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	<title>Paulo Vilela &#187; individualidade</title>
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	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
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		<title>PALHAÇOS</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 16:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[alegria]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes. &#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso! Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta. &#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava atrasado, tinha acabado de engolir um almoço sem graça, quando meu cão aparece na porta da cozinha com uma chave entre os dentes.</p>
<p>&#8212; Vem aqui Tom, deixa eu ver isso!</p>
<p>Ele faz umas firulas, joga pra cima, pega de novo. Me aproximo&#8230; ele se afasta.</p>
<p>&#8212; Pára com isso, Tom, vem aqui&#8230; vamos trocar por uma bolacha!</p>
<p>Pego uma bolacha, ele fica na dúvida, se aproxima, quer a bolacha, mas a chave ele não solta. Por fim, depois de uns minutos, decide pela farinácea e deixa a chave cair, é a chave do carro. Me abaixo pra pegá-la, mas ele é mais rápido e abocanha a chave ainda com parte da bolacha na boca.</p>
<p>&#8212; Olha aqui, Tom, vamos parar com isso que não tem graça nenhuma.</p>
<p>Me abaixo e o chamo  carinhosamente&#8230; Ele vira de bunda e olha de soslaio da soleira da porta. Ameaço correr, ele dá uma arrancada de atleta, mas pára a uns cinco metros.</p>
<p>&#8212; PQP Tom, vc vai levar uma surra! Grito, bravo, já sem paciência, quando toca o telefone.</p>
<p>&#8212; Alô? Quem? Ah&#8230; sim, pois não (É a moça do speed que pergunta se a linha ficou boa).</p>
<p>&#8212;  Não sei. Fiquei a manhã toda sem conexão, agora não posso responder, estou em cima da hora.</p>
<p>&#8212; O quê? Tô dizendo que não dá pra ligar o computador agora, que estou atrasadíssimo e o Tom está me olhando com a chave do carro na boca.</p>
<p>&#8212; Como? Se o meu filho não tem mãos? É isso que disse?</p>
<p>&#8212; Não minha Sra., o Tom não é meu filho, não tenho filhos, e vai ser um inferno chegar atrasado, aquele imbecil que me espera não tolera atraso.</p>
<p>&#8212; Precisa saber se está funcionando, né, é seu trabalho eu sei, então vamos fazer uma coisa, escreve aí que eu não pude ver isso porque meu cão roubou a chave do carro e está esperando eu desligar o telefone pra correr atrás dele!</p>
<p>&#8212; Sim, o Tom é meu cão, isso mesmo, é esse FdP que peguei na rua outro dia quase morrendo e que agora toma conta de tudo&#8230;</p>
<p>&#8212; Não, minha Sra. Ele não é um cão de guarda, é um bem pequeno, parece o garrincha, pernas tortas, dribla, tem pé virado de lado, só quatro dedos em cada pata, amarelo escuro, da pá virada&#8230; Um segundo, Sra!</p>
<p>Largo o telefone e aproveito que ele está perto do fogão, corro e fecho a porta da cozinha.</p>
<p>&#8212; Dá essa chave, Tom!</p>
<p>Ele circula ao redor da mesa me fazendo de palhaço. Cerco ele com as cadeiras, mas o monstrinho vai pra sala. Depois de uns dez minutos de correria ele entra no lavabo.</p>
<p>&#8212; Agora se fodeu, hein Tom!</p>
<p>Fecho a porta, lavabo minúsculo..  ele larga a chave no chão e me olha com aquela carinha de coitadinho. Devia dar uma surra no FdP, mas lembrei do telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Alô, desculpe, não&#8230; ainda não sei se o speed está funcionando. O que fui fazer esse tempão? Minha chave, a chave do carro&#8230; consegui pegá-la, lavabo é uma armadilha!  Não, claro que não. Não estou pensando que a Sra. é uma palhaça.</p>
<p>Desligou na minha cara! Se tem algo que detesto é isso, só deus sabe quanto. Pus no gancho, abri a porta da cozinha pro Tom sair&#8230; outra vez o telefone&#8230;</p>
<p>&#8212; Olha aqui minha Sra. vai a PQP! Anh&#8230;!?  É, sou eu mesmo! Desculpe&#8230; sei que marquei com o Sr., mas ainda não consegui sair, tô enrolado, primeiro o Tom roubou a chave do carro, depois foi a moça do speed&#8230;  O quê? Não, absolutamente&#8230; Claro que o Sr não é um palhaço, é que&#8230;</p>
<p>Outro telefone desligado na minha cara!</p>
<p>O  sol invade a cozinha&#8230; dia lindo,o Tom na janela me convida pra vida. Pausa.</p>
<p>Pra não me arrepender minutos depois peguei uma tesoura e cortei o fio do telefone.</p>
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		<title>O Futuro Presidente do Brasil</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 15:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[autocracia]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[individualidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

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		<description><![CDATA[Não digo que seja exatamente esse, mas será alguém muito parecido, infelizmente. Não tenho uma bola de cristal, não ouvi nenhum chamado divino, mas também não tenho mais idade pra ser do tipo &#8220;me engana que eu gosto&#8221;. Fila do supermercado, na minha frente uma senhora de mais de oitenta com uma caixinha de sorvete [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não digo que seja exatamente esse, mas será alguém muito parecido, infelizmente. Não tenho uma bola de cristal, não ouvi nenhum chamado divino, mas também não tenho mais idade pra ser do tipo &#8220;me engana que eu gosto&#8221;.</p>
<p>Fila do supermercado, na minha frente uma senhora de mais de oitenta com uma caixinha de sorvete na mão.</p>
<p>&#8212; É pro meu neto, ele tá vindo agora, nem me avisou. Moro aqui do lado, tenho nada em casa pra dar pra ele&#8230;</p>
<p>Não perguntei nada, obviamente, ela falava porque tava ansiosa.</p>
<p>Na frente dela o futuro presidente do país. Rapaz de vinte e poucos, um agasalho estampado com o &#8220;logo&#8221; de uma faculdade de economia, com um carrinho lotado de cervejas, saquinhos aluminizados de fritas e uma infinidade de coisas que não prestei atenção.</p>
<p>Enquanto ele punha as coisas sobre o balcão rolante, e a &#8220;caixa&#8221; lhe perguntava se tinha cartão do supermercado, a anciã se dirige a ele pedindo gentilmente se  pode passar antes com o sorvete. Mas o que ela viu  foi ele do alto da sua soberba fazendo um gesto com o braço esticado, apontando pra algum lugar. E o que ouviu, que também ouvi, foi muito preciso e conciso:</p>
<p>&#8212; Deve ter algum caixa vazio&#8230;</p>
<p>Nisso tocou o celular da Sra&#8230;</p>
<p>&#8212; Já chegou? Me espera aí na portaria, tô no supermercado, já estou saindo&#8230;</p>
<p>O supermercado estava lotado, ela não saiu do lugar. E a mocinha do caixa foi passando os produtos. No final o rapaz lhe deu um Cartão de Crédito.</p>
<p>&#8212; Crédito ou débito? Perguntou a mocinha</p>
<p>&#8212; Débito!</p>
<p>&#8212; Pode me dar o RG?</strong></p>
<p>&#8212; Mas esse cartão não é do senhor. Disse ela.</p>
<p>&#8212; É da minha mãe, sempre compro com ele&#8230;.</p>
<p>&#8212; Sinto muito, não posso aceitar&#8230;  Devolvendo o cartão e o RG.</p>
<p>&#8212; Quero falar com o gerente. Falou, furioso, o futuro presidente do Brasil.</p>
<p>Enquanto se aguardava o gerente, toca novamente o Celular da senhora&#8230;</p>
<p>&#8212; Já tô indo, filho&#8230; O caixa entalou, tô levando um sorvete de chocolate&#8230;</p>
<p>Chegou o gerente. Bate-boca inútil, o tempo passando&#8230; O rapaz enfurecido passa o braço na esteira, derruba metade das coisas no chão e sai praguejando. Estupefatos, ficam conversando, a &#8220;caixa&#8221; e o gerente.</p>
<p>Não aguentei ficar calado,  já estávamos há uns 10 minutos aguardando uma solução. Pedi pra passar o sorvete da senhora. Agachados, recolhendo as coisas do chão, nem me ouviram. Agora era a &#8220;gerente dos caixas&#8221;  que aguardávamos pra cancelar a compra.</p>
<p>A velhinha começou a respirar esquisito e tirou da bolsa um spray de asmáticos, borrifou a garganta, largou o sorvete do neto no balcão, e sem dizer nenhuma palavra saiu cambaleante de mãos vazias.</p>
<p>Eu ouvi sua voz sem voz,  e fiz o mesmo.</p>
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		<title>ARQUITETURA &#8212; ESTÉTICA E FUNCIONALIDADE</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 04:21:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[a casa de arame]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<category><![CDATA[estética]]></category>
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		<description><![CDATA[A finalidade básica da arquitetura é dar ao homem abrigo das intempéries, do calor ou frio excessivos, e também conforto estético se possível. Mas essa questão é muito ampla e subjetiva, porque cada homem é absolutamente único e porque o belo não é um conceito universal (creio que um pigmeu daria nota zero a qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A finalidade básica da arquitetura é dar ao homem abrigo das intempéries, do calor ou frio excessivos, e  também conforto estético se possível. Mas essa questão é muito ampla e  subjetiva,  porque cada homem é absolutamente único e porque o belo não é um conceito universal (creio que um  pigmeu daria nota zero a qualquer miss universo).</p>
<p>Não obstante, quem consegue  passar do básico e chegar à uma moradia propriamente dita, certamente vai enfeitá-la, pintar com as cores do seu agrado, pôr pedras no entorno etc., o que me faz pensar que, de alguma maneira, estética faz parte da vida de todos, ainda que não entre no sonho ou caiba no bolso da maioria.</p>
<p>Não importa se é uma casinha, um super-edifício ou uma obra institucional.  Por mais bela, curiosa, original, surpreendente que seja uma obra, se chove dentro não cumpre sua função básica. O mesmo vale para um ambiente muito frio, úmido ou quente demais, que expulsa seu usuário porque teve aberturas mal pensadas, e que  só pode ser corrigido com o uso de fontes  externas de energia, e em alguns casos nem pode. E nessa questão térmica a maioria das <a title="Arquitetura Pós Moderna" href="http://www.paulovilela.com.br/obras-arquitetura-pos-moderna/">obras</a> é inadequada, até as chamadas &#8220;inteligentes&#8221;, que com  tecnologia de ponta inventam ambientes confortáveis, mas no  fundo  são bem &#8220;burrinhas&#8221;, porque num planeta com recursos finitos inteligente é o que guarda, não o que esbanja energia.</p>
<p>Arquitetura não deve só encantar, surpreender fugindo do &#8220;pão de forma&#8221;, mas ter presente que o prazer vai além do olhar &#8212; não se engana a pele, que é o estar bem, o sentir-se bem, sem o quê a arquitetura não cumpre seu papel.</p>
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