<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Paulo Vilela &#187; problema social</title>
	<atom:link href="http://www.paulovilela.com.br/tag/problema-social/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.paulovilela.com.br</link>
	<description>Arquiteto Pós-moderno</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Feb 2012 21:45:22 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.1.1</generator>
		<item>
		<title>Três apara pela primeira da matança!</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/tres-apara-pela-primeira-da-matanca/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/tres-apara-pela-primeira-da-matanca/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 01:44:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[cão]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[estilo]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=1273</guid>
		<description><![CDATA[Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso? &#160; Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, não é um código secreto. Também não pode ser traduzido em nenhum idioma, e a maioria absoluta  desconhece o que seja. Ah&#8230; claro, o Google tem tudo – mentira, não tem tudo não, e isso também não tem. Putz, então que merda é isso?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Calma&#8230; Tom, é meio complicado! E lembre-se que é um cão, apesar de não achar que é. Isso é coisa de homem. Mulher e cão, sem chance!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O quê? Pára com isso. Falo do sexo masculino, não coisa de macho ou chauvinismo. Alíás, coisa de guri, não de guria, assim fica melhor. Mas que é encrencado, isso é: “Três apara pela primeira da matança” &#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não sei quem inventou, nunca me perguntei, mas repeti milhares de vezes, às vezes calmo, às vezes muito bravo e raivoso. Numas tantas matei o cara, em outras não tive habilidade ou sorte. Mas se em muitas vezes não matei na hora, matei depois. Na vida é assim, se nem sempre saímos vencedores, nem sempre também somos perdedores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tá entendendo, Tom? Tudo é jogo, ou de regras pré-estabelecidas ou do destino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“Três apara pela primeira da matança” é o grito de quem tem caráter, a suprema justiça (nada a ver com Supremo Tribunal da Justiça) pra fazer valer o que é correto no exato momento que a desonestidade mostra a cara. E se ainda assim dito não resolve, aí o “Três apara pela primeira da matança” é cumprido à risca,  é o tudo ou nada pra quem tá com a corda no pescoço. Qualquer menino do tempo que computador pesava uma tonelada sabia isso de cor, e todos que tem um mínimo de memória e não brincavam com bonecas ainda devem saber. Como o Google não pode resolver, explico por partes:</p>
<p><strong><em>Três</em></strong><em> </em>é três mesmo.</p>
<p><strong><em>Apara,</em></strong> terceira pessoa do singular do verbo aparar (no sentido de obstruir algo que se move)</p>
<p><strong><em>Primeira</em></strong> todo mundo conhece o que é.</p>
<p><strong><em>Matança</em></strong> é algo horrível mesmo, nunca associado à morte natural e ainda intimamente ligada ao mal. Ave! Guris viajam mesmo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É mesmo difícil entender essa junção estranha de palavras sem entender as regras de um jogo de bolinhas de gude (vidro).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não foi você que perguntou, Tom? Então preste atenção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Num dos muitos tipos de jogos de bolinhas de gude, chamado de <strong>“box”</strong>, cava-se com uma tampinha de lata, dessas de refrigerante,  4 semi-esferas na terra batida, distanciadas 4 palmos uma das outras, usando como medida a mão do menino que no momento tem a maior.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mão de gente, Tom! Não adianta olhar pras suas patas, não tem nada a ver!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O jogo consiste em ir embocando a bolinha nos 4 buraquinhos, ida e volta, duas vezes. Completado o percurso chega-se à matança, momento que a bolinha assassina mata as demais só encostando nas outras, o que se deduz que quem chega primeiro à matança tem mais chance de levar a dos outros pra casa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mas não é fácil não chegar lá. Todos trabalham contra pra impedir. Cada vez que a bolinha se aproxima, mas não cai no buraquinho, fica ali à espera da próxima vez, mas se o próximo jogador emboca tem o direito de “estecá-la” (esta nem no Houassis tem, verbo <strong><em>estecar</em></strong>, que se conjuga, mas não existe), que quer dizer mais ou menos dar uma estilingada com a bolinha de vidro soltando de uma vez o polegar preso no indicador. Há <strong><em>“estecadas”</em></strong> maravilhosas, que o som do vidro é igual pedrada em vidraça, que faz a bolinha do oponente ir a 5 ou 6 m de distância, e a do <strong><em>“estecador”</em> </strong> só roda em si mesmasem sair do lugar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Você quer entender tudo, Tom? Falei que era complicado&#8230; Cão tem que ser cão, catso!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao jogo&#8230; Cada um só tem direito a uma jogada por vez, exceto se embocar no buraquinho, momento que pode seguir ao próximo ou, se quiser antes de seguir pode afastar as bolinhas que estão por perto,<em><strong> &#8220;estecando-as&#8221;</strong></em>. Ora, imagine estar longe 5 ou 6 m dos buraquinhos quantas jogadas se atrasa em relação aos demais, e isso ninguém deseja, aí entra o “Três apara pela primeira da matança”, que tem que ser dito instantaneamente quando se emboca no buraquinho ou os outros jogadores poderão dizer <strong><em>“paradinha</em></strong>”, e interromper a “<strong><em>estecada” </em></strong>com os pés a poucos palmos de distância.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bem,Tom, isso de &#8220;paradinha&#8221; é uma grande sacanagem. Disso você não entende mesmo, mas o mundo é construído de sacanagem, deixa pra lá.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Agora, se mesmo dizendo antes a frase estranha, o cidadão, que ainda não era, e nem sei se seria, usar o pé&#8230;  Aí dançou. Na matança o <strong><em>“estecador”</em></strong> tem direito a três jogadas seguidas pra matá-lo, e normalmente o mata, exceto se for muito ruim de pontaria o<span style="text-decoration: underline">u se defrontar com alguma regra nova, que nunca se ouviu, inventada na hora pelos que não admitem morrer, digo perder</span>. E isso era o que mais tinha&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Compreendeu agora, Tom?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E tem gente que pensa que político aprendeu de grande.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/tres-apara-pela-primeira-da-matanca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A HISTÓRIA DO NIL</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/a-historia-do-nil/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/a-historia-do-nil/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2011 04:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[poesias]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=1183</guid>
		<description><![CDATA[Pra quem não sabe,  Embu-Guaçu significa cobra grande na linguagem dos aborígenes. A cidade nasceu pelos santistas que no início do século passado subiam a serra de trem para ares mais frescos, e até hoje é cortada pela ferrovia que vem do interior do estado e segue para o litoral. No alto da Serra do Mar, nas nascentes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra quem não sabe,  Embu-Guaçu significa cobra grande na linguagem dos aborígenes. A cidade nasceu pelos santistas que no início do século passado subiam a serra de trem para ares mais frescos, e até hoje é cortada pela ferrovia que vem do interior do estado e segue para o litoral.</p>
<p>No alto da Serra do Mar, nas nascentes da Represa de Guarapiranga, Embu-Guaçu não há tanto tempo foi considerada a menos violenta das cidades da Grande S.Paulo. Também não há tanto tempo chegou a ser a segunda mais violenta. No presente, pela mesma estatística, situa-se numa escala intermediária .</p>
<p>Sem fugir à regra, a cidade cresceu muito nos últimos anos. Se não era um deslumbre,  era graciosa e calma.   Cresceu, mas quando me perguntam &#8220;Tem MacDonald?&#8221;  Não, não tem, mas agências bancárias não faltam.  Cinema também não tem, em compensação tem uma espécie de Panteòn mal copiado, idéia de não sei quem, que abriga as Secretarias de Esportes e Cultura e sei lá mais o quê.</p>
<p>Coisas intrigantes, isso tem! Não conheço nenhum lugar com mais lojas de sapatos  “per capta” e igrejas evangélicas ou protestantes, que não protestam nada evidentemente. Ah&#8230; quase esqueci do descomunal supermercado só de carnes, aonde os cachorros vira-latas da região se encontram pra longos bate-papos na hora do fechamento, quando lavam os pisos e a água corre pela calçada até o meio fio. Do meio fio, com espuma de sabão,  segue disfarçadamente por caminhos tortuosos até o primeiro corpo d´água, cujo destino final é sempre a Represa de Guarapiranga, esta totalmente desprotegida, digo protegida, por uma série de Leis sobre os Mananciais desde 1975.</p>
<p>Não sei se chega a ser intrigante também o fato de que vizinho do super-açougue, além dos cães tem a Delegacia Municipal de Polícia, que em certa ocasião perguntei à policial feminina, ali estacionada na porta, se aquilo podia. Ela me olhou como se eu fosse um ET&#8230; &#8212; Ahn? Fiz então a mesma pergunta formulada de outra maneira, mas com cara de não muitos amigos ela me disse pra eu procurar a Secretaria de Saúde se não estivesse satisfeito.</p>
<p>Não estava nem estou, mas também não era isso que pensei em escrever quando comecei dizendo que era uma cidade graciosa e calma, onde era quase um prazer o ir a um banco ou postar uma carta, por exemplo. Mas, com base nas idéias utilizadas pelas metrópoles, eles conseguiram transformar a cidade numa meleca. Eles quem? Ora, os especialistas!  Começaram pelas lombadas&#8230;. uma aqui, outra acolá&#8230; Encheram a cidade de morrinhos; depois, a cada nova administração, como tudo era ótimo e não havia o que fazer, tinham que inventar, aliás copiar, e copiaram de S.Paulo a modernidade! Pronto, uma, duas, três ruas&#8230; que só vai pra um lado e tudo virou contra-mão! Então, perdidos, todos se juntam em voltas enormes pra passar nos mesmos lugares, assim os gênios do urbanismo conseguiram criar &#8220;trânsito&#8221;,  e a cidade outrora calma já se equipara à estupidez das metrópoles.</p>
<p>Semáforo não tem, ufa! Aliás, ganharam um do governo do estado, mas logo quebrou e assim ficou. Sem coragem de retirar o inútil, este ainda permanece altivo, mas só pisca há mais de ano. Agora, todo esse preâmbulo foi  pra situar no tempo e no espaço a história do meu amigo, que vive na beiradinha da cidade, e que resolveu ir de carro comprar um remédio na farmácia a cinco quadras da sua casa.</p>
<p>Era hora do almoço, o cheiro da comida impregnava paredes. A empregada na porta: &#8212; Não vai comer antes de sair,  Seu Nil? A comida está pronta! Ele faz um gesto com a mão de zapt-zupt, e diz que em cinco minutinhos estaria de volta.</p>
<p>Abriu o portão, pôs o carro pra fora, desceu, fechou o portão, entrou novamente no carro e seguiu para a farmácia. Dois minutos e já estava na Botica, quer dizer, passou em frente, porque vaga não tinha pra estacionar. Desceu pela transversal, virou à esquerda (uma volta no quarteirão depois das modernizações com as contra-mãos significa sempre uns quatro). Repetiu o caminho e nenhuma vaga.</p>
<p>Insistente e conhecedor das pairagens, passou pro outro lado da avenida, mais umas voltas gigantes e nada de uma vaguinha&#8230; Assim, de lá pra cá, foi indo e indo e acabou achando uma bem apertadinha entre uma caminhonete e uma caçamba de obra. Bom manobrista que é, depois de umas tentativas encaixou o veículo como uma luva. Saiu do carro, olhou com certo orgulho a quase proeza! &#8212; Putz, enfim..! Falou pra si, já com o saco cheio. &#8212; Aonde é mesmo a farmácia? Pensativo, tentando se nortear, tonto que estava. Olhou novamente para o carro, o muro de um colégio todo pichado, pôs os óculos&#8230;</p>
<p>A uns trinta metros dali, no portão da sua casa, a prestimosa empregada grita: &#8212; Ô Seu Nil, por que não parou na garagem? A comida está esfriando!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/a-historia-do-nil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ticha</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/ticha/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/ticha/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 02:11:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[poesias]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=1089</guid>
		<description><![CDATA[Vou te chamar Ticha porque não sei o teu nome. Ficaste calada quando perguntei, mas teus olhos falaram pela tua boca e me contaram coisas terríveis. Se ainda vives, menina guarani, espero nunca te encontrar, quero lembrar a inocência sem infâmias, que certamente fez-te criança por mais algum tempo. Se ainda vives, menina crescida, deves [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou te chamar Ticha</p>
<p>porque não sei o teu nome.</p>
<p>Ficaste calada quando perguntei,</p>
<p>mas teus olhos falaram pela tua boca</p>
<p>e me contaram coisas terríveis.</p>
<p>Se ainda vives, menina guarani,</p>
<p>espero nunca te encontrar,</p>
<p>quero lembrar a inocência sem infâmias,</p>
<p>que certamente fez-te criança</p>
<p>por mais algum tempo.</p>
<p>Se ainda vives, menina crescida,</p>
<p>deves ter aprendido a rezar, a chorar.</p>
<p>E também que nesse mundo</p>
<p>uma flecha só vale um mac donald</p>
<p>e não cabe mais índios como tu e teus irmãos.</p>
<p>E se guardei tua foto tão bem guardada</p>
<p>foi pra nunca mais encontrar-te,</p>
<p>mas essa noite sonhei contigo, fiz as contas&#8230;</p>
<p>Deves ter quase quarenta</p>
<p>e tua aldeia quase nenhum.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/ticha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>MERETÍSSIMAS FILHAS DE EVA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/meretissimas-filhas-de-eva/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/meretissimas-filhas-de-eva/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 11:11:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=1014</guid>
		<description><![CDATA[Então a juíza me perguntou se era culpado. &#8212; Claro que não, Meretíssima! &#8212; A acusação diz que vc é o único responsável pela gordura mórbida da funcionária registrada em seu nome. &#8212; Mas eu não tenho nada a ver com isso, Meretíssima! Quase não tenho fome, como a obrigaria comer? &#8212; Por que então [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então a juíza me perguntou se era culpado.</p>
<p>&#8212; Claro que não, Meretíssima!</p>
<p>&#8212; A acusação diz que vc é o único responsável pela gordura mórbida</p>
<p>da funcionária registrada em seu nome.</p>
<p>&#8212; Mas eu não tenho nada a ver com isso, Meretíssima! Quase não tenho fome, como a obrigaria comer?</p>
<p>&#8212; Por que então mantém sua geladeira cheia de doces se não os come? Não será a prova da culpa?</p>
<p>&#8212; Mas Dra&#8230;</p>
<p>&#8212; Meretíssima!!!</p>
<p>&#8212; Sim, Meretíssma, esses doce e bolos é ela mesmo quem os faz&#8230;</p>
<p>&#8212; Sem o seu pedido?</p>
<p>&#8212; Claro, Meretíssima, não fico ali ao lado dela, não a vejo fazendo, muito menos comendo, só noto que eles existem quando abro a geladeira, e que somem como mágica&#8230;</p>
<p>&#8212; Então acompanha o desaparecimento deles?</p>
<p>&#8212; Sim,  de certa maneira, sim, como disse.</p>
<p>&#8212; Mas se não se interessa por doces por que compra farinha, creme de leite, açúcar&#8230;?</p>
<p>&#8212; Não sou eu quem faz as compras, Sra. Dra. Juiza Meretíssima e o Esquimbau! É ela quem faz o supermercado!</p>
<p>&#8212; Culpado!!!  O réu desacatou a autoridade da Justiça. Dispensadas as testemunhas! O réu deve pagar a operação de estômago, os encargos públicos, os salários integrais, fundo de garantia, INSS, pelo tempo de recuperação da vítima.  Cumpra-se o veredicto!</p>
<p>&#8212; Mas Dra&#8230;</p>
<p>&#8212; Uma palavra mais e mando lhe prender!</p>
<p>Cadeia é pessimo!  Paguei a operação da atávica faminta, os encargos, salários etc. Ela ficou seis meses me ligando dizendo que estava mal, que não dava pra trabalhar, que comia e tinha vontade de vomitar.</p>
<p>Um dia ela voltou sorridente, mas logo ficou de mal-humor quando viu que em casa não tinha nada. Trabalhou uma semana e pediu as contas.</p>
<p>A próxima moça que arrumei fiz entrar pela porta da frente, mostrei-lhe os quartos, a sala&#8230; mas assim que entramos na cozinha, espantada, cara de fantasma, logo me perguntou: “O Sr. não tem geladeira?”</p>
<p>&#8211; Não, tem algum problema?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/meretissimas-filhas-de-eva/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sra. TELEFONICA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/sra-telefonica/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/sra-telefonica/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 00:42:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[anarquismo]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=948</guid>
		<description><![CDATA[Sra Telefonica, Sei que trabalhas em domicílio, apesar de ter o próprio bordel, mas como não faz nada por amor, nem por miseridicórdia, e só trabalha por dinheiro&#8230; Nem gosto, e não sei se devo, mas outro nome não encontro pra chamá-la, que não seja mesmo o de puta sem vergonha, e falo assim porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]&gt;  120 1152x900  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21   false false false        MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--><!--[if gte mso 9]&gt;   &lt;![endif]--><!--[if gte mso 10]&gt; &lt;!   /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:&quot;&quot;; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:&quot;Times New Roman&quot;; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} --> <!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Sra Telefonica,<br />
</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Sei que trabalhas em domicílio, apesar de ter o próprio bordel, mas como não faz nada por amor, nem por miseridicórdia, e só trabalha por dinheiro&#8230;<span> </span>Nem gosto, e não sei se devo, mas outro nome não encontro pra chamá-la, que não seja mesmo o de puta sem vergonha, e falo assim porque certamente nessa profissão há as que têm caráter. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Vieste de longe já afrontando nossa língua, onde toda proparoxítona é acentuada, mas tu, cheia de “nove horas”, inventaste a exceção!<span> </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Entraste na minha casa a meu pedido, mas como qualquer rameira que se preze cobras por tudo: cobras conta, cobras speed, cobras manutenção do teu corpo doente e em frangalhos, disfarçado por plásticas sofisticadas. </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Como dizem por aqui, és como barata que morde e assopra. Fazes publicidade com roupas caras e sofisticadas, quando de perto teus vestidos cheiram a naftalina. Prometes sonhos cheios de cores, mas na hora do vamos ver és um pesadelo em preto e branco! </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">“Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta”, o cacete! Aquelas secretárias do teu bordel, escondidas por placas de chumbo, não passam de marionetes de um filme de terror! Nem Jó, se vivo fosse, as suportariam ou nos suportariam depois das inúteis e repetidas tentativas de reclamação, tal o estado que ficamos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">É Sra. Telefonica&#8230; a carne é mesmo fraca, pois do contrário não usaríamos teus serviços pela metade, pagando pelo dobro. Aliás, nem os teus, nem os do teu amante, esse tal de VIVO, que é idêntico à Sra. no que promete e não cumpre, este que no próprio nome já nem esconde que é esperto.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;">Não vos parabenizo pela riqueza que acumulam vendendo gato por lebre! Tampouco posso desejar sorte nos negócios, e mesmo sabendo de vossas almas trânsfugas e sendo tolerante, não consigo ter um mínimo de miseridicórdia com vosso futuro. Ao contrário, sonho com um mundo em que a voz à distância seja possível, sem vós.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial;"> </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/sra-telefonica/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O QUE É O HOMEM SEM SEU SONHO?</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/o-que-e-o-homem-sem-seu-sonho/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/o-que-e-o-homem-sem-seu-sonho/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 12:17:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[cão]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[criação]]></category>
		<category><![CDATA[estilo]]></category>
		<category><![CDATA[filmes]]></category>
		<category><![CDATA[planejamento]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>
		<category><![CDATA[universal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=879</guid>
		<description><![CDATA[Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas arborizadas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo que ele queria era construir uma casinha, sair daquele barraco de tábuas e latas, ter um lugar sólido numa rua com nome e cep. Era tudo o que queria, mas não podia. Como ladrão ele não era, então sonhava &#8212; punha o filho nas costas, descia o morro e caminhava pelas ruas <a href="http://www.dicio.com.br/arborizado/" target="blank_" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.dicio.com.br/arborizado/?referer=');">arborizadas</a> e bem cuidadas do bairro, perguntando ao menino qual daquelas ele preferia, mas defeitos tinham todas, nenhuma servia.</p>
<p>E sempre que passavam por um certo terreno vazio, ali se detinham a construir a casa ideal. Muitas vezes nos fins de semana, passeando com meu cão, vi este senhor gesticulando com as mãos, construindo seu sonho&#8230; explicando em voz alta ao garoto como ia ser. Arquiteto nato, ele logo me lembrou o personagem “pedinte” do Dodeskaden (filme de Akira Kurosawa), que vivia com o filho num carro abandonado e sonhava com uma construção ocidental, sólida e cheia de requintes, diferente das convencionais casas japonesas.</p>
<p>Num fim de tarde meio chuvoso me aproximei deles. Curioso, mas com certo receio, cumprimentei-os e me apresentei como arquiteto, ao que, gentilmente, o Senhor disse já me conhecer e ao meu cão também, e que nessa fase da obra não precisava de ajuda, o que lhe faltava era só um pouco de dinheiro&#8230;</p>
<p>Uns dois anos depois, caminhando só, meu cão tinha morrido, novamente cruzei com eles em frente ao mesmo terreno vazio. O menino crescera, devia estar com uns sete ou oito anos, e agora já fazia perguntas ao pai. &#8212; Por que não pode ser vermelha? Antes que encontrasse a resposta o Senhor me cumprimentou, e aproveitei pra saber  como ia a casa. &#8212; No finzinho&#8230; Respondeu e completou &#8212; Só estamos decidindo as cores (apontando pro menino). &#8212; Pai, por que não pode ser vermelha? Insistiu o garoto. &#8212; O que o Sr acha? Ele me perguntou. &#8212; Vermelha? Eu disse. &#8212; Sim, por fora ele quer inteira vermelha&#8230;</p>
<p>O que eu ia dizer? Que era bom, que era ruim, que era estranho..? Quem era eu pra interferir naqueles destinos? E em vez de responder, fiz outra pergunta, como seriam as plantas. Dessa vez foi o menino que prontamente se adiantou &#8212; São todas brancas e pratas, e as flores azuis, igual a grama. &#8212; Oh&#8230; então vermelha vai ficar linda. Disse. Olhos franzidos, pensativo, o Senhor olhava as bactérias do ar como se não estivesse muito certo disso. Nesse momento me despedi deles e segui minha caminhada.</p>
<p>Nunca mais os vi. Até que um dia, seis horas da manhã, passeando com um outro cão, diante daquele terreno vago um jovem moreninho lá com seus dezesseis anos rabiscava algo numa prancheta. &#8212; Bom dia. Eu disse. &#8212; Cadê seu pai? Ele me olhou sem me reconhecer &#8212; Meu pai, o Sr conhecia ele? &#8212; Sim, sempre vocês vinham aqui&#8230; &#8212; Ah sim, agora acho que me lembro do Sr., meu pai morreu faz oito anos, levou um tiro da polícia quando voltava do trabalho. &#8212; Sinto muito. Disse. &#8212; Sabe que pensei nele esses anos todos, e por que levou um tiro? Perguntei. &#8212; Foi por engano, ele trabalhava à noite numa fábrica, voltava pra casa, estava escuro, ninguém explicou pra gente o que aconteceu. &#8212; E o que faz aqui, agora? Perguntei mais uma vez. &#8212; Estou mudando algumas coisas na nossa casa&#8230; Me desculpe, senhor, mas tenho que terminar isso, tá quase na hora de entrar no meu trabalho. &#8212; Claro, eu é que me desculpo, só queria saber se ainda vai ser vermelha. &#8212; Ah&#8230; não, papai nunca gostou dessa idéia&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/o-que-e-o-homem-sem-seu-sonho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>&#8220;Há dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu&#8221;</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/ha-dias-que-a-gente-se-sente-como-quem-partiu-ou-morreu/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/ha-dias-que-a-gente-se-sente-como-quem-partiu-ou-morreu/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 May 2010 00:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[anacrônico]]></category>
		<category><![CDATA[celular]]></category>
		<category><![CDATA[estresse]]></category>
		<category><![CDATA[incompreensão]]></category>
		<category><![CDATA[insanidade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=803</guid>
		<description><![CDATA[O cara esperava a namorada no carro há mais de uma hora. Ela demorava, não atendia o Cel., ocupada que estava na sua labuta. Já passava das dez da noite, a rua se esvaziava. Os guardas da empresa, ocupados numa discussão sobre futebol, nem perceberam quando dois indivíduos com jaquetas de plástico e armas na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cara esperava a namorada no carro há mais de uma hora. Ela demorava, não atendia o Cel., ocupada que estava na sua labuta. Já passava das dez da noite, a rua se esvaziava. Os guardas da empresa, ocupados numa discussão sobre futebol, nem perceberam quando dois indivíduos com jaquetas de plástico e armas na mão passaram por eles.</p>
<p>&#8212; Pula pro banco do lado, seu filho da puta. É um assalto! Põe o cinto, e as <em>mão</em> sobre o painel se não quiser levar um tiro agora.</p>
<p>O cara fez tudo direitinho. Um gatuno pegou a direção; o outro, no banco de trás, com a arma encostada na sua garganta, pediu a grana. O cara não tinha nenhum tostão, nem talão de cheque, e só cartão de crédito.</p>
<p>&#8212; Acho que cê quer mesmo morrer, né seu FdP? Cadê a grana?</p>
<p>Espalharam os documentos, pegaram seu casaco, sua camisa, o relógio, maço de cigarro, celular, mas era pouco. O carro a 150km/h saiu da marginal e pegou a Castelo Branco.</p>
<p>&#8212; E aí cara? Falou o gatuno de trás. &#8212; A gente trabalha com Caixa Eletrônico, tu não tem merda nenhuma, pra que cê vive hein, seu FdP?</p>
<p>O cara bem que tentou, mas não teve conversa, ele não tinha grana, não tinha dólar, nem uns míseros reais.</p>
<p>&#8212; Entra naquela quebrada&#8230; Gritou o de trás. &#8212; Vou mandar esse merda pro espaço, ele tá pedindo pra ver os <em>anjinho </em>de perto.</p>
<p>O motorista, calado, entrou numa ruazinha de terra, que nem bem era uma rua. O carro pulava que nem cabrito. Logo entrou numa outra, e mais uma, tudo escuro, uns casebres mal iluminados aqui e ali.</p>
<p>Vendo que a coisa tava preta, o cara falou com o motorista, o único que podia ouvir qualquer coisa:</p>
<p>&#8212; Se seu amigo aí não fosse tão nervoso, ia propor uma coisa&#8230;</p>
<p>&#8212; Uma coisa? Que coisa..? Disse o que dirigia.</p>
<p>&#8212; Vai ouvir esse cara? Eu vou dar um tec nesse merda agora! Aos berros, falou o desacorsoado do banco traseiro, e armou o gatilho.</p>
<p>&#8212; Cala essa boca, caralho, tô de saco cheio! Gritou o motorista, virando o corpo pra trás, soltando as mãos do volante.</p>
<p>O carro bateu num morrinho, a direção girou, a roda caiu numa valeta de esgoto, e parou. Ele saiu do carro, jogou as chaves longe, pegou o revólver do companheiro&#8230;</p>
<p>&#8212; Tá vendo só o que fez, devia era mandar você ver os <em>anjinho</em>, vamos se mandar, deixa esse otário com essa tranqueira&#8230; E vc aí , dá aqui os<em> sapato</em>!</p>
<p>Dali o carro não saía mesmo, ele recolheu os documentos espalhados e foi tentando no escuro achar o caminho até a Castelo. Era um mês de junho, fazia frio. Sem camisa, sapato, cigarro, devia ser mais de meia-noite, e ele fazendo sinal na estrada. Passou polícia, bombeiro, ambulância, taxi. Ninguém parou.</p>
<p>Pés esfolados, espirrando, primeiro tel. que encontrou não tinha bocal; o segundo não tinha o telefone. Até que num posto achou um que funcionava. O relógio do posto marcava 1:30hs. Ligou à cobrar pra namorada. Já se sentia em casa, de banho tomado, agasalhado.</p>
<p>RING-RING-RING &#8211; Esta é uma ligação a cobrar&#8230;</p>
<p>&#8212; Alô? Oi Marcia, sou eu!</p>
<p>&#8212; Eu quem? Foi embora e não me esperou, e ainda tem coragem de ligar a essa hora? Vai à merda seu descarado FdP !</p>
<p>CLACK &#8211; Té, té, té, té&#8230;.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/ha-dias-que-a-gente-se-sente-como-quem-partiu-ou-morreu/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>VERGONHA</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/vergonha/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/vergonha/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 01:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[efetividade]]></category>
		<category><![CDATA[mundo]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=732</guid>
		<description><![CDATA[O filme holandês premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – CARÁTER, e  O HOMEM MAU DORME BEM, de Akira kurosawa, têm roteiros muito distintos, mas sub-repticiamente têm algo em comum, ambos falam sobre o conviver com culpas e não-culpas. O primeiro fala de um homem que tenta reconquistar uma mulher que é “caráter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O filme holandês premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – CARÁTER, e  <a title="Homem mau dorme bem" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Homem_Mau_Dorme_bem" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Homem_Mau_Dorme_bem?referer=');">O HOMEM MAU DORME BEM</a>, de <a title="Akira Kurosawa" href="http://www.uesb.br/janela/diretores_ver.asp?cod=10" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.uesb.br/janela/diretores_ver.asp?cod=10&amp;referer=');">Akira kurosawa</a>, têm roteiros muito distintos, mas sub-repticiamente têm algo em comum, ambos falam sobre o conviver com culpas e não-culpas. O primeiro fala de um homem que tenta reconquistar uma mulher que é “caráter antes de tudo&#8221;, e que não o perdôa; o segundo, mostra um homem que troca de identidade com um amigo pra se aproximar do assassino do pai, homem sem escrúpulos, e fazer justiça com as próprias mãos.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><a title="Erasmo de Roterda" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Erasmo_de_Roterd%C3%A3o" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Erasmo_de_Roterd_C3_A3o?referer=');">Erasmo de Roterdã</a> no seu Elogio À Loucura</span>, diz que dores de amores cada qual sente à sua maneira, um pode não perdoar, outro nem ligar, outro ainda chegar ao extremo de matar os envolvidos e a si mesmo, porque isso varia com a formação do indivíduo, tipo de sociedade etc., mas uma pedrada na cabeça dói igual a qualquer um, e a dor de uma pedrada não gera culpas no atingido.</p>
<p>Não deve haver mesmo nesse mundo alguém sem defeitos, mas há coisas que não se perdoa em nenhuma sociedade, coisas que não dependem da estrutura social, como matar sem motivo, roubar de quem nada tem, humilhar pessoas seja pelo aspecto cultural ou econômico, maltratar animais indefesos, lesar a pátria com negócios escusos pra benefício próprio, se passar por outra pessoa pra ter o reconhecimento que não pode ter.</p>
<p>O indivíduo armado vai roubar&#8230; e rouba, depois, sem nenhuma adversidade, olha pro cara e dá um “tec”. O que se pode pensar sobre a personalidade de um tipo assim? Ou de um que rouba o tênis sem marca e o dinheiro da condução de um operário na estação do trem às 6hs da manhã? Ou do motorista que desvia da sua faixa na direção de um quatro-patas para atropelá-lo?</p>
<p><a title="Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos Desigualdade entre os Homens" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21474151/discurso+sobre+a+origem+e+os+fundamentos+desigualdade+entre+os+homens" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.submarino.com.br/produto/1/21474151/discurso+sobre+a+origem+e+os+fundamentos+desigualdade+entre+os+homens?referer=');">J.J.Rosseau no Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens</a> diz que o homem nasce bom, e a sociedade o perverte. É uma idéia, mas se é fato que nas sociedades mais pobres e menos justas essas pessoas proliferam como moscas, e a sociedade tem grande responsabilidade por essas crias deformadas, nas comunidades mais desenvolvidas esses criminosos “sem culpas”  também existem, e caímos num abismo se pensarmos que o homem já nasce mau,  porque  então vivemos num zoológico sem jaulas.</p>
<p>Agora, diferentemente desses monstros “sem culpas”, há os polidos e bem-vestidos, que lesam a pátria com suas “negociatas”, emprobrecendo todos os demais, e os que mentem descaradamente dizendo ao mundo que fizeram coisas que não fizeram nem têm condições de fazer, apropriando-se de direito autoral, e recebendo os louros que não lhes pertence. <span style="text-decoration: underline;">Ambos, quando não são psicopatas </span>(normalmente são), têm remorsos mais cedo ou mais tarde e até mudam o rumo de sua vidas, está cheio de exemplos conhecidos, mas nunca devolvem o que se apropriaram, nem dinheiros, nem a identidade roubada. Podem enganar suas mulheres, seus filhos, meia dúzia de amigos, vizinhos, e até um povo inteiro, por certo tempo, mas não a si mesmos.</p>
<p>Claro que se forem psicopatas vão dormir em paz até o último dia de suas vidas,  sortudos que são,  eximidos de culpas, se o destino não lhes reservar algo trágico dos lesados.</p>
<p>Não pude evitar de colocar os ladrões de direitos autorais entre os “imperdoáveis”, porque projetei e fiz obras que os proprietários usaram o meu conhecimento, talvez a minha arte, a minha dedicação, mentindo a todos os seus conhecidos como autores das suas fantasias. E penso nos milhares de cigarros que fumei, nas noites que fiquei acordado pra lhes dar o melhor de mim, no tempo todo que não soube; depois, no tempo que fiquei calado, porque a vida é pra frente. Talvez seja o mal de ser democrático, mas imaginava se tratar de casos  isolados, até que esta semana soube de mais um arquiteto de mentirinha. Pobre mundo doente!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/vergonha/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Futuro Presidente do Brasil</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/o-futuro-presidente-do-brasil/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/o-futuro-presidente-do-brasil/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 15:34:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[autocracia]]></category>
		<category><![CDATA[caráter]]></category>
		<category><![CDATA[individualidade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=653</guid>
		<description><![CDATA[Não digo que seja exatamente esse, mas será alguém muito parecido, infelizmente. Não tenho uma bola de cristal, não ouvi nenhum chamado divino, mas também não tenho mais idade pra ser do tipo &#8220;me engana que eu gosto&#8221;. Fila do supermercado, na minha frente uma senhora de mais de oitenta com uma caixinha de sorvete [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não digo que seja exatamente esse, mas será alguém muito parecido, infelizmente. Não tenho uma bola de cristal, não ouvi nenhum chamado divino, mas também não tenho mais idade pra ser do tipo &#8220;me engana que eu gosto&#8221;.</p>
<p>Fila do supermercado, na minha frente uma senhora de mais de oitenta com uma caixinha de sorvete na mão.</p>
<p>&#8212; É pro meu neto, ele tá vindo agora, nem me avisou. Moro aqui do lado, tenho nada em casa pra dar pra ele&#8230;</p>
<p>Não perguntei nada, obviamente, ela falava porque tava ansiosa.</p>
<p>Na frente dela o futuro presidente do país. Rapaz de vinte e poucos, um agasalho estampado com o &#8220;logo&#8221; de uma faculdade de economia, com um carrinho lotado de cervejas, saquinhos aluminizados de fritas e uma infinidade de coisas que não prestei atenção.</p>
<p>Enquanto ele punha as coisas sobre o balcão rolante, e a &#8220;caixa&#8221; lhe perguntava se tinha cartão do supermercado, a anciã se dirige a ele pedindo gentilmente se  pode passar antes com o sorvete. Mas o que ela viu  foi ele do alto da sua soberba fazendo um gesto com o braço esticado, apontando pra algum lugar. E o que ouviu, que também ouvi, foi muito preciso e conciso:</p>
<p>&#8212; Deve ter algum caixa vazio&#8230;</p>
<p>Nisso tocou o celular da Sra&#8230;</p>
<p>&#8212; Já chegou? Me espera aí na portaria, tô no supermercado, já estou saindo&#8230;</p>
<p>O supermercado estava lotado, ela não saiu do lugar. E a mocinha do caixa foi passando os produtos. No final o rapaz lhe deu um Cartão de Crédito.</p>
<p>&#8212; Crédito ou débito? Perguntou a mocinha</p>
<p>&#8212; Débito!</p>
<p>&#8212; Pode me dar o RG?</strong></p>
<p>&#8212; Mas esse cartão não é do senhor. Disse ela.</p>
<p>&#8212; É da minha mãe, sempre compro com ele&#8230;.</p>
<p>&#8212; Sinto muito, não posso aceitar&#8230;  Devolvendo o cartão e o RG.</p>
<p>&#8212; Quero falar com o gerente. Falou, furioso, o futuro presidente do Brasil.</p>
<p>Enquanto se aguardava o gerente, toca novamente o Celular da senhora&#8230;</p>
<p>&#8212; Já tô indo, filho&#8230; O caixa entalou, tô levando um sorvete de chocolate&#8230;</p>
<p>Chegou o gerente. Bate-boca inútil, o tempo passando&#8230; O rapaz enfurecido passa o braço na esteira, derruba metade das coisas no chão e sai praguejando. Estupefatos, ficam conversando, a &#8220;caixa&#8221; e o gerente.</p>
<p>Não aguentei ficar calado,  já estávamos há uns 10 minutos aguardando uma solução. Pedi pra passar o sorvete da senhora. Agachados, recolhendo as coisas do chão, nem me ouviram. Agora era a &#8220;gerente dos caixas&#8221;  que aguardávamos pra cancelar a compra.</p>
<p>A velhinha começou a respirar esquisito e tirou da bolsa um spray de asmáticos, borrifou a garganta, largou o sorvete do neto no balcão, e sem dizer nenhuma palavra saiu cambaleante de mãos vazias.</p>
<p>Eu ouvi sua voz sem voz,  e fiz o mesmo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/o-futuro-presidente-do-brasil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Razão e Sensibilidade</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/razao-e-sensibilidade/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/razao-e-sensibilidade/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 04:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[drogas]]></category>
		<category><![CDATA[lei antifumo]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=551</guid>
		<description><![CDATA[4 de outubro, deu na Folha: escolas municipais do Rio terão programa de proteção contra tiroteios. A tal secretaria da educação está estudando uma maneira de treinar educadores e funcionários das escolas pra lidar com situações &#8220;emergenciais&#8221;. Li a notícia, mas em nenhum lugar falou-se em armaduras, coletes à prova de balas ou coisa parecida, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>4 de outubro, deu na Folha: escolas municipais do Rio terão programa de proteção contra tiroteios.</p>
<p>A tal secretaria da educação está estudando uma maneira de treinar educadores e  funcionários das escolas pra lidar com situações &#8220;emergenciais&#8221;. Li a <a title="Escolas municipais do Rio terão programa de proteção contra tiroteios" href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u647795.shtml" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u647795.shtml?referer=');">notícia</a>, mas em nenhum lugar falou-se em armaduras, coletes à prova de balas ou coisa parecida, nem proteção espiritual, corpo fechado, essas outras coisas&#8230;</p>
<p>Li outra vez pra saber se tinha entendido. É isso aí mesmo, e fiquei imaginando quem vai dar e como será esse treinamento, as professoras comportadas, sentadinhas,  ouvindo um atirador de elite ou seu chefe:</p>
<p>&#8212; Quando um bando atravessar a escola com a polícia atrás trocando tiros, todo mundo se joga no chão e fica quietinho! Entenderam? &#8212; Com o corpo na horizontal a área de risco se reduz a 5% dado a dimensão do corpo ficar reduzida a poucos centímetros&#8230;</p>
<p>Pensei: não, isso não pode ser sério, ou os cariocas enlouqueceram!  Vão começar agora tratar o problema de trás pra frente? A quase totalidade de balas que encontram seu destino (bala perdida é só a que desaparece) na guerra dos morros e da polícia, tem um único motivo superconhecido: o tráfico de drogas, e até uma criança meio bobinha já ouviu isso. O filme <a title="Cidade de Deus" href="http://www.youtube.com/watch?v=vUf7vhC_ouI" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=vUf7vhC_ouI&amp;referer=');">Cidade de Deus</a> do Meirelles, diferente de todos os outros filmes que abordam a violência no mundo das drogas, mostra que nas comunidades do tráfico ninguém passa dos 25 anos.</p>
<p>As drogas existem porque existe o consumidor. Isso é igual a qualquer outra coisa, é a lei de mercado. O Estado pode proibir o fumante nos locais públicos fechados e semi-fechados, mas não proíbe a venda do cigarro, que seria uma atitude fascista e impopular além de tirar empregos e ficar sem os milhões dos impostos.</p>
<p>O Estado não permite que se fume maconha em parte alguma, MAS TAMBÉM NÃO É CAPAZ DE IMPEDIR QUE SE FUME EM TODA PARTE, e trava uma guerra sem fim com o tráfico, que é tão lucrativo que nunca vai terminar. E quem crê que isso tenha um fim diferente só pode ser do tipo &#8220;me engana que eu gosto&#8221; ou faz parte do jogo só pra &#8220;inglês ver&#8221;.</p>
<p>O menino de dez anos que trabalha para o tráfico não tem a cabeça do menino que hoje fica grudado na telinha do computador com os videosgames, esse luta com os dedos e só mata de mentirinha. O  menino do tráfico daqui a pouco vai estar derrubando helicópteros do exército, e o grande vilão dessa insanidade nada lírica chama-se <a title="Cannabis sativa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cannabis_sativa" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Cannabis_sativa?referer=');"><em>cannabis sativa</em></a>, a popular maconha, que disputa o topo das preferências dos usuários com a cocaína, sobrando pra miséria o crack, que o nome já diz tudo.</p>
<p>Tem gente muito séria trabalhando há anos no sentido de regularizar o uso da maconha; cocaína também podia ser vendida em farmácia como se vende qualquer droga, o indivíduo dá o nome e pronto. Isso mudaria tudo, e parece tão fácil porque é fácil.</p>
<p>Com a regularização das drogas uns poucos perdem muito, perdem as gangues mal vestidas e as bem vestidas, e quem ganha somos nós todos que nada temos a ver com essa maldita intifada,  o Estado que recolheria milhões em impostos e deixaria de encher o saco dos usuários adultos! E deus e o diabo juntos agradeceriam o Brasil que encerraria essa ponte aérea que abarrota  o Céu e o Inferno com tantas almas penadas ou só azaradas!</p>
<p>O crack? Ah&#8230; esse sim é um problema! Problema de um país que pensa errado, faz errado e tem miopia crônica pra olhar de frente suas crianças.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/razao-e-sensibilidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Tem alguma coisa errada&#8230;</title>
		<link>http://www.paulovilela.com.br/tem-alguma-errada/</link>
		<comments>http://www.paulovilela.com.br/tem-alguma-errada/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 07:12:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>paulovilela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[efetividade]]></category>
		<category><![CDATA[liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[metrópole]]></category>
		<category><![CDATA[problema social]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.paulovilela.com.br/?p=295</guid>
		<description><![CDATA[Tem alguma coisa errada quando se passa horas dentro de um veículo sem se desejar. Há estatística e cálculo pra quase tudo, mas nunca vi nenhuma que se refira ao &#8220;tempo de vida médio&#8221; que se perde no trânsito. Então vou dizer: pra quem passa 2 hs por dia, de segunda à sexta respirando o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tem alguma coisa errada quando se passa horas dentro de um veículo sem se desejar.</p>
<p>Há estatística e cálculo pra quase tudo, mas nunca vi nenhuma que se refira ao &#8220;tempo de vida médio&#8221; que se perde no trânsito.</p>
<p>Então vou dizer:  pra quem passa 2 hs por dia, de segunda à sexta respirando o bafo dos outros,  gás carbônico, tetraetila de chumbo. Ou nos veículos particulares só o próprio bafo refrigerado e os dois últimos itens, fora o estresse&#8230; se viver 7O,  perdeu uns 5 ou 6  anos no trânsito.  Não perdeu porque respirou esse monte de coisas, como hipoteticamente se calcula os &#8220;anos a menos&#8221; dos fumantes, alcoólicos etc.</p>
<p>Talvez alguém não muito afeto a números e estatísticas se confunda com esse &#8220;perdeu&#8221;, então mudando as palavras,  digo:   &#8220;viveu&#8221; alegremente quase 10% de suas vidas dentro de um veículo.</p>
<p>E será que alguém já calculou os milhões de litros de combustível  gastos nessas condições?  Também que isso interessa? O departamento de trânsito, que tenta cuidar do caos, mas não cuida, não pertence ao Ministério de Minas e Energia, nem do Planejamento ou da Economia. Pra quem não sabe,  falo da cidade de S.Paulo, a cidade mais rica do país, onde tudo está ligado à  Prefeitura. Temos radares de todo tipo, câmaras, tudo bonitinho e monitorado pra nos avisar quantos quilômetros de lentidão tem a cidade a cada momento. Demais, não é mesmo?  Superdemocrático dividir conosco em tempo real os números da desordem ou incompetência.</p>
<p>As regras vão aumentando, o número de proibições, agora mesmo estão fiscalizando a poluição dos carros novos,  quer dizer auferindo a indústria automobilística. Quanto aos carros que poluem mesmo &#8230;&#8221; ah, deixa pra lá&#8221;. Tem se ouvido até novas idéias sobre rodízio&#8230;  Mas nada muda, quer dizer, muda. Só piora. Se alguém argumentar que não é só aqui, que em muitas cidades do mundo se passa o mesmo, tenho que admitir que estão certos, e repito que tem alguma errada nos nossos tempos!</p>
<p>Não trabalho com planejamento urbano, mas não posso admitir que não haja solução pra esse caos em S.Paulo, esse desperdício de vida e do planeta. A indústria não pára de vender carros, carro é objeto de desejo da maioria da população, e a maioria ainda não tem. Daqui a pouco vão proibir a circulação de veículos por dois dias, depois mais um.</p>
<p>Essas medidas são o visionário de acomodados com o pensamento ou de cérebros míopes. Outros pensam que a solução é metrô pra toda parte (falta muito pra isso). A única verdade é que  a população cresce, e as mega-soluções estarão sempre atrás dos mega-problemas. Não há outra saída que não seja penosa e dolorida, há que se ter coragem para mudanças profundas no hábito das pessoas, repensar sobre essa insanidade. E mudar. Ou a cidade diminui, nada provável, ou muda-se  o horário de funcionamento da cidade, diluindo-se o ir e vir nas 24 hs do dia. Ou outra idéia que não seja o restringir, de um lado,  o uso de veículos particulares,  e de outro incentivar a fabricação e a compra superfinanciada dos mesmos. Por que não se discute outras idéias? </p>
<p>Não havia vida noturna antes do invento da lâmpada.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.paulovilela.com.br/tem-alguma-errada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

