Uma tal Claudia

Nem tudo que se escreve é entendido por todos, algumas coisas talvez nenhum possa.

Dia desses, madrugada fria, num desses lugares que não sabemos ao certo aonde fica, nem se fica, por isso digo acho que conversei com uma loira alta, inteligente, seletiva, que se disse chamar Claudia. Comecei perguntando se era tudo verdade. Nada respondeu. Pensei a princípio que escutasse mal e insisti várias vezes até que ironicamente ela acabou abrindo a boca e disse que eu tinha lido a bíblia inteira sem sua permissão.

Isso não era não era bem uma verdade, mal conheço a bíblia, mas surda ela também não era, nem muda, meio estapafúrdia talvez, quando falou que adornava sapatos. Entendi que adorava sapatos; desfeito o mal-entendido disse que adornava o próprio adorno, que era ela mesma, e citou um pensamento de Platão. Fiquei na mesma.

Aquele vagão só tinha gente louca, mas ela não era louca, nem eu. E como tal, não suportava a idéia de terminar o que nem começou, numa estação chamada  Céu — esse lugar aprazível, de cálidas temperaturas, som de harpas, aonde anjos desbotados voam só por voar.

Vá lá que ela tinha alguma razão, que essa paz sempiterna seja mesmo enfadonha pra nós que convivemos com o trânsito, guerras, esses tipos de vampiros de sangue RH-Nada, conhecidos como políticos, etc.

Há que se pensar bem nesse assunto antes de escolher a estação que vamos desembarcar. Sugeri que descesse no Purgatório, ao que prontamente recusou. Aí fui um estúpido e dou razão total a ela, não faz sentido pagar o dobro pra se ir aonde não se quer e ter o que não se deseja. Todos sabem que só restou uma opção: o Inferno, com seus vermelhos vibrantes, suas fogueiras…

Falei que isso doía, ela riu, disse que só doía pros outros. E completou que seu gene vinha do Nero (aquele imperador romano que vivia bêbado e gostava de pôr fogo em tudo). Bem, aí pensei, pensei, mas nem foi tanto, já estava desconfiado quando ela completou que era uma parente afastada do capeta.

Nessa hora ri pra valer, imaginei aquela loira alta ajeitando as brasas, e com um garfo gigante espetando os “pobres” … Devia era ser bem boazinha, ao que lendo meus pensamentos, instantaneamente respondeu “vai pensando…”  Ops!

Ao fundo…. os agudos do Ozzy Osbourne , e adoro fogueiras, mas daí ficar de conversa fiada com uma chegada do demônio, eu que nunca ouvi nenhum parente do divino… sei lá, mas nem um santo se passando pelo capeta, nem um capeta travestido de santo me pegam, até hoje só fui de ateu a agnóstico.

Queria ter feito uma última pergunta, a mesma que comecei, se era tudo verdade, a resposta não importava. Mas as luzes do trem se apagaram, só ouvi o último grito do Ozzy e ela sumiu.

6 Comentários em “Uma tal Claudia”

  • leticia comentou no dia 09/06/2010

    ola senhor poeta !dica de Morgana esctue U2 Bono,ou pink floyd ,

  • LENA comentou no dia 10/06/2010

    OI PAULO!!!!!!! É BONITO O QUE ESCREVEU,,,,MAS ME PASSA UM CERTO DESCONFORTO DE QUEM SENTIU ALGO PARA PASSAR PRA ESCRITA O QUE ”EU LI..E O QUE EU ENTENDI”PQ REALIDADES DE ENTENDIMENTOS SÃO VARIADOS!!!!!!!!!!!![e até me permiti fazer analogias]
    A DICA DA MORGANA É BOA,,,,,,
    E A MINHA É …ACREDITE QUE CONVIVER COM A CRENÇA DE BOAS ENERGIAS É MAIS LEVE QUE ,DO QUE COM AS MÁS!!!!!!!!!!!bjs

  • paulo vilela comentou no dia 10/06/2010

    Isso não é um sonho. Cada qual vê as coisas com os olhos que tem. O que vem de fora é menos do que o que vem de dentro, e não deve causar mais alegria ou mais sofrimento, mas se coisas que pensamos existir já nos causam desconfortos, que dirá aquelas que nos assombram quando visitamos o inaudito. O inconsciente é pura invenção como um filme que ainda não se viu. Se sentiu isso, foi o que senti quando escrevi.

  • Jurema comentou no dia 13/06/2010

    Estou certa de que essa “tal claudia” não sumiu, não mentiu .
    A personagem demonstra pureza de alma. Ela parece não submeter-se a muitos manuais, mas não é rebelde como tentou-se demonstrar.Tem rebeldia criativa, na luta pela pela sobrevivencia e pela vida. Como Drummond , ela tb achou por muito tempo que a ausencia é falta, e lastimava, ignorante, a falta. Hoje não lastima. Não há falta na ausencia. FICA UMA SENSAÇÃO…QUEM É ESSA MULHER? Por outro lado, a inquietação: o que moveu o coração do autor ao descreve-la daquela forma?

    E, assim os dias passam.

  • paulo vilela comentou no dia 14/06/2010

    Grazie por ter lido, escrito. Talvez esteja certa,ficou mesmo essa sensação, o meu desentendimento pela incompreensão… e escrever é esvaziar-se, como disse a Clarice.

  • ani comentou no dia 11/07/2010

    ai gente!!! que viagem!! o ano está começando para você, um ano novo, que venha então com sonhos leves e anjos muitos anjos de alegria e paz.

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