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	<title>Paulo Vilela &#187; cão</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>Três apara pela primeira da matança!</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 01:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso? &#160; Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar de não achar que é. Isso é coisa de homem. Mulher e cão, sem chance!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O quê? Pára com isso. Falo do sexo masculino, não coisa de macho ou chauvinismo. Alíás, coisa de guri, não de guria, assim fica melhor. Mas que é encrencado, isso é: “Três apara pela primeira da matança” &#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não sei quem inventou, nunca me perguntei, mas repeti milhares de vezes, às vezes calmo, às vezes muito bravo e raivoso. Numas tantas matei o cara, em outras não tive habilidade ou sorte. Mas se em muitas vezes não matei na hora, matei depois. Na vida é assim, se nem sempre saímos vencedores, nem sempre também somos perdedores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tá entendendo, Tom? Tudo é jogo, ou de regras pré-estabelecidas ou do destino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Três apara pela primeira da matança” é o grito de quem tem caráter, a suprema justiça (nada a ver com Supremo Tribunal da Justiça) pra fazer valer o que é correto no exato momento que a desonestidade mostra a cara. E se ainda assim dito não resolve, aí o “Três apara pela primeira da matança” é cumprido à risca,  é o tudo ou nada pra quem tá com a corda no pescoço. Qualquer menino do tempo que computador pesava uma tonelada sabia isso de cor, e todos que tem um mínimo de memória e não brincavam com bonecas ainda devem saber. Como o Google não pode resolver, explico por partes:</p>
<p><strong><em>Três</em></strong><em> </em>é três mesmo.</p>
<p><strong><em>Apara,</em></strong> terceira pessoa do singular do verbo aparar (no sentido de obstruir algo que se move)</p>
<p><strong><em>Primeira</em></strong> todo mundo conhece o que é.</p>
<p><strong><em>Matança</em></strong> é algo horrível mesmo, nunca associado à morte natural e ainda intimamente ligada ao mal. Ave! Guris viajam mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É mesmo difícil entender essa junção estranha de palavras sem entender as regras de um jogo de bolinhas de gude (vidro).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não foi você que perguntou, Tom? Então preste atenção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Num dos muitos tipos de jogos de bolinhas de gude, chamado de <strong>“box”</strong>, cava-se com uma tampinha de lata, dessas de refrigerante,  4 semi-esferas na terra batida, distanciadas 4 palmos uma das outras, usando como medida a mão do menino que no momento tem a maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mão de gente, Tom! Não adianta olhar pras suas patas, não tem nada a ver!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O jogo consiste em ir embocando a bolinha nos 4 buraquinhos, ida e volta, duas vezes. Completado o percurso chega-se à matança, momento que a bolinha assassina mata as demais só encostando nas outras, o que se deduz que quem chega primeiro à matança tem mais chance de levar a dos outros pra casa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas não é fácil não chegar lá. Todos trabalham contra pra impedir. Cada vez que a bolinha se aproxima, mas não cai no buraquinho, fica ali à espera da próxima vez, mas se o próximo jogador emboca tem o direito de “estecá-la” (esta nem no Houassis tem, verbo <strong><em>estecar</em></strong>, que se conjuga, mas não existe), que quer dizer mais ou menos dar uma estilingada com a bolinha de vidro soltando de uma vez o polegar preso no indicador. Há <strong><em>“estecadas”</em></strong> maravilhosas, que o som do vidro é igual pedrada em vidraça, que faz a bolinha do oponente ir a 5 ou 6 m de distância, e a do <strong><em>“estecador”</em> </strong> só roda em si mesmasem sair do lugar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você quer entender tudo, Tom? Falei que era complicado&#8230; Cão tem que ser cão, catso!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao jogo&#8230; Cada um só tem direito a uma jogada por vez, exceto se embocar no buraquinho, momento que pode seguir ao próximo ou, se quiser antes de seguir pode afastar as bolinhas que estão por perto,<em><strong> &#8220;estecando-as&#8221;</strong></em>. Ora, imagine estar longe 5 ou 6 m dos buraquinhos quantas jogadas se atrasa em relação aos demais, e isso ninguém deseja, aí entra o “Três apara pela primeira da matança”, que tem que ser dito instantaneamente quando se emboca no buraquinho ou os outros jogadores poderão dizer <strong><em>“paradinha</em></strong>”, e interromper a “<strong><em>estecada” </em></strong>com os pés a poucos palmos de distância.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem,Tom, isso de &#8220;paradinha&#8221; é uma grande sacanagem. Disso você não entende mesmo, mas o mundo é construído de sacanagem, deixa pra lá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, se mesmo dizendo antes a frase estranha, o cidadão, que ainda não era, e nem sei se seria, usar o pé&#8230;  Aí dançou. Na matança o <strong><em>“estecador”</em></strong> tem direito a três jogadas seguidas pra matá-lo, e normalmente o mata, exceto se for muito ruim de pontaria o<span style="text-decoration: underline">u se defrontar com alguma regra nova, que nunca se ouviu, inventada na hora pelos que não admitem morrer, digo perder</span>. E isso era o que mais tinha&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compreendeu agora, Tom?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E tem gente que pensa que político aprendeu de grande.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A COISA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/a-coisa/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Jul 2011 03:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados. Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei se foram os drumus ou os antuás que vieram de madrugada atrás das rádias. Acordei com a latição, acendi as luzes e saí de casa para ver as plantações, mas nada havia além da lua cheia e os cães alucinados.</p>
<p>Na semana anterior já quase não dormi, quando tranquei os cachorros na cozinha e fiquei tocaiado num galho da figueira à espera deles, que tampouco apareceram.</p>
<p>Não sei quem deu esse estranho nome a esses animais, nem de onde eles vêm ou aonde dormem, se é que dormem. Ninguém os conhece de verdade, mas é voz corrente que só eles podem digerir a rádia, essa coisa amarga e cheia de espinhos utilizada na fabricação do remédio pra combater a doença de chília.</p>
<p>Tive um parente com essa doença, vi seu sofrimento, e mais tarde sua cura total com o remédio feito da rádia. Fiquei curioso e pesquisei sobre essa estranha planta. Li tudo que encontrei sobre o assunto e também descobri que só uma única região do país é que se a cultiva, e que como as plantações de cravos ela necessita de muita água e cuidados especiais.</p>
<p>Pra quem não conhece, a rádia lembra um cactus de tom amarelado, que quando amadurece desabrocha uma única flor branca, de pétalas triangulares no topo do caule. Mas só tem valor comercial seu fuste, os brotos têm que ser erradicados no momento que nascem, motivo dos cuidados diários. A produção média semestral por família não passa dos 100kg de rádia seca, mas poderia ser quase o dobro sem os ataques dos drumus e antuás.</p>
<p>Recordo de alguém ter me dito <span style="text-decoration: underline">“Se não tem no Google, é porque não existe&#8230;”</span> Pois não tem no Google nem drumus, nem antuás, e ninguém que é vivo os conhece. Não caem nas armadilhas, e não há espantalho, agrotóxico, cão ou arapuca que os impeça de levar as rádias, que simplesmente desaparecem. Metade da produção fica com eles e isso ninguém aceita nem se conforma.</p>
<p>Por alguma espécie de fascínio por essa planta (obviamente não ouvira falar desses animais), numas férias resolvi visitar o local. E acabei adquirindo de imediato a propriedade de um ancião que mudou-se para a cidade depois da morte da esposa.</p>
<p>E se larguei tudo com extrema facilidade, não foi por saudades da roça, que nunca encabei uma enxada nem fui agricultor. Há coisas que não se explicam, mas igual a qualquer outro daqui também não me conformei com esses roubos, que já me fazia pensar em coisas que nunca imaginei.</p>
<p>No dia que cheguei de mudança já fui convidado pelos vizinhos para as reuniões de sexta à noite aonde eles discutiam esse problema há anos. Na casa de um dos moradores, uma espécie de bar,  entre umas cervejas e outras, &#8220;causos&#8221; e risadas, vão surgindo as idéias.</p>
<p>Era minha primeira aparição e cogitei se não eram aves noturnas, já que pelo chão não deixavam pegadas ou rastros, mas todos caíram na risada. Não entendi o porquê, também não me importei e logo percebi que idéias pra combatê-los nunca faltaram e já se tentara toda espécie de armadilhas &#8212;  buracos disfarçados com folhas, redes, arapucas com grades&#8230;</p>
<p>Certa vez, um dos moradores, engenheiro cheio de nove horas, criou uma câmara fotográfica acionada pelo latido dos cães e montou a tramóia no meio da sua plantação. Dia seguinte quando viu as fotos&#8230;  nada de drumus ou antuás, só seus cães e o vazio aberto no meio da plantação das rádias que faltavam.</p>
<p>Com o passar do tempo fui conhecendo melhor cada um deles. Alguns achavam que era perder tempo qualquer tentativa de detê-los, que por algum motivo devia ser coisa da providência divina, afinal todos tinham saúde e eram felizes. Sem largar dos copos ouvi de um grupo que tudo indicava ser coisa de alienígenas.</p>
<p>Como morador novo não entendia direito essa história, mas tinha comigo que isso não era coisa de quadrúpede, E.T. ou alma penada. Ninguém, nem gente, nem cão, foi ferido ou abduzido, e as rádias sempre foram arrancadas pela raiz, sem marcas de dentes ou algo similar.</p>
<p>E fui analisando minuciosamente o que ouvia nas reuniões, que entre outras coisas, uma ao menos parecia certa: só atacavam durante a madrugada e nunca durante as chuvas. Cartesianamente logo concluí que fosse quem fosse não  gostava de se molhar, e sem comentar nada, como água não faltava ali, montei um sistema que puxava água do rio criando uma chuva fina todas as noites na minha plantação.</p>
<p>Deu supercerto. Os cães não latiam mais, eu dormia a noite toda e ninguém roubava mais nada. Guardei segredo por dois meses, pois nunca gostei de acusar ninguém sem provas, isso é calúnia, mas já vinha fazendo anotações sobre a produção de todos e me chamou a atenção a do velho solitário que produzia mais que qualquer um, bebia mais que qualquer outro, detestava tomar banho e tinha um estranho poder sobre os cachorros.</p>
<p>Era óbvio, tava na cara, e me senti o próprio Sherlock Holmes! Mas quando pensei em anunciar a descoberta, minhas rádias começaram a se curvar. Tarde demais, paradoxalmente elas que necessitavam tanto de água nas raízes não suportaram as chuvas que inventei. Matei-as pelo excesso! Graças à minha esperteza perdi toda a plantação, e pra não passar por ridículo pus a culpa em algum nematóide que se instalou invisível nas raízes. Na hora lembrei  do meu pai, que dizia que nem tudo que parece é. Envergonhado não fui à reunião daquela noite e em nenhuma mais.</p>
<p>Assim&#8230; desisti. E aquele lugar voltou a ser só deles, que tinham nas sextas-feiras o motivo das suas vidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>&#8220;Para poucos, para raros, para loucos&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 18:57:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vez por outra me visita algo do existencialismo de Sartre&#8230;  Há os que sentem mais dor, seja pela compreensão da nossa insignificância diante de respostas que não satisfazem, da intolerância humana etc., mas igualmente, e tão fundo, a estes, também pode caber um prazer sem limites. O que seria o “para poucos, para raros, para loucos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vez por outra me visita algo do existencialismo de Sartre&#8230;  Há os que sentem mais dor, seja pela compreensão da nossa insignificância diante de respostas que não satisfazem, da intolerância humana etc., mas igualmente, e tão fundo, a estes, também pode caber um prazer sem limites.</p>
<p>O que seria o “para poucos, para raros, para loucos ” do Stepenwoolf do Hesse? Mas o homem é um bicho no mínimo estranho, que morre com o peso do desentendimento, pela doença crônica que inventou;  julga com base na sua ignorância diante do universo, gosta de mandar e se fazer obedecer, sente prazer por se achar superior, e muito infeliz quando não consegue seu intento, que o faz pensar e escrever coisas ridículas.</p>
<p>A maioria não sabe bem o que fazer quando se vê diante de atitudes que não aprenderam nas cartilhas. Lembro de muitos assim. Um deles, pra me dizer algo simples, repetiu em poucas linhas mais de vinte vezes <strong><em>“Está claro isso&#8230; está claro aquilo..”</em></strong> Como se eu não soubesse ler, ou não quisesse ou não pudesse entender sua insegurança.</p>
<p>Como manter  “na marra” alguém na sua vida usando regras burocráticas, combinações esdrúxulas, quando o outro não confia, se a base de qualquer relacionamento é a confiança, que mais cedo ou mais tarde é o que sempre vai pesar?</p>
<p>No seu “Elogio a Loucura”, Erasmo de Roterdã fala sobre a  maneira particular que cada qual sente as dores decorrentes dos desentendimentos, o comportamento que envolve o hábito, regras sociais etc., quando alguns não se importam, uns se matam, outros matam todos envolvidos, mas uma pedrada na cabeça dói indiscriminadamente a qualquer um.</p>
<p>Esperança é só algo macabro de quem, derrotado, não tem aonde se agarrar. O lutar pelo que se deseja não é essa esperança tola de quem se ajoelha e pede a deus ou torce pra que o destino lhe seja favorável. Lutar, quando se trata de sentimentos, significa usar a energia para compreender as entrelinhas, não para julgar os atos que podemos não entender, e essa luta está longe de um “vale-tudo” cujo prêmio pelo esforço nem é a soberba, nem a humilhação ou desprezo. O tempo, o caminho e suas pedras é o que nos fará melhores, se estamos preparados.</p>
<p>Não fui eu quem chamou o lugar que vivo de paraíso, por ser um lugar lindo ou por referência ao Cinema Paraíso, mas isso não importa, o paraíso é só uma imagem, uma sensação. Não acrescentei um copo de água às fontes, nem morro de orgulho pelo que construí ao longo dos anos, feliz sou pelo que tem de vivo à minha volta: meia dúzia de amigos, uns vira-latas, uma criança, e uma mulher incrível que me fez ver a vida diferente.</p>
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		<title>PALHAÇOS</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 16:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes. &#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso! Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta. &#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes.</p>
<p>&#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso!</p>
<p>Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta.</p>
<p>&#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos trocar por uma bolacha!</p>
<p>Pego uma bolacha, ele fica na dúvida, se aproxima, quer a bolacha, mas a chave ele não solta. Por fim, depois de uns minutos, decide pela farinácea e deixa a chave cair, é a chave do carro. Me abaixo pra pegá-la, mas ele é mais rápido e abocanha a chave ainda com parte da bolacha na boca.</p>
<p>&#8212; Olha aqui, Tom, vamos parar com isso que não tem graça nenhuma.</p>
<p>Me abaixo e o chamo  carinhosamente&#8230; Ele vira de bunda e olha de soslaio da soleira da porta. Ameaço correr, ele dá uma arrancada de atleta, mas pára a uns cinco metros.</p>
<p>&#8212; PQP Tom, vc vai levar uma surra! Grito, bravo, já sem paciência, quando toca o telefone.</p>
<p>&#8212; Alô? Quem? Ah&#8230; sim, pois não (É a moça do speed que pergunta se a linha ficou boa).</p>
<p>&#8212;  Não sei. Fiquei a manhã toda sem conexão, agora não posso responder, estou em cima da hora.</p>
<p>&#8212; O quê? Tô dizendo que não dá pra ligar o computador agora, que estou atrasadíssimo e o Tom está me olhando com a chave do carro na boca.</p>
<p>&#8212; Como? Se o meu filho não tem mãos? É isso que disse?</p>
<p>&#8212; Não minha Sra., o Tom não é meu filho, não tenho filhos, e vai ser um inferno chegar atrasado, aquele imbecil que me espera não tolera atraso.</p>
<p>&#8212; Precisa saber se está funcionando, né, é seu trabalho eu sei, então vamos fazer uma coisa, escreve aí que eu não pude ver isso porque meu cão roubou a chave do carro e está esperando eu desligar o telefone pra correr atrás dele!</p>
<p>&#8212; Sim, o Tom é meu cão, isso mesmo, é esse FdP que peguei na rua outro dia quase morrendo e que agora toma conta de tudo&#8230;</p>
<p>&#8212; Não, minha Sra. Ele não é um cão de guarda, é um bem pequeno, parece o garrincha, pernas tortas, dribla, tem pé virado de lado, só quatro dedos em cada pata, amarelo escuro, da pá virada&#8230; Um segundo, Sra!</p>
<p>Largo o telefone e aproveito que ele está perto do fogão, corro e fecho a porta da cozinha.</p>
<p>&#8212; Dá essa chave, Tom!</p>
<p>Ele circula ao redor da mesa me fazendo de palhaço. Cerco ele com as cadeiras, mas o monstrinho vai pra sala. Depois de uns dez minutos de correria ele entra no lavabo.</p>
<p>&#8212; Agora se fodeu, hein Tom!</p>
<p>Fecho a porta, lavabo minúsculo..  ele larga a chave no chão e me olha com aquela carinha de coitadinho. Devia dar uma surra no FdP, mas lembrei do telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Alô, desculpe, não&#8230; ainda não sei se o speed está funcionando. O que fui fazer esse tempão? Minha chave, a chave do carro&#8230; consegui pegá-la, lavabo é uma armadilha!  Não, claro que não. Não estou pensando que a Sra. é uma palhaça.</p>
<p>Desligou na minha cara! Se tem algo que detesto é isso, só deus sabe quanto. Pus no gancho, abri a porta da cozinha pro Tom sair&#8230; outra vez o telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Olha aqui minha Sra. vai a PQP! Anh&#8230;!?  É, sou eu mesmo! Desculpe&#8230; sei que marquei com o Sr., mas ainda não consegui sair, tô enrolado, primeiro o Tom roubou a chave do carro, depois foi a moça do speed&#8230;  O quê? Não, absolutamente&#8230; Claro que o Sr não é um palhaço, é que&#8230;</p>
<p>Outro telefone desligado na minha cara!</p>
<p>O  sol invade a cozinha&#8230; dia lindo,o Tom na janela me convida pra vida. Pausa.</p>
<p>Pra não me arrepender minutos depois peguei uma tesoura e cortei o fio do telefone.</p>
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		<title>A ÚLTIMA FOTOGRAFIA</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Sep 2010 16:08:13 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os anos fazem grandes estragos na epiderme e na memória. Tessalônica ou Meteora, que importa? Seria preciso a precisão dos limites pra se contar uma história? Fim de tarde, numa estrada como todas desde a Macedônia, de pedras que os ventos de outono amontoam há séculos, cercada por montanhas desvestidas, exceto por um punhado de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os anos fazem grandes estragos na epiderme e na memória. Tessalônica ou Meteora, que importa? Seria preciso a precisão dos limites pra se contar uma história?<strong><em> </em></strong></p>
<p>Fim de tarde, numa estrada como todas desde a Macedônia, de pedras que os ventos de outono amontoam há séculos, cercada por montanhas desvestidas, exceto por um punhado de retorcidas oliveiras, quando a vista já se acostumara à árdua e lacônica paisagem, do nada surge um rebanho &#8212; em fila, centenas de cabras com seus guizos e ruídos, guiadas por um estranho homem e seu cão que mal podia andar. Como o cão, o homem também era franzino, também era cinza. Usava um chapéu furta-cor de mil remendos, e talvez tivesse menos de setenta, talvez muito mais. E ainda que me parecesse menos semideuses e mais semimortos, era tudo de vivo que havia em quilômetros de solidão.</p>
<p>Parei o carro, desci, e por gestos pedi-lhe permissão para uma foto, quando sorriu um sorriso de sim e dentes imaginários. Que figura, meu pai! Pensei logo, de onde veio esse indivíduo? Pra onde se dirigia se ao fim da vista não havia nada além de desfiladeiros e montanhas? Também&#8230; que isso me importava? Ou o esbarrar no horizonte com um casebre mudaria algum destino?</p>
<p>Como quem faz pose, entre pedras e cabras, apoiou-se no cajado improvisado, pôs as pernas separadas e o exaurido cãozinho no colo. Bati apenas uma foto. Nem a luz medi. Anoitecia e algo me incomodava. Agradeci várias vezes com a cabeça e entrei no carro.</p>
<p>Ele e seu cãozinho permaneceram imóveis, como as pedras do fundo, como se o “clic” da máquina os tivesse congelados. Esperei um instante, me pus em pé e agradeci novamente. Ele me estendeu a mão pedindo alguma coisa. De imediato pensei em dinheiro, mas foi só enfiar a mão no bolso pra ele balançar negativamente a cabeça e desatar num falatório, num idioma pra mim incompreensível. Acabei entendendo que queria a foto, depois compreendi que também tinha um filho e nenhuma foto. E do cãozinho tampouco tinha alguma. Era  tudo o que queria, só o que queria, e eu não podia. Tentei explicar que dentro da câmara ainda não havia uma fotografia de verdade, mas como fazê-lo diante daquela fisionomia frustrada, inconformada, como se eu o estivesse enganando?</p>
<p>Quanto mais ouvia sua voz suplicante mais me sentia desgraçado. Tentei tudo, peguei até um pedaço papel e uma caneta e fiz por mímica que me escrevesse seu endereço, que lhe mandaria pelo correio&#8230; Mas aonde estava eu com a cabeça? Que direção podia me dar o pobre homem? Coordenadas daquela imensa solidão?  De qualquer forma ele não sabia escrever e eu era um ignorante.</p>
<p>Anoiteceu rápido, tudo ali me pareceu absurdo. Nada deu certo e fui embora me sentindo derrotado. Passei dias, meses, pensando em como mandar uma foto pras montanhas de Meteora ou Tessalônica e me lembrei da história dos Fawcett, que à procura do Eldorado desapareceram na floresta amazônica, e o caçula mandou espalhar sobre a selva milhares de panfletos com telefones e fotografias do primogênito e do pai.</p>
<p>Imagino que se alguma foto escapou dos macacos e chegou a um aborígine, de nada valeu: eles não tinham celular, nem falavam inglês. Dinheiro jogado fora, mal congênito da família Fawcett. No meu caso desisti logo da idéia por não ser membro do clã e porque cabras não prestam atenção ao que comem, mas nunca esqueci esse desencontro nem revelei esse filme. Foi a última foto que tirei na vida.</p>
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		<title>O QUE É O HOMEM SEM SEU SONHO?</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 12:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas arborizadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas <a href="http://www.dicio.com.br/arborizado/" target="blank_" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.dicio.com.br/arborizado/?referer=');">arborizadas</a> e bem cuidadas do bairro, perguntando ao menino qual daquelas ele preferia, mas defeitos tinham todas, nenhuma servia.</p>
<p>E sempre que passavam por um certo terreno vazio, ali se detinham a construir a casa ideal. Muitas vezes nos fins de semana, passeando com meu cão, vi este senhor gesticulando com as mãos, construindo seu sonho&#8230; explicando em voz alta ao garoto como ia ser. Arquiteto nato, ele logo me lembrou o personagem “pedinte” do Dodeskaden (filme de Akira Kurosawa), que vivia com o filho num carro abandonado e sonhava com uma construção ocidental, sólida e cheia de requintes, diferente das convencionais casas japonesas.</p>
<p>Num fim de tarde meio chuvoso me aproximei deles. Curioso, mas com certo receio, cumprimentei-os e me apresentei como arquiteto, ao que, gentilmente, o Senhor disse já me conhecer e ao meu cão também, e que nessa fase da obra não precisava de ajuda, o que lhe faltava era só um pouco de dinheiro&#8230;</p>
<p>Uns dois anos depois, caminhando só, meu cão tinha morrido, novamente cruzei com eles em frente ao mesmo terreno vazio. O menino crescera, devia estar com uns sete ou oito anos, e agora já fazia perguntas ao pai. &#8212; Por que não pode ser vermelha? Antes que encontrasse a resposta o Senhor me cumprimentou, e aproveitei pra saber  como ia a casa. &#8212; No finzinho&#8230; Respondeu e completou &#8212; Só estamos decidindo as cores (apontando pro menino). &#8212; Pai, por que não pode ser vermelha? Insistiu o garoto. &#8212; O que o Sr acha? Ele me perguntou. &#8212; Vermelha? Eu disse. &#8212; Sim, por fora ele quer inteira vermelha&#8230;</p>
<p>O que eu ia dizer? Que era bom, que era ruim, que era estranho..? Quem era eu pra interferir naqueles destinos? E em vez de responder, fiz outra pergunta, como seriam as plantas. Dessa vez foi o menino que prontamente se adiantou &#8212; São todas brancas e pratas, e as flores azuis, igual a grama. &#8212; Oh&#8230; então vermelha vai ficar linda. Disse. Olhos franzidos, pensativo, o Senhor olhava as bactérias do ar como se não estivesse muito certo disso. Nesse momento me despedi deles e segui minha caminhada.</p>
<p>Nunca mais os vi. Até que um dia, seis horas da manhã, passeando com um outro cão, diante daquele terreno vago um jovem moreninho lá com seus dezesseis anos rabiscava algo numa prancheta. &#8212; Bom dia. Eu disse. &#8212; Cadê seu pai? Ele me olhou sem me reconhecer &#8212; Meu pai, o Sr conhecia ele? &#8212; Sim, sempre vocês vinham aqui&#8230; &#8212; Ah sim, agora acho que me lembro do Sr., meu pai morreu faz oito anos, levou um tiro da polícia quando voltava do trabalho. &#8212; Sinto muito. Disse. &#8212; Sabe que pensei nele esses anos todos, e por que levou um tiro? Perguntei. &#8212; Foi por engano, ele trabalhava à noite numa fábrica, voltava pra casa, estava escuro, ninguém explicou pra gente o que aconteceu. &#8212; E o que faz aqui, agora? Perguntei mais uma vez. &#8212; Estou mudando algumas coisas na nossa casa&#8230; Me desculpe, senhor, mas tenho que terminar isso, tá quase na hora de entrar no meu trabalho. &#8212; Claro, eu é que me desculpo, só queria saber se ainda vai ser vermelha. &#8212; Ah&#8230; não, papai nunca gostou dessa idéia&#8230;</p>
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		<title>O &#8220;Pós-Moderno&#8221; na Economia do Agronegócio</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 19:14:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[arquitetura pós-moderna]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando se houve falar em pós-modernidade fora das artes é apenas uma maneira de dizer sobre o que é mais atual, nada a  ver com o movimento pós-moderno na arquitetura, p.ex., que rompeu com as regras do modernismo. Na maioria do discursos  da economia do agronegócio, ouvimos muito falar sobre  &#8220;valor agregado, ecologicamente correto, manuseio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando se houve falar em pós-modernidade fora das artes é apenas uma maneira de dizer sobre o que é mais atual, nada a  ver com o movimento pós-moderno na arquitetura, p.ex., que rompeu com as regras do modernismo.</p>
<p>Na maioria do discursos  da economia do agronegócio, ouvimos muito falar sobre   &#8220;valor agregado, ecologicamente correto, manuseio sustentável etc&#8221;.  Palavras que defendem o &#8220;negócio&#8221; e o planeta, mas será mesmo que têm mais conteúdo que vazios? Então vejamos em números expressivos, nem tão precisos, nem tão imprecisos que nos desvie do caminho que pisamos:</p>
<p>Bois soltos no campo &#8211; 1 kg de carne advindo de uma criação bovina de um pasto natural  vale no mercado mundial menos que a água que o boi necessita na sua vida pra produzir este 1 kg de carne, logo não é absurdo pensar no oposto:  exportamos a água sem agregar o valor da carne! Mas se o fizéssemos certamente ninguém do Primeiro Mundo compraria essa carne pelo dobro do preço, porque todos que a produzem teriam que fazer o mesmo, e isso não é uma coisa simples, mais fácil é agregar a marca, a etiqueta,  num supérfluo qualquer.</p>
<p>Bois confinados &#8211; para 1 kg de carne de um boi confinado é necessário mais ou menos 20 kg de ração balanceada, que obviamente custa menos que o 1 kg da carne. No entanto, o valor protéico dessa ração é mais ou menos 10 vezes o valor protéico de 1kg de carne. Exceto pelo sabor, isso é mais ou menos como se enfiássemos numa máquina 10 kg de proteínas e tirássemos na outra ponta 1kg da mesma proteína, o que sob certo ângulo não parece muito inteligente, muito menos ecologicamente correto. Obviamente que quem produz essa ração não é quem determina no mercado mundial, na bolsa de Londres etc., o seu preço.</p>
<p>Balanço energético: da agricultura rudimentar à modernidade passaram-se séculos até os arados motorizados,  as máquinas agrícolas de plantio e colheita, os insumos e defensivos&#8230; No agro-negócio, essa &#8220;supermodernidade&#8221; é a maximização da produtividade com o controle genético das sementes, a química sofisticada dos desfolhantes seletivos, irrigação forçada etc., sem se importar com mais nada. Assim, não interessa quantas montanhas se desmancham na produção de adubos, quantas toneladas de combustível são gastas pra isso; depois pra levá-los a grandes distâncias, espalhar os defensivos por aviões etc., e muito menos quantas mudanças isso causa no resto, desde que esse custo seja menor que o produto final. Desta forma, sob o ponto de vista não monetário, essa máquina invertida faz a proeza de gastar  6 ou 7 calorias pra produzir uma.</p>
<p>Mas o mundo dito civilizado fica admirado em ver laranjas crescerem no deserto e compara os números dessas agriculturas hodiernas com as primitivas, no entanto a agricultura atrasada e primitiva,  reprovada nos números da produtividade, usa uma caloria pra produzir duas!</p>
<p>As justificativas&#8230;</p>
<p>Ouvimos dizer que a necessidade crescente de alimentos no mundo é que faz o homem inventar fórmulas milagrosas pra melhorar a produtividade. Se isso vem na frente ou atrás das verdadeiras razões depende do ponto de vista. Pra mim o que move a ciência e a tecnologia nesse sentido não são as bilhões de bocas mais ou menos necessitadas, muito menos as muitos necessitadas, mas a ganância ilimitada de poucos cérebros. Há bem pouco tempo um consenso de especialistas sobre a fome dizia que menos que 1 bilhão de US resolveria esse problema no mundo (fome mesmo), mas o &#8220;Primeiro Mundo&#8221; não tinha como dispor desse montante! Quer dizer, não tinha até tirar da cartola uns 4 bilhões de US pra salvar&#8230;. salvar o que mesmo? Ah.. sim, salvar a si próprios.</p>
<p>Assim é, talvez alguns empresários e políticos até acreditem mesmo que estão contribuindo pra salvar o planeta quando falam em &#8220;manejo sustentável de florestas, ecologicamente correto etc &#8220;. Pode ser, não somos mesmo todos iguais. Pode ser, eu já vi muito <a title="A Casa de um cão" href="http://www.paulovilela.com.br/a-casa-de-um-cao/">cão</a> atropelado e só tenho sono  quando escuto isso.</p>
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		<title>A Casa de um Cão</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 13:59:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[cão]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>

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		<description><![CDATA[Sábado morreu meu cão que se chamava Urso. Foi meu companheiro durante anos. Ora, mas o que é um cão? Um quadrúpede orelhudo irracional? Exatamente isso, mas não nada além disso, um cão tem sentimentos: ri, chora, tem raiva, ciúme, amor. Muitos dirão que isso é uma bobagem,  que cão não tem alma. Não digo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sábado morreu meu cão que se chamava Urso. Foi meu companheiro durante anos. Ora, mas o que é um cão? Um quadrúpede orelhudo irracional? Exatamente isso, mas não nada além disso, um cão tem sentimentos: ri, chora, tem raiva, ciúme, amor. Muitos dirão que isso é uma bobagem,  que cão não tem alma. Não digo que sim, nem que não, talvez estes nunca tiveram um cão ou nunca prestaram atenção, ou eu enxergo coisas estapafúrdias, mas de uma coisa tenho certeza &#8212; um cão não trai nunca seu amo.</p>
<p>O Urso tinha um teto, pra não dizer uma casa, mas pouco usava. Enquanto teve saúde, fizesse frio, calor, chovesse canivetes, não importava o tempo, nem a hora, ali ao relento, ao lado do portão, sempre me esperando.</p>
<p>Por que ficar de vigília horas a fio sem ter noção de quando seu amo vai chegar, se vai chegar?</p>
<p>Um cão liga menos pra sua casa do que estar ao lado do seu amo. Por que um cão faz isso? Ainda que tenha pensado sobre essas coisas e não saiba responder, sei que um cão difere muito do ser humano não por ter rabo ou patas, mas porque se precisar morder de verdade usa só a boca.</p>
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