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	<title>Paulo Vilela &#187; estilo</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>Ela é má&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 05:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A menina escreve no seu diário&#8230; Minha irmã é má! Por muito tempo, além disso,  nada mais havia nesse diário.  Linhas vieram com tempo, e antes de cada palavra sempre uma reflexão, uma indagação&#8230; Começou assim: &#8220;Você tem certeza?&#8221; &#8212; Sim ela me bate. &#8220;Deve ter um motivo&#8230;&#8221; &#8212; Não, não tem, ela gosta de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A menina escreve no seu diário&#8230; Minha irmã é má!</p>
<p>Por muito tempo, além disso,  nada mais havia nesse diário.  Linhas vieram com tempo, e antes de cada palavra sempre uma reflexão, uma indagação&#8230; Começou assim:</p>
<p>&#8220;Você tem certeza?&#8221; &#8212; Sim ela me bate.</p>
<p>&#8220;Deve ter um motivo&#8230;&#8221; &#8212; Não, não tem, ela gosta de me bater porque é má!</p>
<p>&#8220;Ninguém é mau assim à toa&#8230;&#8221; -– Ela é, outro dia quando limpava a sala me fez ficar horas sentada no sofá, nem podia me mexer.</p>
<p>&#8220;Por que fez isso?&#8221; &#8212; Pra eu não sujar enquanto varria.</p>
<p>&#8220;Mas isso não é bem uma maldade&#8230;&#8221; &#8212; Eu estava apertada e ela não deixava eu sair. Quando ela foi até a cozinha eu corri pro banheiro. Por causa disso me pendurou de costas pela camiseta no registro de água, e lá me deixou por um bom tempo.</p>
<p>&#8220;Não fez nada?&#8221; &#8212; Claro, gritei&#8230; Ela ficou furiosa e disse que se avisasse minha mãe me mataria. Também ela rouba minhas coisas e esconde. Ela é má.</p>
<p>&#8220;E sua mãe não faz nada?&#8221; &#8212; Ela não sabe, não posso contar ou apanho.</p>
<p>&#8220;Você não está exagerando um pouco?&#8221; &#8212; Não, ela é mesmo má, me trancou no banheiro e me fez tomar uma garrafa de cerveja porque disse que estava com sede. Quando viu que fiquei bêbada e desmaiei, e minha mãe estava chegando da feira, me carregou até a cama, me cobriu, e me fez prometer que dormia.</p>
<p>&#8220;Não creio&#8230;&#8221; &#8212; Mas desta vez minha mãe descobriu, porque vomitei, cheirava a cerveja. Desta vez ela apanhou.</p>
<p>&#8220;Não estou mesmo gostando das atitudes dela, alguma coisa você tem que fazer&#8230;&#8221; &#8212; Isso já faz tempo, mas nós crescemos, só que ela continua pegando minhas coisas. Tinha um brinquedo que eu adorava, ela veio com uma caixa de fósforos e quis trocar.</p>
<p>&#8220;Uma caixa de fósforos por um brinquedo?&#8221; &#8212; Sim, recusei.</p>
<p>&#8220;Ainda bem, tomou uma atitude..&#8221; &#8212; Mais ou menos porque ela insistiu que aqueles eram os únicos fósforos do mundo que tinham cabeças cor-de-rosa. É pegar ou largar. Disse.</p>
<p>&#8220;Não aceitou, não?&#8221; &#8212; Aceitei, ela tem um jeito que me assusta. Foi sempre assim, mas nós crescemos mais um pouco e nada mudou.</p>
<p>&#8220;Como nada mudou? Tudo muda&#8230;&#8221; &#8212; Não, ela não muda. Ela é má. No seu primeiro emprego me convidou pra ir com ela fazer o exame médico.</p>
<p>&#8220;Ora, isso é uma mudança&#8230;&#8221; &#8212; Quem me dera fosse, fiquei superfeliz, eu gostava dela, me arrumei toda e fui. Fiquei numa cadeira olhando uma revista quando a chamaram pelo nome.</p>
<p>&#8220;Ficou ali sentadinha esperando, não?&#8221; &#8212; Não, na hora ela disse que era pra eu ir, que tinham me chamado. Eu falei que chamaram ela, eu ouvi.</p>
<p>&#8220;Como assim, não era ela que foi fazer o tal exame?&#8221; &#8212; Era, mas ela me chamou de tonta, disse que eu não prestava atenção em nada, que tinham chamado a acompanhante&#8230;</p>
<p>&#8220;A acompanhante?&#8230;&#8221; &#8212; É, e eu boba fui.  A moça de uniforme e sapato brancos não me perguntou nada, só pediu o braço e tirou meu sangue. Eu sabia que estava errado, que ela só me convidou pra isso. Ela é má. Mas crescemos mais um pouco e um dia isso terminou.</p>
<p>&#8220;Ela mudou?&#8221; &#8212; Eu já trabalhava e comprei umas tiaras lindas, caríssimas, sempre adorei essas coisas. Dias depois sumiram. Não tinha mostrado à minha mãe com medo de levar bronca. Procurei por toda parte, perguntei a ela se não as tinha visto. Nada, sumiram mesmo.</p>
<p>&#8220;Mas não deve ter sido ela ou nunca poderia usá-las, não?&#8221; &#8212; Foi o que pensei.  Mas não estava passando bem no trabalho e meu chefe me mandou pra casa. Cheguei na hora que ela almoçava com minha mãe, e com a tiara no cabelo. Não acreditei, gritei com ódio pra me devolver.</p>
<p>&#8220;Devolveu?&#8221; &#8212; Que nada, se fez de desentendida. Levantou, passou a mão nos cabelos e disse cheia de trejeitos&#8230; Imagina se é sua..? E riu debochadamente.</p>
<p>&#8220;E sua mãe?&#8221; &#8212; Coitada, não sabia nada disso de tiaras, só olhou pra nós duas sem entender. Nessa hora enlouqueci, ela estava de costas, peguei-a pelos cabelos e num só golpe a derrubei. Bati sua cabeça contra o assoalho várias vezes até ela começar a chorar, e só parei quando me devolveu. Quero as outras, gritei furiosa, e ainda dei um chute no seu traseiro quando se levantava.</p>
<p>Ela se afastou arrasada e choramingosa e minha mãe pôs uns panos quentes na questão. Nunca mais fez nada comigo e depois desse dia também pouco nos falamos. Tudo doeu muito. Isso faz mais de trinta anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Três apara pela primeira da matança!</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 01:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso? &#160; Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar de não achar que é. Isso é coisa de homem. Mulher e cão, sem chance!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O quê? Pára com isso. Falo do sexo masculino, não coisa de macho ou chauvinismo. Alíás, coisa de guri, não de guria, assim fica melhor. Mas que é encrencado, isso é: “Três apara pela primeira da matança” &#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não sei quem inventou, nunca me perguntei, mas repeti milhares de vezes, às vezes calmo, às vezes muito bravo e raivoso. Numas tantas matei o cara, em outras não tive habilidade ou sorte. Mas se em muitas vezes não matei na hora, matei depois. Na vida é assim, se nem sempre saímos vencedores, nem sempre também somos perdedores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tá entendendo, Tom? Tudo é jogo, ou de regras pré-estabelecidas ou do destino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Três apara pela primeira da matança” é o grito de quem tem caráter, a suprema justiça (nada a ver com Supremo Tribunal da Justiça) pra fazer valer o que é correto no exato momento que a desonestidade mostra a cara. E se ainda assim dito não resolve, aí o “Três apara pela primeira da matança” é cumprido à risca,  é o tudo ou nada pra quem tá com a corda no pescoço. Qualquer menino do tempo que computador pesava uma tonelada sabia isso de cor, e todos que tem um mínimo de memória e não brincavam com bonecas ainda devem saber. Como o Google não pode resolver, explico por partes:</p>
<p><strong><em>Três</em></strong><em> </em>é três mesmo.</p>
<p><strong><em>Apara,</em></strong> terceira pessoa do singular do verbo aparar (no sentido de obstruir algo que se move)</p>
<p><strong><em>Primeira</em></strong> todo mundo conhece o que é.</p>
<p><strong><em>Matança</em></strong> é algo horrível mesmo, nunca associado à morte natural e ainda intimamente ligada ao mal. Ave! Guris viajam mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É mesmo difícil entender essa junção estranha de palavras sem entender as regras de um jogo de bolinhas de gude (vidro).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não foi você que perguntou, Tom? Então preste atenção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Num dos muitos tipos de jogos de bolinhas de gude, chamado de <strong>“box”</strong>, cava-se com uma tampinha de lata, dessas de refrigerante,  4 semi-esferas na terra batida, distanciadas 4 palmos uma das outras, usando como medida a mão do menino que no momento tem a maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mão de gente, Tom! Não adianta olhar pras suas patas, não tem nada a ver!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O jogo consiste em ir embocando a bolinha nos 4 buraquinhos, ida e volta, duas vezes. Completado o percurso chega-se à matança, momento que a bolinha assassina mata as demais só encostando nas outras, o que se deduz que quem chega primeiro à matança tem mais chance de levar a dos outros pra casa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas não é fácil não chegar lá. Todos trabalham contra pra impedir. Cada vez que a bolinha se aproxima, mas não cai no buraquinho, fica ali à espera da próxima vez, mas se o próximo jogador emboca tem o direito de “estecá-la” (esta nem no Houassis tem, verbo <strong><em>estecar</em></strong>, que se conjuga, mas não existe), que quer dizer mais ou menos dar uma estilingada com a bolinha de vidro soltando de uma vez o polegar preso no indicador. Há <strong><em>“estecadas”</em></strong> maravilhosas, que o som do vidro é igual pedrada em vidraça, que faz a bolinha do oponente ir a 5 ou 6 m de distância, e a do <strong><em>“estecador”</em> </strong> só roda em si mesmasem sair do lugar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você quer entender tudo, Tom? Falei que era complicado&#8230; Cão tem que ser cão, catso!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao jogo&#8230; Cada um só tem direito a uma jogada por vez, exceto se embocar no buraquinho, momento que pode seguir ao próximo ou, se quiser antes de seguir pode afastar as bolinhas que estão por perto,<em><strong> &#8220;estecando-as&#8221;</strong></em>. Ora, imagine estar longe 5 ou 6 m dos buraquinhos quantas jogadas se atrasa em relação aos demais, e isso ninguém deseja, aí entra o “Três apara pela primeira da matança”, que tem que ser dito instantaneamente quando se emboca no buraquinho ou os outros jogadores poderão dizer <strong><em>“paradinha</em></strong>”, e interromper a “<strong><em>estecada” </em></strong>com os pés a poucos palmos de distância.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem,Tom, isso de &#8220;paradinha&#8221; é uma grande sacanagem. Disso você não entende mesmo, mas o mundo é construído de sacanagem, deixa pra lá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, se mesmo dizendo antes a frase estranha, o cidadão, que ainda não era, e nem sei se seria, usar o pé&#8230;  Aí dançou. Na matança o <strong><em>“estecador”</em></strong> tem direito a três jogadas seguidas pra matá-lo, e normalmente o mata, exceto se for muito ruim de pontaria o<span style="text-decoration: underline">u se defrontar com alguma regra nova, que nunca se ouviu, inventada na hora pelos que não admitem morrer, digo perder</span>. E isso era o que mais tinha&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compreendeu agora, Tom?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E tem gente que pensa que político aprendeu de grande.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>CIDADE MALUCA</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jun 2011 00:33:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8211; Não, não é gozação! Lá pelos anos 80 fui morar na Rua José Gomes da Silva, casa que levei uns pares de anos pra fazer e mudei sem terminá-la, o que acabei fazendo nos quase 20 anos que ali vivi. Mas no início deste século mudei pra Rua Madre de Deus. Pedi as ligações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8211; Não, não é gozação!</p>
<p>Lá pelos anos 80 fui morar na Rua José Gomes da Silva, casa que levei uns pares de anos pra fazer e mudei sem terminá-la, o que acabei fazendo nos quase 20 anos que ali vivi.</p>
<p>Mas no início deste século mudei pra Rua Madre de Deus. Pedi as ligações de telefone e de energia, recebi minha correspondência sem nenhum problema durante anos, e só havia um pequeno probleminha &#8212; nos mapas da cidade no local constava a antiga rua que morava, a Rua José Gomes, e quem tentava chegar pelo Google, GPS etc. não achava meu endereço.</p>
<p>E aqui começa uma dessas coisas meio kafkniana.</p>
<p>Cansado de tanta reclamação fui à Prefeitura de S.Paulo dizer que o mapa da cidade estava errado.</p>
<p>&#8212; Não meu senhor, essa rua aí não é a José Gomes, é a Madre de Deus, moro nela há dez anos, tá aqui a conta de luz, documento do carro&#8230;</p>
<p>&#8212; Então o senhor vai reclamar na Geomapas, que é quem faz os mapas das ruas! Disse o fincionário da Regional.</p>
<p>Lá fui eu até o endereço da Geomapas, que é aonde o Google e o GPS, guia da cidade, se baseiam  para suas leituras. E outra vez:</p>
<p>&#8212; Não meu senhor, tá errado, podem ir até o local e verificar que a José Gomes da Silva é outra, tem placa da prefeitura no início e no final há mais de 30 anos, e isso eu sei bem porque vivi nesta rua muito tempo.</p>
<p>Umas semanas depois o geógrafo apareceu por aqui, constatou o equívoco e ficou de ver isso na prefeitura. Passou o tempo e nada aconteceu, aliás aconteceu. Dei uma festinha de S.João e uns amigos de infância vieram de longe seguindo o GPS. Dia seguinte o cara me liga e diz “Caí numas quebradas, ninguém te conhecia..! Fiquei rodando até meia-noite, só tem bêbado por aí&#8230; E o que eu faço com essas bandejas de quitutes?”</p>
<p>Coisa chata demais e lá foi o incauto novamente até a prefeitura, desta vez rangendo os dentes! Depois de horas esperando, a funcionária dedicada me traz um alfarrábio quase desmanchando num papel amarelado com furinhosde traças “Tá aqui meu senhor, com data e tudo! Essa foi a Lei que transformou a Madre de Deus na Rua José Gomes, proposta do vereador Fulano de Tal!</p>
<p>Putz, a minha rua atual era mesmo a José Gomes da Silva, estavam corretos os mapas, o GPS e o esquimbau, eu que morei na rua errada por vinte anos, depois novamente errado por outros dez, simplesmente porque o colocador de placas da prefeitura se confundiu e pregou a dita no local errado. Ufa!</p>
<p>Ufa? Ufa o cacete! ARua Madre de Deus não existe mais neste bairro segundo o site dos Correios que consertou o equívoco do colocador desastrado. Mas na AES Eletropaulo e na Telefonica continuo morando na rua fantasma, logo não recebo mais correspondência há meses, nem tenho mais prova de endereço, uma vez que para tal, Detran, Cia de Seguros, IR etc só aceitam contas no meu nome dessas duas companhias.</p>
<p>Então ligo pra uma, pra outra&#8230; “nada podemos fazer, dirija-se a uma loja física munido de documentos e prova de endereço!”</p>
<p>&#8212; O que serve como prova de endereço? Pergunto.</p>
<p>Uma das citadas diz que basta levar uma conta da outra. Quando digo que não possuo, me pedem IPTU, quando digo que aqui é INCRA&#8230; “nada podemos fazer&#8230;”</p>
<p>Mas não sou de desistir nem de pesadelo e ligo novamente pra AES Eletropaulo.</p>
<p>&#8212; Moça, vê aí pra mim com esse CEP XXXX-YY o que aparece?</p>
<p>Ela diz que o que consta no site da AES Eletropaulo é a Madre de Deus.</p>
<p>&#8212; Tá bom moça, agora dá pra vc ver no site dos Correios o mesmo CEP.</p>
<p>Ela diz que não tem acesso a este site.</p>
<p>&#8212; Tá bom moça, e eu posso receber minhas contas em outro endereço?</p>
<p>Ela diz que posso mediante o pagamento mensal de 5 reais, e me pergunta se eu concordo. Digo prontamente que sim, e ela me pede o novo endereço e CEP.</p>
<p>&#8212; Escreve aí, moça&#8230; CEP XXXX-YY</p>
<p>Ela me pergunta se está correto, Rua José Gomes da Silva, e pede pra aguardar instantes enquanto providencia a alteração.</p>
<p>&#8212; Ué, agora teve acesso ao site dos Correios? Pergunto.</p>
<p>Pra mudança do local da entrega da correspondência ela diz que tem acesso sim.</p>
<p>Arre! Agora recebo a conta na minha casa, na mesma rua que moro, no mesmo lugar que entregavam antes, mas que pra AES Eletropaulo é num outro endereço. E tem mais, mudei de casa depois de vinte anos morando na José Gomes da Silva e fui morar numa outra rua. Que rua mesmo? Claro, na R. José Gomes da Silva! Parece perseguição, coisa do destino. Que atrapalhada causou aquele colocador de placas, mas tudo bem.</p>
<p>Agora, quando meu cão, que seria demais se não achasse que não fosse um cão, olha pra mim com cara de quem quer saber que bagunça é essa, me salve! Isso foi demais pra mim e mandei ele ver se eu estava na esquina.</p>
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		<title>SENHOR CARDEAL</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 04:48:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No filme 8 ½ do Fellini me lembro do senhor na sauna, quando o Mastroiani, na sua confusão interior sem saber bem o que falar, só consegue dizer o “eu não sou feliz”,  e ouve do senhor a célebre frase “quem lhe disse que viemos aqui para ser felizes?” Viemos aqui então pra quê? Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No filme 8 ½ do Fellini me lembro do senhor na sauna, quando o Mastroiani, na sua confusão interior sem saber bem o que falar, só consegue dizer o “eu não sou feliz”,  e ouve do senhor a célebre frase “quem lhe disse que viemos aqui para ser felizes?”</p>
<p>Viemos aqui então pra quê? Por causa de uma réles maça e um cara desobediente todo o futuro foi condenado a pagar sua pena? Que criador seria este, cujo nome já contém sua intenção? Quem escreveu suas leituras, senhor cardeal?</p>
<p>Pense que o último século não é mais que uma fração de um instante na existência do universo. Ponha-se, pois, no que lhe cabe dentro desse instante com todas suas cores e dores, e tente encaixar tudo o que viveu. Multiplique isso pelos bilhões de instantes e de espécies&#8230; Haveria uma memória capaz de ter dado uma particular atenção à sua insignificância?</p>
<p>Sabe que há estrelas que nunca vimos nem vamos ver no nosso tempo, porque sua luz ainda está a caminho, e as que vemos nem temos certeza se ainda existem&#8230; Então Sr. Cardeal, se o tempo nos faz duvidar até do que vemos, confundir vivos com mortos, aonde busca a convicção do que prega?</p>
<p>Sei que vai dizer que o que mais importa os olhos não podem ver, também sei que vai dizer que sou atrasado espiritualmente.  Pode achar o que quiser de mim, não me importo. Materialista não sou, só tenho muitas dúvidas, e  achei engraçado o que disse. A propósito, também achei o senhor muito abatido e magrinho, mesmo sabendo que não lhe faltou o que comer.</p>
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		<title>O remédio do século!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Mar 2011 00:03:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguém disse que cortizona era o remédio do séc XX , mas este tanto ‘desincha’ como ‘incha’. Outro alguém disse ser o Lítio. Outros ainda elegeram o Viagra ou similares. Tem os que falam dos calmantes, relaxantes, reguladores disso ou daquilo, até antibióticos de última geração entra nas preferências&#8230; No fundo não há um consenso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguém disse que cortizona era o remédio do séc XX , mas este tanto ‘desincha’ como ‘incha’. Outro alguém disse ser o Lítio. Outros ainda elegeram o Viagra ou similares. Tem os que falam dos calmantes, relaxantes, reguladores disso ou daquilo, até antibióticos de última geração entra nas preferências&#8230; No fundo não há um consenso sobre a grande invenção do século.</p>
<p>Pra mim remédio bom é o esparadrapo, esse de pano. Não é de engolir, não tem cheiro ou gosto ruins, não arde nem pica. Não precisa de receitas, dispensa visitas ao médico, não tem bula, nem contra-indicações, e é baratinho. Gruda melhor que fita crepe, durex e congêneres, serve pra fazer ponto falso num ferimento, e em tirinhas colocadas paralelas à coluna engana as terminações nervosas nas dores das costas. E é muito melhor que ‘band-aid’ no calcanhar que o sapato esfolou.</p>
<p>Além das propriedades citadas ainda tem outras indicações: quebra o galho no lugar da fita isolante nas emendas dos fios elétricos, evitando choques e queimaduras; do teflon, nas roscas das tubulações. Também pode ser usado  com vantagens sobre cordinhas ou fios que machucam, quando se pretende amarrar as mãos nas costas de um azarado, e ainda cala com eficiência absoluta a boca do coitado!</p>
<p>Se disserem que isso não é o escopo de um remédio, direi que se enganam. Claro que é,  esparadrapo não só remedia como tem função preventiva impedindo queimaduras, ferimentos, enfim&#8230; dores desnecessárias.</p>
<p>Isso é que é remédio, não droga. Pra mim&#8230; ele  é o “the best”!</p>
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		<title>Arquitetura pós-moderna do Inferno e do Céu, e outras idéias.</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 06:21:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[﻿Citados no Gênesis, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>﻿Citados no <a title="Gênesis" href="http://www.bibliaonline.com.br/acf/1/1" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bibliaonline.com.br/acf/1/1?referer=');">Gênesis</a>, Céu e Inferno estão comemorando muitas velinhas, mas ninguém que eu conheça já foi a um desses “lugares” e voltou pra dizer como são. De qualquer forma, metaforicamente dizemos que estamos no Inferno quando não estamos bem, e ao contrário, no Paraíso ou no Céu. Isso é o normal, porque o cérebro trabalha por comparação, como um grande computador, e os <em>genes </em>registram imagens desde nossos ancestrais.</p>
<p>Jung falou sobre o inconsciente coletivo, cientistas buscam descobrir aonde e como estão registrados esses dados no <em>gene</em>, mas mesmo que não fôssemos tão longe, que eles não descubram com a exatidão que buscam, é seguro afirmar que inventamos imagens relacionadas com estes extremos da felicidade e do sofrimento desde que nos conhecemos por gente. Imagens que criamos a partir do nascimento,  pelos nossos sonhos e pesadelos, adicionadas pela dor, culpa, enfim pela moral judaica-cristã que respiramos.</p>
<p>A maioria tem o Céu no céu mesmo, algo limpo, azul, etéril, calmo, como não podia deixar de ser. E o Inferno sempre sujo, poluído, quente, nas entranhas da Terra. Na arquitetura de um músico, um virtuose clássico, não faltaria no ar do Paraíso um Beethoven, um Mozart, e no Inferno o toque especial de um pagode; já para um surdo-mudo, ao contrário, daria a eles o silêncio absoluto. Nem tenho idéia como seria a arquitetura do imaginário de um cego de nascença, mas sabendo diferenciar alegria de tristeza certamente teria a sua forma também.</p>
<p>Como qualquer um criei minhas imagens ao longo da infância, alteradas na adolescência, e na envelhecência (termo criado por Mario Prata). E comecei como a maioria também: Céu, lugar cálido; Inferno, algo que queima e dói. Aos poucos fui criando espaços diferentes. Salas de recepção em ambos lugares. No Céu, bancos de jardim entre plantas maravilhosas; no Inferno, prisões eletrônicas controladas à distância pelo demônio, e por aí fui.</p>
<p>Meu Céu não precisava mais de obras com tetos e passei a utilizar materiais leves, vidros, transparências&#8230; No Inferno, sempre à meia-luz, escavações em rochas comos os trogloditas da Anatólia, mal cheiro permanente&#8230;</p>
<p>Mas como eu, minha arquitetura nunca parou de mudar, e o conceito do pós-moderno substituiu minhas construções anteriores. Passei a usar mais a cor, curvas, e quebrei a indiferente e fria distância que me separava destas imagens.</p>
<p>Adiante, retirei o  supérfluo dessa arquitetura até o ponto de não precisar mais do que era matéria, quando passei a ver o Universo com outros olhos, onde Mal e Bem são só invenções humanas.</p>
<p>Mas como geômetra me senti compelido a ir mais longe, e sem sair de mim, como modernamente se faz uma fábrica dentro da outra, criei um novíssimo Inferno dentro do Paraíso. Assim ao abrir uma porta, quase instantaneamente passo de um lugar ao outro.</p>
<p>E nem foi preciso um corredor para imitar o Purgatório, só a repentina e inesperada alteração da temperatura ao abrir a porta (não importando pra qual lado vou), é suficiente pelo susto me trazer horríveis calafrios, esse pedágio gelado, pra em seguida tudo parecer estar em chamas. Penso ter feito jus a essa passagem, esse mal momento antes que se acostume com as mudanças.</p>
<p>Assim, Céu e Inferno ficaram uma coisa tão próxima, que por vezes durmo num lugar e acordo no outro. Às vezes me vem à cabeça  “O inferno somos nós mesmos..” Sartre, Entre Quatro Paredes. Ops, ia me esquecendo&#8230; Se minha arquitetura se alterou na forma, nos materiais, até chegar nessa invenção que é só uma espécie de ar que respiro, habitantes nunca pus nenhum, nem eles invadiram meus espaços sempre vagos. E exceto uma voz feminina que ouço me chamando, que me faz ir de um lugar ao outro, em nenhum tempo alguém apareceu por lá, nem mesmo Lúcifer, nem Deus &#8212; sempre foi assim, desde criança. A voz não, essa nem sempre a mesma, mas duas diferentes no mesmo tempo, nunca ouvi também.</p>
<p>Não que goste desses chamados, ao contrário, detesto-os. Mas, paradoxalmente, quando passo um longo tempo fora, ainda que esteja numa multidão, sinto que estou só em nenhum lugar do mundo.</p>
<p>Pela minha natureza, esse fel permanente do que é pacato e morno, segurança de quem vai antes da hora&#8230; ah não! Então, se alguém me pergunta o que prefiro, se o aqui ou o ali &#8212; não sou mazoquista pra dizer que prefiro a dor, mas no Inferno se fica mais atento à vida. Me concentro, aguço os sentidos&#8230; chamo a voz que preciso, e quando a ouço, só tem uma porta que me separa do Paraíso. No fundo, lá no fundo mesmo, antes estar entre esses dois mundos que em lugar algum.</p>
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		<title>O QUE É O HOMEM SEM SEU SONHO?</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 12:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas arborizadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas <a href="http://www.dicio.com.br/arborizado/" target="blank_" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.dicio.com.br/arborizado/?referer=');">arborizadas</a> e bem cuidadas do bairro, perguntando ao menino qual daquelas ele preferia, mas defeitos tinham todas, nenhuma servia.</p>
<p>E sempre que passavam por um certo terreno vazio, ali se detinham a construir a casa ideal. Muitas vezes nos fins de semana, passeando com meu cão, vi este senhor gesticulando com as mãos, construindo seu sonho&#8230; explicando em voz alta ao garoto como ia ser. Arquiteto nato, ele logo me lembrou o personagem “pedinte” do Dodeskaden (filme de Akira Kurosawa), que vivia com o filho num carro abandonado e sonhava com uma construção ocidental, sólida e cheia de requintes, diferente das convencionais casas japonesas.</p>
<p>Num fim de tarde meio chuvoso me aproximei deles. Curioso, mas com certo receio, cumprimentei-os e me apresentei como arquiteto, ao que, gentilmente, o Senhor disse já me conhecer e ao meu cão também, e que nessa fase da obra não precisava de ajuda, o que lhe faltava era só um pouco de dinheiro&#8230;</p>
<p>Uns dois anos depois, caminhando só, meu cão tinha morrido, novamente cruzei com eles em frente ao mesmo terreno vazio. O menino crescera, devia estar com uns sete ou oito anos, e agora já fazia perguntas ao pai. &#8212; Por que não pode ser vermelha? Antes que encontrasse a resposta o Senhor me cumprimentou, e aproveitei pra saber  como ia a casa. &#8212; No finzinho&#8230; Respondeu e completou &#8212; Só estamos decidindo as cores (apontando pro menino). &#8212; Pai, por que não pode ser vermelha? Insistiu o garoto. &#8212; O que o Sr acha? Ele me perguntou. &#8212; Vermelha? Eu disse. &#8212; Sim, por fora ele quer inteira vermelha&#8230;</p>
<p>O que eu ia dizer? Que era bom, que era ruim, que era estranho..? Quem era eu pra interferir naqueles destinos? E em vez de responder, fiz outra pergunta, como seriam as plantas. Dessa vez foi o menino que prontamente se adiantou &#8212; São todas brancas e pratas, e as flores azuis, igual a grama. &#8212; Oh&#8230; então vermelha vai ficar linda. Disse. Olhos franzidos, pensativo, o Senhor olhava as bactérias do ar como se não estivesse muito certo disso. Nesse momento me despedi deles e segui minha caminhada.</p>
<p>Nunca mais os vi. Até que um dia, seis horas da manhã, passeando com um outro cão, diante daquele terreno vago um jovem moreninho lá com seus dezesseis anos rabiscava algo numa prancheta. &#8212; Bom dia. Eu disse. &#8212; Cadê seu pai? Ele me olhou sem me reconhecer &#8212; Meu pai, o Sr conhecia ele? &#8212; Sim, sempre vocês vinham aqui&#8230; &#8212; Ah sim, agora acho que me lembro do Sr., meu pai morreu faz oito anos, levou um tiro da polícia quando voltava do trabalho. &#8212; Sinto muito. Disse. &#8212; Sabe que pensei nele esses anos todos, e por que levou um tiro? Perguntei. &#8212; Foi por engano, ele trabalhava à noite numa fábrica, voltava pra casa, estava escuro, ninguém explicou pra gente o que aconteceu. &#8212; E o que faz aqui, agora? Perguntei mais uma vez. &#8212; Estou mudando algumas coisas na nossa casa&#8230; Me desculpe, senhor, mas tenho que terminar isso, tá quase na hora de entrar no meu trabalho. &#8212; Claro, eu é que me desculpo, só queria saber se ainda vai ser vermelha. &#8212; Ah&#8230; não, papai nunca gostou dessa idéia&#8230;</p>
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		<title>O que é o Pós-Moderno?</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 05:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há muitas discussões e discordâncias entre os teóricos sobre a pós-modernidade. O sufixo pós significa depois, após, e em si daria um fim ao movimento modernista, que nasceu no início do século passado, e que  rompeu com a arte individual, captando os &#8220;ares&#8221; da industrialização e tecnologias crescentes. Há arquitetos modernistas que  recusam quaisquer movimentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há muitas discussões e discordâncias entre os teóricos sobre a <a title="O que é Pós-modernidade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3s-modernidade" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/P_C3_B3s-modernidade?referer=');">pós-modernidade</a>. O sufixo pós significa depois, após, e em si daria um fim ao movimento modernista, que nasceu no início do século passado, e que  rompeu com a arte individual, captando os &#8220;ares&#8221; da industrialização e tecnologias crescentes.<br />
Há <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquitetos</a> modernistas que  recusam quaisquer movimentos que surgiram ao longo dos anos, como se nada de novo ou importante aconteceu. É evidente  que nenhum movimento tem ou teve a  força daquele, que apagou o passado. Nem por isso pode-se desprezar a existência de novas idéias.</p>
<p>O que se chama de pós-moderno é a miscelânia eclética  que já tem lá seus 40 anos, e que vê sua inspiração na história e  na humanização não coletiva ao quebrar os preceitos de massa do movimento modernista,  democratizando as possibilidades,  e trazendo o indivíduo com suas desigualdades naturais de volta ao mundo. Esse estilo sem estilo não segue regras pré-estabelecidas por nenhuma teoria que pretendeu determinar um caminho formal para o coletivo.</p>
<p>O pós-moderno recusa a industrialização robotizada, que nem barateia como se pretende, nem ajuda o planeta em nada, muito ao contrário. Não sou um teórico das artes, nem estudioso de sociologia, nem sei porque dão nomes a tudo, apenas herdei um gene anárquico que não suporta ver um indivíduo, como se fosse um enviado de deus, escolher o que é melhor a milhares. E acho deprimente  olhar as cidades e ver seus   cubos de vidro super-originais, iguaizinhos à maioria.</p>
<p>O pós-moderno nas suas muitas e diferentes tendências espanta, encanta, navega no futuro, no avesso; em algumas obras redescobriu a oficina, a janela que abre, a alegria, a cor.</p>
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		<title>Casa Fácil</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 06:20:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Casa fácil não tem. Tem casa mal feita. Não importa o estilo, tamanho, o tempo pra se fazer ou o custo,  uma obra é sempre uma obra e depende de várias pessoas. Não digo que o planejamento de uma construção seja inútil, mas obras não são executadas por tabelas coloridas nem podem ser feitas num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Casa fácil não tem. Tem casa mal feita.</p>
<p>Não importa o estilo, tamanho, o tempo pra se fazer ou  o custo,  uma <a title="Arquitetura Pós Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obra</a> é sempre uma obra e depende de várias pessoas. Não digo que o planejamento de uma construção seja inútil, mas obras não são executadas por  tabelas coloridas nem podem ser feitas num leptop.</p>
<p>Obras  são realizadas por pessoas que usam mais as mãos que os dedos, e de nada vale um bom planejamento se os envolvidos diretamente  na construção não tiverem <strong>qualidade</strong>.</p>
<p>Quem estiver pensando em construir preocupe-se mais em olhar os que vão pôr a mão na massa, como quem viaja de avião ou navio deve prestar mais atenção no comandante.</p>
<p>Aeronave cai, embarcação afunda. Casa pode não cair, mas sem um encarregado, um mestre, um eletricista consciente da sua função etc., independentemente de todos os outros fatores, é dor de cabeça na certa.</p>
<p>Dinheiro se gasta igual e é muito mais fácil fazer mal feito.</p>
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		<title>Arquitetura da Miséria</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Aug 2009 13:07:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo. Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria, uma das paragens mais horríveis do mundo. Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Costa Amalfitana, estradinha pra Vítrio, encosta apinhada de pequenas casas e pés de limão, uma das paragens mais lindas do mundo.</p>
<p>Campo Limpo em SP, estrada de M´Boy Mirim, amontoado de pequenas casas cinzas, cor da miséria,  uma das paragens mais horríveis do mundo.</p>
<p>Com a sensibilidade que vai além da visão embotada pelo preconceito, e sem o <a title="O que é Sincretismo?" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Sincretismo?referer=');">sincretismo</a> simplório que mistura tudo, a arquitetura da miséria tem lá suas semelhanças com a Costa Amalfitana. Como aquela, também não segue as normas fixadas pelos doutos que criam os parâmetros do urbanismo.  É anárquica em todos os sentidos, porque também não segue as regras formais da construção, nasce de uns riscos no chão, sobe rápido porque é simples, tudo perfeitamente de acordo com um único parâmetro &#8212; a necessidade e a  falta de recursos.</p>
<p>Ao contrário da arquitetura formal, onde o engenheiro e o <a title="Arquiteto Paulo Vilela" href="http://www.paulovilela.com.br/perfil-paulo-vilela/">arquiteto</a>, além, claro, do proprietário, quebram a cabeça pra criarem um dormitório a mais, levando em conta os acessos, as leis etc., a arquitetura da miséria é extremamente dinâmica, e é modificada a cada rebento que nasce, quase uma “obra aberta”. Houvesse uma palavra que definisse esse estilo <em>sem estilo</em>, poderia ser a “arquitetura do puxadinho”.</p>
<p>Não dá certo escada por dentro, come o espaço da TV? Sem problemas&#8230; escada pra fora.  Chove quando sobe? Sem problemas&#8230; mais um “puxadinho”.</p>
<p>Mais original que as <a title="Obras Arquitetura Pós-Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> da realeza, esse conjunto cinza de blocos de cimento e telhas de fibro-cimento, sem acabamento, sem detalhes, que sobe e desce montanhas, é horrível no seu todo não por falta de criatividade,  falta cor!</p>
<p>Imagino se em vez de se colocar tapumes nas avenidas pra esconder os “puxadinhos”, como fez o Lacerda no Rio de Janeiro,  o Estado transferisse recursos inúteis, como por exemplo,  do Senado. Ou os bancos fizessem um esforcinho&#8230; Imagino todos os milhares de “puxadinhos” do país com paredes rebocadas e pintadas com a cor da vontade de cada um&#8230;  E teríamos uma estética anárquica, que fugiria da mesmice,  única no mundo dado as proporções. Cor é alegria, bem estar, transforma as pessoas, e isso não é uma gozação, muito menos uma piração, mas alguém vai dizer que é tampar o sol com a peneira, que o problema é muito mais em baixo num país que falta tudo, como se eu não soubesse.</p>
<p>Num Estado de parlamentares e governantes meia-bocas estamos muito longe de substituir os &#8220;puxadinhos&#8221;  por algo mais digno, não obstante há leis de incentivo à cultura, museus, estátuas em praças públicas. O que é esse esforço estético se não para o deleite da alma humana, enfeites que encantam ou enfeitiçam, que têm o poder de transformação? Então por que não colorir e dar vida aos &#8220;puxadinhos&#8221;?</p>
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