Uma simples Crônica, nada a ver com Arquitetura

O dicionário diz que crônica se trata de uma narrativa de fatos seguindo a ordem cronológica do tempo. Eu diria que é simplesmente uma história que não se pode perder, contada do jeito de quem conta a partir de um fato real, como esta:

Uma amiga passou numa loja de produtos de limpeza, dessas de periferia, que vendem tudo sem marca em embalagens  pet de litro, e perguntou à prestativa atendente se ela não trocaria garrafas vazias por produtos do seu interesse. A expert vendedora, disse: “Claro, nós precisamos muito de embalagens, trás aqui que fazemos negócio!”

Não deu outra, minha amiga voltou pra casa e recolheu tudo que tinha de garrafas vazias de coca-cola e outros refrigerantes. Tinha na garagem, num quartinho, num depósito…  Passou mais de hora catando e levando pro tanque. Dia seguinte ficou a tarde inteira lavando-as com detergente, chacoalhando, enxaguando três vezes com água limpa . As mais sujas teve que usar sabão em pó, Veja etc. Ficou morta, mas o que importa é que ficaram reluzentes.

Dia seguinte chamou a filha adolescente pra ajudar a pôr as ditas nuns sacos de lixo. Um, dois, três sacos… encheu o porta-malas do carro. Depois encheu o banco traseiro também. Manobrando o carro, sem ver nada pelo retrovisor, bateu no banco de madeira que tinha no pátio. Puta susto, desceu …”Ah, bobagem, não foi nada, só a lanterna. O banco quebrou no meio, mas também pra que servia se ninguém sentava nele?”.

Apesar dos pesares tava feliz da vida fazendo algo ecológico, dando uma utilidade pras garrafas recicláveis que nunca reciclam.

Na lojinha: “Oi, lembra de mim? Estive aqui anteontem, trouxe as garrafas de pet, você não quer contar?” A balconista “claro, trás aqui que não posso sair da loja”. O carro, estva estacionado a uma quadra, e lá foi ela trazendo de “dois em dois” os enormes sacos pretos, enquanto a mocinha contava: “102, 103, 104… Nossa, quantas! E tão superlimpinhas…”

No final, 152 garrafas de pet. Minha amiga transpirava exaurida.

“O que você vai levar?” Perguntou a vendedora a minha amiga, que apontou pra prateleira: “Tenho cachorros, pensei nesse desinfetante, é bom?”

“Ninguém reclamou até hoje, só vai querer isso?” Falou a mocinha.

Minha amiga: “Também pensei… mas pera aí, quanto vai dar pelas minhas garrafas?”

A balconista, com a máquina de calcular na mão: “152 x.. Dá 4 Reais e dez centavos, o desinfetante é só 3 Reais, ainda sobra 1 Real e dez centavos, que mais vai levar?”

Chegando em casa, a filha perguntou: “Oi mãe! Nossa, que cara! Que aconteceu?”

Ela trouxe o desinfetante, um sabonete de enxofre e duas moedinhas de 5 centavos. Quebrou a lanterna do carro, o banco que ninguém sentava, gastou dois litros de gasolina, 1/2 pacote de sabão em pó, 1 litro de Veja, e uns 500 litros de água. E  disse pra filha: “O Meio-Ambiente que se foda!”

10 Comentários em “Uma simples Crônica, nada a ver com Arquitetura”

  • renata comentou no dia 25/11/2009

    E assim caminha a humanidade.

  • leticia comentou no dia 25/11/2009

    ho coitada!!!!!!!!porque ela nao perguntou antes .quanto custaria o quilo dos pets????????,perguntar sai mais barato.!1rsrsrs

  • ani comentou no dia 26/11/2009

    PAULO!!!

    ÓTIMO! DAMOS RISADAS , MAS QUE É TRISTE É.
    VALEU!

  • Gabriel comentou no dia 26/11/2009

    É realmente, tem situações que é um sacrifício colaborar com o meio-ambiente.

  • rita comentou no dia 26/11/2009

    Já passei por essa situação, damos voltas e mais voltas e por final, tudo na mesma.
    Quem mandou querer colaborar!!!!!!!!!!!!!frustrante!!!!!!!!!!

  • Judit comentou no dia 26/11/2009

    Imagine o quãq signifacante é a sua historia para um ecologista de carteirinha !!!

  • vitorioborella comentou no dia 28/11/2009

    Como a mulher em questão é a minha, posso participar ou comentar aqui com grande propriedade. No começo eram algumas garrafinhas, depois fui arranjando caixas plásticas para empilhar as malditas que caiam o tempo todo e se espalhavam pela garagem. Pilhas de caixa plásticas e meia garagem tomada e eu a incentivei a por fim àquilo. Ela trabalhou muito e eu avisei que não precisava lavar, mas ela cuida de tudo o tempo todo como se fosse a pia da cozinha. Ralou e criou uma boa história prá ser contada, mas não pelo lado ecológico e sim pela anedota.
    Mas ganhos com isso… não sentimos mais culpa de colocar Pets na lixeira.
    Beijos a todos.

  • miriam comentou no dia 08/12/2009

    achei tudo sem graça…gastar sabão em pó, 500ls de água…bater o carro…expectativas de q ia “ganhar’, lucrar!?! qual a graça…anedota? ah Paulo, conta outra, vc merece coisa melhor…

  • paulo comentou no dia 13/12/2009

    Miriam,
    Ela não visava lucro e não é uma anedota, é só uma história de alguém que não quis emporcalhar o planeta jogando no córrego as “pets” que não sabia o que fazer, e sem pensar muito achou que tinha achado um jeito, mas descobriu a dificuldade de sumir com as “recicláveis”, que agora irão para o lixo comum. Não é engraçado mesmo.

  • Maria de Lourdes comentou no dia 29/12/2009

    Parabéns pela sua visão peculiar de perceber as coisas obvias, que geralmente não são ditas, e que quando lidas fazem as pessoas pensarem mais.
    Feliz Ano Novo a todos!

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