, que o problema é muito mais em baixo num país que falta tudo, como se eu não soubesse.</p>
<p>Num Estado de parlamentares e governantes meia-bocas estamos muito longe de substituir os &#8220;puxadinhos&#8221;  por algo mais digno, não obstante há leis de incentivo à cultura, museus, estátuas em praças públicas. O que é esse esforço estético se não para o deleite da alma humana, enfeites que encantam ou enfeitiçam, que têm o poder de transformação? Então por que não colorir e dar vida aos &#8220;puxadinhos&#8221;?</p>
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		<title>Arquitetura da Destruição</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 06:21:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Arquitetar é um verbo que se conjuga e não é mais propriedade exclusiva da arquitetura. Nem pensei num filme sobre o nazismo, mas num texto do arquiteto italiano Paolo Portoghesi (que à época da destruição da torres gêmeas, disse que, implicitamente, a arquitetura americana preconfigurava a violência dos ataques), quando alguém me proibiu de fumar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Arquitetar é um verbo que se conjuga e não é mais propriedade  exclusiva da arquitetura.</strong></p>
<p>Nem pensei num filme sobre o nazismo, mas num texto do arquiteto italiano Paolo Portoghesi (que à época da destruição da torres gêmeas, disse que, implicitamente, a arquitetura americana preconfigurava a violência dos ataques), quando alguém me <span style="color: #3366ff"><a title="Lei Anti-Fumo" href="http://www.leiantifumo.sp.gov.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.leiantifumo.sp.gov.br/?referer=');">proibiu de fumar</a></span> só por estar próximo a um “café” , dizendo que os fiscais do Estado podiam interpretar como estando num espaço coletivo.</p>
<p>Não tenho mais dez anos e acho que sei aonde isso pode ir. Quem  não se recorda quando um grupo desses “gênios”  da matemática econômica, na segunda metade da década de 80, na tentativa de conter a inflação, <span style="text-decoration: underline">arquitetou</span> o Plano furado, digo cruzado. Quem não se lembra da economista portuguesa <span style="color: #3366ff"><a title="Maria Conceição Tavares" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_Conceição_Tavares" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_Concei_o_Tavares?referer=');">Maria Conceição Tavares</a></span>, destilando em prantos na TV quando a vaca foi pro brejo?  Ou das milhares de donas de casa em “estado de graça”, que trabalharam de graça como fiscais do Sarney?<span style="text-decoration: underline"> Aonde foi essa economista, aonde foram essas dedicadas e prestimosas cumpridoras do dever cívico, que emprestaram suas imagens pras TVs?</span> Também não sei, mas  sei é que tem algo de assustador nessa fiscalização coletiva não meio sem termo, mas sem meio termo, sem reflexão, sem ponderação.</p>
<p><span style="text-decoration: underline"> </span>Um ex-fumante não raramente age como um religioso fundamentalista e o O  Estado<span style="text-decoration: underline"> arquiteta</span> tudo de acordo com suas necessidades políticas/econômicas e não está preocupado com a saúde de ninguém! Está sim com a grana &#8220;a mais&#8221; que pode gastar pra cuidar da saúde dos fumantes. Mas amanhã   poderemos ter um ex-alcoólico na política, que se imbuído de uma verdade  messiânica pode brigar de foice com a bebida, e os adoradores do álcool terão que levar suas garrafas e latinhas pra solidão dos seus cantinhos particulares. Não é uma idéia de girico, consumidores de álcool têm probelemas de saúde mais cedo ou mais tarde, e vão onerar igualmente ao Estado, além do que, quando embriagados, cometem assassinatos e aleijam pessoas com suas mentes e carros desgovernados!</p>
<p>Bafo de bebum à distância não é tão desagradável quanto a fumaça de um cigarro que incomoda quem não a tolera, mas isso é um problema de educação. Agora, proibir o cidadão de fumar em lugares abertos, semi-abertos, e a interpretação confusa e cheia de paúra dos donos dos estabelecimentos comercias&#8230; é demais! Essa “preocupação” do Estado com a saúde dos que não fumam é tão bizarra, que o ar deveria ter outra nominação no “Pai dos Burros”, uma vez que essa mistura gasosa invisível e inodora, que deveria conter aprox. ¼ de Oxigênio está longe de ser o “ar” que respiramos há muito tempo, isso vale pra cidade, pro planeta!</p>
<p><strong>Cigarro faz mal à saúde? Nem o presidente da empresa fabricante diria ao contrário.</strong> Mas o Estado não diz toda verdade ao povo!  Não diz que o malcheiroso ar urbano com gás carbônico em excesso, tetraetila de chumbo, sulfetos e material particulado, é  extremamente nocivo à saúde. Não diz  que a água clorada que fornece à população não dá dor de barriga, mas vem com cadeias carbônicas cancerígenas como benzipireno etc. Não diz  que o uso indevido de sal e de açúcar causa mais complicações futuras  à saúde que todos os vícios juntos. O Estado, de acordo com a conveniência, é o Rei da Mentira, compra os meios de comunicação formadores de opinião e faz das pessoas marionetes, que logo incorporam o que escutam como verdades absolutas. Aonde aprendemos a beber e a fumar se não nos exemplos da própria Mídia, quando p.ex. fumar era chic e não brega?</p>
<p>Se  houvesse mesmo alguma preocupaçao com a saúde, o departamento de trânsito cuidaria dos seus guinchos com seus rolos de fumaça preta, que nos afronta, e teria que retirar de circulação metade do que roda na cidade.  Se houvesse mesmo preocupação com as pessoas,<span style="text-decoration: underline"> o Estado daria educação antes de tudo. A liberdade não está na ignorância</span>!</p>
<p>Só falo de tolerância, isso que falta nas pessoas, no planeta! Não estou dizendo que fumar faz bem, nem que beber é ruim, que não se deva ter mais prazer com a comida e seus condimentos. Falo da hipocrisia, da mentira, da autocracia, essa que com o auxílio da Mídia cria fantasmas e doentes sem cura! <strong>Isso que lesa a pátria,  essa que é a Arquitetura da Destruição.</strong></p>
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		<title>O Celular na Arquitetura</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 13:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje estive numa obra e fiquei impressionado quando vi os pedreiros  programando seus celulares. Eles põem músicas, põem créditos, jogam, mas não sabem Pitágoras, taboada, nem mesmo ler plantas. Habilidade é algo curioso como inteligências múltiplas. Recordo do Bernard Shaw dizendo que não entendia nada de números, nem fazendo a prova dos nove tinha certeza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje estive numa <a title="Obras Arquitetura Pós-Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obra</a> e fiquei impressionado quando vi os pedreiros  programando seus celulares. Eles põem músicas, põem créditos, jogam, mas não sabem Pitágoras, taboada, nem mesmo ler plantas.</p>
<p>Habilidade é algo curioso como inteligências múltiplas.</p>
<p>Recordo do<a title="Quem é Bernard Shaw?" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/George_Bernard_Shaw" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/George_Bernard_Shaw?referer=');"> Bernard Shaw</a> dizendo que não entendia nada de números, nem fazendo a prova dos nove tinha certeza do resultado, mas sobre o idioma que escrevia só pedia ajuda ao dicionário quando precisava de um terceiro sinônimo.</p>
<p>Verdade que o mundo é cheio de inutilidades as quais abandonamos por não ver sentido algum, mas estranho não são as escolhas que o inconsciente faz, que tornam mais fáceis isso que chamamos de habilidades, estranho são as inabilidades com o trabalho que se escolhe.</p>
<p>Um escritor tem que conhecer e gostar das palavras, ninguém pode ajudá-lo nessa tarefa. Difícil imaginar um livro escrito por quem detesta a escrita.</p>
<p>Trabalhar numa obra, seja pedreiro, marceneiro, serralheiro, é preciso saber um pouco mais que a aritmética básica que serve à maioria (inclusive ao escritor), mas o que se vê é algo muito diferente &#8212; estão lá porque lá estão&#8230; e de um jeito ou de outro são os que constróem, que destróem.</p>
<p>Mal remunerados que são, jogam dinheiro fora que não vêem, dos outros, claro. Falta escola, claro, mas fico pensando se aprender a usar nível, esquadro e prumo, que é o básico na engenharia e arquitetura, não teria um jeito de vir disfarçado num joguinho qualquer de um Celular.</p>
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