Posts Tagged ‘poesias’

A HISTÓRIA DO NIL

Pra quem não sabe,  Embu-Guaçu significa cobra grande na linguagem dos aborígenes. A cidade nasceu pelos santistas que no início do século passado subiam a serra de trem para ares mais frescos, e até hoje é cortada pela ferrovia que vem do interior do estado e segue para o litoral. No alto da Serra do Mar, nas nascentes da Represa de Guarapiranga, Embu-Guaçu não há tanto tempo foi considerada ...
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Ticha

Vou te chamar Ticha porque não sei o teu nome. Ficaste calada quando perguntei, mas teus olhos falaram pela tua boca e me contaram coisas terríveis. Se ainda vives, menina guarani, espero nunca te encontrar, quero lembrar a inocência sem infâmias, que certamente fez-te criança por mais algum tempo. Se ainda vives, menina crescida, deves ter aprendido a rezar, a chorar. E também que nesse mundo uma flecha só vale um mac donald e não cabe mais índios como ...
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NEGRA, NEGRA…

Negra, negra, negra... Que sob a pálida tez alva a infâmia do absurdo tingiu. Albino corpo fora de forma como alma sem peso, sangra negro, negro, negro... Asas que não voam, de arame, ternura e éter mancham o que esbarram. Nem a neblina esconde, nem o breu a água lava, negra pálida como o sal! Esse piche se não é seu, não é também dessa vida essa tinta que não é tinta.
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O grande pequeno mundo

Numa festa junina, ao lado de uma fogueira, um menino pediu ao Santo João, um desses pedidos que não se faz a qualquer um, mas isso faz muito tempo, lá numa ruazinha de bairro que nem deve existir mais, e não sou nem o menino crescido, nem o João; tampouco sei qual foi o seu desejo, mas estava ao seu lado ...
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Arquitetura do Vento

Atrás de casa tinha uma árvore, atrás da árvore tinha uma pedra, atrás da pedra não tinha nada. Todo dia eu olhava e não tinha nada. Um dia pensando que não tinha nada, vi a sombra de uma menina sentada. Olhei pra cima, aonde ela estava? --- Bom dia, que fazeis aí solitária? Ela moveu a cabeça, mas não disse nada. Era um mês de agosto, ventava... E aquela menina que ia não era nada, só ...
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A Casa de Arame

Hoje vi nascer uma prisão. Vi dedos ágeis,  manejando fios de aço, tecer planos pro teu futuro, pássaro! Penosa habilidade e paciência, que com trapézios e balanços tenta enganar a morte com diversão. Distante dali, um traiçoeiro gorjeio paralisou teu instinto, pássaro! E numa arapuca te fez prisioneiro. Se ao menos desconfiasses, certamente voarias para onde não poderiam atrapalhar teu canto. Agora terás um novo endereço e pagarás com teu grito de revolta a enfeitada jaula com comida ...
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